“Acusem-me, porra”

João Nabais, Advogado, a dar pérolas a porcos. Este processo já devia, tal como o meu Colega refere, ter sido dividido em dois, três, quatro, cinco… Os que fossem necessários. A pergunta “mas tu achas mesmo que ele é inocente?”. Francamente? Não me cabe a mim achar, cabe à Justiça julgar. A minha opinião sobre a culpa “dele” é irrelevante, absolutamente irrelevante. Tenho é a decência de assim a considerar, publicamente. Não acho nada, não nos movemos por “achismos”; vivemos num Estado de Direito Democrático com regras processuais que devem ser cumpridas.

Não se encerara um homem por dez meses com base em nada; e a prova de que era mesmo nada foi todo o tempo que decorreu desde então. Três ou quatro anos (ele saberá os dias e as horas). Com base em nada. Nada de suficiente que sustentasse uma acusação, pelo menos.

“Acusem-me, porra” é o mínimo que o Estado Direito deve cumprir com um Cidadão.

Sócrates esteve dez meses detido preventivamente; para que tal acontecesse havia (teria de haver) fundamentos sólidos (os tais indícios sérios de que fala João Nabais) para uma acusação. Assim não foi. Havia zero. Ou muito pouco, nada que sustentasse uma acusação que devia ter saído nos meses seguintes. Há mais factos? Venha outra acusação. Mais ainda? Outra acusação.

Se hoje há muito? Continuo sem saber. O que sei é que os prazos foram adiados sine die. Por causa de dois magistrados ineptos que mais não fizeram durante quatro anos do que alimentar a comunicação social, que diz saber de factos que a defesa ignora. E que aventa “verdades” que dificilmente passarão a mentiras. Responsabilidade zero.

Ter o correio da manha como interlocutor privilegiado do que se passa no processo é a prova de que batemos no fundo do fundo e, não contentes com isso, encontrámos uma porta e entrámos e continuámos a escavar. Tudo isto mete nojo e tudo isto é motivo de repulsa. O plural é meramente narrativo, não me incluo nele. Insisto que nada sei de Sócrates e de sua culpa ou inocência. Não posso concluir nada que não parta de decisões transitadas em julgado. Posso depois concordar ou não, mas isso é outra loiça. E certamente não opino assente em artigos de cornetas do diabo. Que vomitam o que a acusação lhes dá a mamar. Esse contrato entre o magistrado do mp e o correio da manha é a prova de que há muito para rever.

O “jornalismo” e as fontes. O “mp” e o “jornalismo”. E não rasguem as vestes, ó virgens. Censura é o que se passou até agora. Censura é este processo sem contraditório. Não falo de censura, falo de responsabilidade e de responsabilização. Não chega afastar o rosário teixeira do processo, há que investigar e responsabilizar os responsáveis por todas estas fugas diárias para os media.

Nada disto é novo, podemos recuar a Leonor Beleza, que soube pela comunicação social os termos da acusação. Proença de Carvalho, seu Advogado, teve de escrever um livro para poder defender a sua constituinte das atoardas de então. Sei que há cerca de vinte e um anos assentei o meu trabalho de agregação à Ordem do Advogados nesse assunto. Mantenho-me irredutível porque, porra, é-me tão óbvio. Não é pelos jornais. Melhor, a investigação jornalística pode espoletar processos; não pode é ser a voz do dono, que por sua vez também fica a parecer igual. E entre tantas vozes e tantos donos perde-se a Justiça.

Nunca ninguém saberá se Sócrates é culpado ou inocente. Agradeçam a quem diariamente vomitou manchetes para o correio da manha e para quem, “de referência”, lhes segue as patadas.

Lembram-se do caso Maddie? De como todos os dias havia uma conferência de imprensa onde “o tribunal” dava nota das evoluções? “Para inglês ver”, e nunca a expressão calhou tão bem. Mas por aí é o caminho. Já o era há vinte e um anos. O que vocês, jornalistas, podem dizer e saber é “isto”. Apenas isto. Se pisarem o risco estão a assaltar um tribunal; ainda que não partam vidros, ainda que não forcem portas. Se souberem mais do que isto, disserem mais do que isto estão a vilipendiar a Democracia.

Mas voltemos ao caso Sócrates. O tavares do Público já se dá ao luxo de pedir responsabilidades ao PS; já se dá ao luxo de explicar aos “pró-socráticos” o despacho da Procuradora Geral da República. Gostaria de pensar que são reminiscências do tempo em que foi recruta do correio da manha; ou de quando – antes disso – passou do zero ao cem por causa de um processo que Sócrates lhe moveu – e o tavares ganhou, e terá gostado de ver justiça feita (coisa que agora ousa fazer… à pata). Na verdade, tendo em conta os diários despautérios, resta-me achar que é a forma que o Público tem de ser… “plural” e de descer ao nível do microfone caído no fundo do lago (a mais bela jogada do Ronaldo).

Agora direi aquela coisa óbvia do “ponham-se no lugar dele”. É impossível. Este processo só ganhou os contornos que ganhou porque se trata dum ex-Primeiro Ministro. Naquele exacto lugar não é possível. Mas podemos adaptar as circunstâncias às realidades de cada um.

A instrumentalização da justiça pela comunicação social, com o poder político metido no meio a distribuir cartas é a negação da Democracia. Tudo serve para vilipendiar. Porque o sangue vende. E ganha-se dinheiro e ganha-se tempo e ganham-se razões. E quem duvida da culpa do homem, sujeito a tal ataque, em tantas frentes?

Mas ouve cá! Quando chegar o teu dia, quem duvida da tua culpa? Nasce connosco pararmos quando alguém tropeça numa pedra e se espatifa no passeio. Entre o riso e o acudir. Até aí percebo. Mas ouve cá! Quando chegar o teu dia, quem duvida da tua culpa? A galinha da vizinha que é mais gorda do que a minha e como raio ousou a minha vizinha? É isso? Tão só? Tão-só!

E concluo:

– Sócrates não me é indiferente. Já o achei solução (votei nele) e ao fim de seis meses arrependi-me. Mas não renego a minha responsabilidade que adveio de algo simples. Simples e grandioso. Simples levantar o cu do sofá; grandioso poder escolher, enorme poder errar. Este “poder dizer de nós” custou décadas de silêncio, de tortura e de morrer e de ir matar no ultramar. Não fiz o 25 de Abril, mas ninguém me impede de o continuar. O filho do Francisco Sousa Tavares, em crónica no Expresso, asseverou três vezes que não era por Sócrates. Ao contrário do pequeno miguel, não tenho de me justificar vez nenhuma. Ou talvez só uma. Não quero de volta os tribunais plenários, onde já ias de sentença lida.

– Fui votar, dizia (quem crê que “a abstenção é a solução” que funde uma igreja ou então olhe as recentes eleições na Holanda; 80% de “aqui estou eu” impediram a eleição de um fascista). Mas não é só essa a causa de não me ser indiferente. Dê por onde der, olhe-se por onde olhar, seja o resultado o que for, valerão sempre mais aquelas centenas de manchetes a dar o homem como culpado. Quais os crimes? Epá, isso não interessa. Inocente ou culpado, o grande rosário já disse e distribuiu a sua justiça. E, temam, é essa que vai valer. Sentenciados todos nós pelo correio da manha.

– A PGR deu uma no cravo e outra na ferradura. Tomem lá mais mês e meio e depois quero datas. Daquelas que marcam o fim. Uma acusação. Metem-se as férias de verão e lá para Outubro ou Novembro teremos a revelação-acusação. Acaso, entretanto, não surja mais uma ligação perigosa – vejam lá bem se o homem não andou a escutar o trump, o Obama e o putin ao mesmo tempo, qual agente triplo. Nessa altura teremos oportunidade de ver exactamente quais os indícios seriíssimos e gravíssimos que, naquela altura, levaram à prisão preventiva. Aposto singelo contra dobrado que o que consta do despacho que decidiu pela prisão preventiva será inócuo. Em face da acusação, entenda-se. Que será grandiosa, terá de o ser. E este ter de ser é tramado.

– Para terminar deixo uma certeza. Num processo destes, envolto em sigilo, é simples saber que soltou informação para os media. Basta olhar quem esteve presente e investigar. Tão simples assim? Como é que se sabe tanto (nada) cá fora do que foi dito lá dentro? Com o número limitado de pessoas que esteve presente em cada uma das diligências judiciais seria tão simples assim. Não perdendo de vista que apenas uma esteve presente em todas, a coisa resultaria ainda mais simples. Mas vade retro, que quem for por aí acaba detido preventivamente, não porque haja provas. Mas porque urge recolhê-las. Eu tenho de ter especial cuidado porque em 1984 olhei as torres gémeas. E, notem, dezassete anos depois aconteceu o que aconteceu. Não há coincidências, rosário. E, confesso, também já pisei a relva. Várias vezes. Várias relvas, de todas as cores, de várias formas. O que te facilita o estar é esta minha confissão.

– Sabem o que acho mesmo? Metade das pessoas que chegaram ao fim deste meu texto insistirão na pergunta: “Então achas mesmo que o gajo é inocente”? E isso é o que eu acho. Nada mais. Metade das pessoas que chegaram ao fim deste meu texto insistirão na pergunta: “Então achas mesmo que o gajo é inocente”? Não era esse o ponto. A questão é que a Justiça não é aquela menina ao lado do João Nabais.

Continuo a acreditar na Justiça, mas Justiça-mesmo. E a Justiça não é aquela coisa lá longe. Somos nós. Erra, pois erra. Erramos, claro que sim. Estas palavras acima representam o que penso da Justiça. Para que não haja MESMO confusões. Creio na Justiça. E todos podemos e devemos contribuir para ela. Uma coisa vos assevero, quando a entregarmos a máquinas, vamos todos dentro. No entretanto, há é que extirpar da Justiça o que não lhe pertence.

Este texto é a minha singela contribuição. Tenho andado engasgado, outras palavras se seguirão. Oxigénio.

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novas da trika-troika e do diabo

Última hora: no próximo Domingo marques mendes vai abordar o tema “Centeno enviou a domingues um whatsapp-vídeo onde se pode ver o Ministro a fazer um pirete à frente de uma declaração de rendimentos”.
Que idade é que esta malta tem, mesmo? Diz-me que política praticas dir-te-ei que tipo de gente és. Qual a relevância política (objectiva!) que esta estorieta tem? Melhor, em face dos resultados apresentados por Centeno no que respeita à gestão da coisa pública, que interesse tem esta treta? E claro que errou, ao ter pensado que não era assim tão importante para um tipo que vem do privado exigir não ter a declaração de rendimentos “publicitada” (confiou que quem não deve não teme).
Mas não, não é suficiente para demitir um Ministro como Centeno (ai é só por isso?; não, não é, mas também não ignoro a mais-valia que este Ministro representa). Diria “temos pena” se vivesse o país como quem vive a bola. Partidarismo e clubismo são sinónimos na essência. E o problema começa aí.
O que realmente mói a trika-troika marques mendes, coelho e cristas são os resultados de Centeno. 
Em suma, a culpa é claramente do défice ter atingidos mínimos históricos e de a ausência de “oposição” ter atingido máximos históricos. E do diabo, também; que não há maneira de chegar. Não deve haver rede no inferno, ou já lhe teriam enviado um sms.

A troika mm-psd-pp, o ZERO da direita e o elogio a Centeno

O diabo não chegou e a oposição, liderada por marques mendes, tem uma única arma de arremesso. A Caixa e o processo “declaramos-os-rendimentos-mas-é-a-porra”. Quem anda com os pés no chão não terá dificuldade em adivinhar o que se passou, mesmo. Nada de relevante. Ordem do dia e pontos marginais à dita.

No que verdadeiramente interessa, Centeno mantém-se intocável e a prova disso é que a dita oposição não larga o osso da Caixa, com a inestimável ajuda dos media tuga. A questão só está de pé porque marques mendes y sus muchachos (psd e pp) não têm mais nada a que se agarrar. E a ironia é que o ataque a Centeno é um elogio a Centeno.

Mas quando o diabo não vem, inventa-se nos detalhes. Há a Política e a politiquinha. Há a gestão da Coisa Pública e há o que a troika mm-psd-pp estão a fazer.

Centeno e Costa foram uns anjinhos, sim; o que nada me surpreende no primeiro e me deixa boquiaberto no segundo. Acaso contaria Costa que a “troika” acima referida ia colocar o país à frente do respectivo umbigo e das avenças que a motivam? Ainda para mais com marques mendes ao leme, que se deve sentir a rondar os dois metros de altitude. Não me enganei, é altitude mesmo, o homem está a ter os seus minutinhos de relevância, empoleirado em cima de uma Caixa.

Deixo um alerta ao Primeiro-Ministro. Quem com ferros mata, com ferros morre. Algo que ele por certo saberá. Assim como sabe que não há ninguém no Governo chamado Marcelo (pensar o contrário pode ser um ferro que mata). E mudo de assunto ou isso. Quanto ao Presidente da República, a razão assente nos factos diz-me que nada há a apontar. Apenas isso. Melhor, a razão assente nos factos que saltam cá para fora. Sem esquecer quem foi Marcelo antes de ser Presidente e querendo muito que esse modus operandi d’antanho não volte e leve a melhor.

O tempo dirá se este não-assunto vira assunto sério. Seria uma lástima que esta troika possível (eles não sobrevivem sem uma) levasse a melhor sobre a República.

Mais uma coisa, se Centeno cair perderemos um bom Ministro. A “troika” desce ainda mais nas sondagens. O Governo e o Presidente, ó ironia, mantêm-se incólumes. Daria para rir se não desse para chorar.

Lá no final, entre anjos e anjinhos, diabos e diabinhos, se acertarão contas. E o assunto Caixa será o que é. Nada. Zero. O zero que é esta direita canhestra.

Make America Divided Again

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Começo com uma estória e adiante falarei de História. A nomeação de jeff sessions como “Attorney General” estava a ser questionada por Elizabeth Warren (esta nomeação equivale a ter hermann göring como juiz e acusador nos Julgamentos de Nuremberga). E eis que aconteceu o que podem ver neste vídeo. Warren foi “democraticamente” silenciada. Diga-se que a regra invocada não se aplica ao gop, mas apenas a Elizabeth Warren (que, já agora, foi das, dos que mais lutou contra esta distopia feita realidade – o Pedro Mexia, por quem tenho imenso respeito, esqueceu-se ontem, no Expresso, de a referir, assim como ao Sanders, assim como… e podia estar aqui o resto da noite “naming names non-gop”). Adiante.

jeff sessions e stephen bannon (ex-director do breitbart news, “jornal” onde trump vai buscar as suas “non-fake news”) são os principais conselheiros de trump, ambos da alt-right, espécie de liriquismo moderno para fascismo antigo. Ambos – tudo ao limite e assumidamente – são racistas, xenófobos, misóginos, anti-islão (nada a ver com terrorismo), anti-semitas (true story – e isto explica a relação-montanha-russa de trump com Israel) e contra tudo o que nos aproxime de Ser Humano.

Numa palavra, adaptada a XXI, são fascistas – uso a palavra não como quem diz “ó facho”, mas pelas patentes e assumidas semelhanças, de bannon e sessions, com o ideal proto-fascista.

A onda que por aí corre (raposos, rangel, jmtavares, etc, à cabeça – triste o país que tem tais cronistas como ideólogos de direita), assente em investidas googlianas e wikipedianas, que pretende “exorcizar” (dizer “é mentira!”) o fascismo destes eua, devia tentar ao menos disfarçar as fontes. E começar a acreditar que os comunas (para eles toda a esquerda é comuna) não comem criancinhas. Para tentarmos avançar para um conceito, temos de nos livrar dos pré-conceitos; começar por baixar os níveis do complexo de inferioridade (o mesmo de que trump padece) é um bom princípio e um Princípio sine qua non – essa cena de a esquerda se julgar superior está nas cabecinhas de quem disso padece (não confundam a burguesa câncio com esquerda, e parem com essa guerrinha de o meu clube lx é melhor do que o teu clube lx). Perguntem ao Mexia se tem pachorra para vos dar aulas ou assim. O Pacheco Pereira por certo não terá. Adiante.

Ontem, Elizabeth Warren foi censurada. Não há outra palavra. Agora façamos um exercício, ainda a meio da terceira semana do trumpismo. Se Warren foi silenciada, se ainda nem três semanas se completaram, imaginem o que aí vem.

Li há pouco a crónica do Ricardo Costa, no Expresso. Basicamente “defende” (e como o percebo) que esta coisa deve resolver-se em eleições. Nada de rebuliços, ou a coisa agrava-se. Percebo, compreendo, mas discordo. A Democracia não se esgota no voto, a acção dos eleitos e a eventual resistência a essa acção são as cenas dos capítulos seguintes. E também isso é parte da Democracia (aconselho a leitura deste artigo do Pacheco Pereira). No que nos toca, temos essa ideia consagrada no artigo 21.º da nossa Constituição.

A guerra civil terá tido vencedores, mas não teve vencidos. Nem, e esta é a pedra de toque, convencidos. E há que não esquecer que falamos dum país que não completou três séculos, e quer bannon quer sessions terão memórias, em forma de historinhas dos confederados bisavós, contadas à volta da lareira, enquanto se juravam vinganças.

E eis que chegou o dia.  trump é uma marioneta nas mãos de bannon & sessions.  E ambos são inteligentes o suficiente para lhe passar a ideia que ele está no comando. No que releva, eles comandam.

Em suma: os eua estão a viver uma crise de adolescência, o federalismo estado-unidense está em agonia. E a secessão parece inevitável. Não vale a pena empurrar com a barriga. Foi esta “união” forçada que conduziu o mundo a este estado de sítio. As cedências, os pontos de equilíbrio nunca foram entre “republicanos” e “democratas”. Mas entre representantes de Estados dentro de um Estado parasita e parasitado. A guerra civil nunca acabou e ganhou asas quando trump foi eleito. E obviamente o fascismo vai cavalgar trump. Basta afagar-lhe o ego. Finalmente estão juntas a fome e a vontade de comer. “Grab us [and u.s.] by the pussy!” And roll the dice.  

Há um ano atrás, ninguém imaginava este “hoje”. Só um louco arriscaria tal previsão. Um tipo habitua-se a ver o muro sempre da mesma cor. Pintam-no, e o mesmo indivíduo rapidamente se adapta. As pontes dos eua não têm cor, desde logo porque carecem de substância. Os muros, estes em concreto, são perenes. A esta velocidade, não imagino como se fará, como acontecerá. Mas o país que nunca o foi está dividido em tudo.

O resto do mundo pagará o preço da crença no Império Made in USA. Mas mais vale isto do que este torpor, que chove e molha. bannon e sessions são quem manda; sucede que nem todos os Estados baixarão a cabeça. E não pensem que a modernidade de XXI nos afastará do que aí vem. Leiam Bauman, e verão da liquidez dos nossos tempos.

Warren e bannon vivem em países diferentes. E a realidade tende a impor-se (a História tem destas manias), sem olhar ao século. Esqueçam o make america great again e o america first. A realidade assemelha-se mais a make america divided again e a california first. Colocar “século XXI” à frente de qualquer análise dos tempos que correm equivale a tentar diminuir o areal da Figueira da Foz à força de baldes de água com sal. Império algum assumiu o seu fim. Todos os tempos “imperiais” se anunciaram como o fim da história.

O último certificado de óbito da História foi passado por Fukuyama, após a queda do muro de Berlim. Cedo piaste. A História dos homens no Planeta terá um fim quando ele rebentar connosco ou nós com ele. Até lá, o circo vai continuar.

A ORIENTAÇÃO SEXUAL COMO CIRCO-RELIGIÃO, “o football-they-say”, o circo-gayzola e a homofobia às avessas

Ontem estive a ver (e a ler) um pouco daquela espécie de luta livre estado-unidense. O tal de “football-they-say” (uma espécie de Fight Club que se joga com uma cena oval mas que sem isso jogava-se igual – com um par de meias ou assim), que tem pouco de foot e nada de ball (a ball é redonda).

A luta — luta! — era entre a equipa apoiada pelo trump (New England Patriots) e os Atlanta Falcons. Resultou como nas sondagens, tal como em Novembro. Depois de os Falcões (uma espécie de Rio Ave lá do sítio) estarem a aviar os patriotas (uma espécie de FCP dos tempos de Mourinho, munidos por uma espécie de Ronaldo) por 28-3, estes deram a volta e venceram por KO.

Mas não era disso que queria falar.

A meio da pancadaria entrou a Lady Gaga, e no twitter havia orgasmos (literalmente) em directo (literalmente). De homens, essencialmente; mas não por isso que pensam, mas por isto que li e que reproduz a ideia geral de tudo a que a assisti: “Dou graças a Deus por me ter feito gayzola, a Gaga entrou, dronou e aiiiii se atirou do téeeeto”.

Depois, há a cena dos anúncios publicitários. Quem bate em trump, quem não bate em trump. Não são anúncios, mas produções cinematográficas.

Em suma, houve quatro públicos nesta final de porrada estado-unidense.

O pessoal que vai lá pela porrada mesmo (o sítio onde a dás e onde te atiras para o chão vale pontos);

A malta que gosta da Lady Gaga, que percebi ser um ídolo dos “gayzolas” (acho que é bicha, em português – não é bem gay, é mais andar de dildo enfiado no cu o dia todo — li um dizendo, perdão, um que que dizia que “Deus é Gaga e estou de dedo do cu por deiz ano”);

A gente que aguarda os anúncios publicitários, como quem procura a solução para todos os problemas.

E depois “há eu” (ontem o pt-br me esclerosou), o quarto público (não ouso dizer o resto do mundo, que não fui mandatado), que se limitou a observar.

Mas também não era disso que queria falar.

Era do Mark Eitzel e da minha desadequação a este “Brave New World”. O Homem canta que se desunha. As letras são letras mesmo, palavras e frases. Uma composição. E eis que, chamam-lhe “the queer heir of Leonard Cohen”.

Ainda atinjo as semelhanças vocais [a custo], e até das letras [a custo]. Mas queer? Tipo, a versão bichona? Que raio me interessa a orientação sexual do homem? Desde que a possa exercer em paz e que não seja rotulado ou idolatrado por isso. E, acima de tudo, desde que não se defina ou o definam por gostar de pénis ou de vagina.

Eu não entro no quarto de ninguém, respeito e aceito as orientações sexuais de cada um. Lutei e lutarei pela igualdade. Não me invadam o quarto e não tentem saltar-me para a espinha (ainda que somente mental).

Não me apresento a ninguém como “Rogério, heterossexual”. A “tal” da igualdade implica que bicha (nada a ver com homossexual) não seja cognome de gente. Não me reduzo à minha orientação sexual. Não me ponho aos saltos cada vez que vejo uma mulher. E mais estranho seria que o fizesse quando visse um homem a saltar dum telhado dum campo de bola que não é bem uma bola.

Essas cenas abichanadas nada têm a ver com orientação sexual. Pior, conduzem a uma espécie de retrocesso. Quem é homossexual e leva com a homofobia dos indigentes mentais que vêem nisso uma doença, paga não só o preço dessa homofobia mas também, e é aqui que quero chegar, da atitude deste tipo de circo-gayzola, que insiste em dizer ao mundo o quão bom é levar no cu. A orientação sexual feita propaganda resulta em tiros nos pés de quem apenas quer ser feliz e poder estar e viver em paz. Homem com homem, mulher com mulher. Mulher com homem, já agora.

E, já agora, tentem não ser heterofóbicos. Dava-me um certo jeito poder viver em paz, porque só assim poderei contribuir para que quem tem uma orientação sexual diversa da minha o possa fazer também. Viver em paz. Fazer da orientação sexual uma religião é contraproducente.

E, nesta estranha corrida por este estuporado apartheid, as “bichas” estão a par com a homofobia. Acaso não se lembrarão do quão difícil foi lutar para que pudessem sair do armário. E de quem lutou para que tal acontecesse. Não foi com plumas e com dildos rabo acima.

E isto é que verdadeiramente me lixa; é que ainda é difícil para muitos, e mais difícil fica com essa espécie de homofobia às avessas.

GRAB US BY THE PUSSY, do trumpismo e de como temos de o levar a sério

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Após ver a primeira conferência de imprensa do “press secretary” (sean spicer) do trump, fico com uma certeza. O tipo é bem melhor do que qualquer jornalista ali presente. Vendeu uma aparência de normalidade que não podemos comprar (mas a que hoje, in loco, ninguém resistiu – só faltaram as vénias).

O cargo de correspondente na casa branca tem sido, ultimamente (já bem antes de Obama), entregue a jornalistas-relatadores. Porque não passava nada e todos riam. O trabalho sério (houve algum) fazia-se fora da casa branca. É urgente mudar. Ser correspondente na casa branca tem de passar a ser uma espécie de topo de carreira, onde se sentam os melhores. Para que o sean spicer tenha perguntas (e respostas) à altura. Há que afastar aqueles risos de reacção às piadas dele. Hoje foi uma estupidez de educação, de não vamos incomodar o gajo, como se estivessem a lidar com gente normal.

Há que entender a estratégia da pós-verdade trumpiana. Um exemplo. Correu que os jornalistas seriam afastados da casa branca. Ontem, o vp spence sem grandes ondas (apenas enfatizando as palavras) deu as boas-vindas aos jornalistas na casa branca [coloca a correr o boato, depois desmente-o, darás a ideia de uma cedência e terás aplausos]

Estamos em 2017 e esta roda já há muito foi inventada.

Urge lutar contra esta aparência de normalidade, como se se tratasse apenas de mais um presidente. A equipa mediática do trump não é o trump. E, lamento informar, é muito boa, no que toca a branquear… o que houver para branquear.

Os media têm, insisto, de começar por colocar naquela sala os Woodward e Bernstein possíveis. É que há aqui uma diferença, em relação a Watergate. Não basta o jornalismo de investigação. Os correspondentes na casa branca têm de ser, como dizer?… jornalistas. O sean spicer hoje não foi levado em ombros porque não calhou. Os homens do trump não são o trump. E vendem normalidade.

Há que ir preparado para estas conferências de imprensa. Estar preparado implica antever todas as perguntas e responder, perguntando à altura. Estar preparado para ser expulso. E essa será também a notícia (e não falo de fazer caretas). Tal como o ssob (doble-son-of-a-bitch; que ao contrário dá boss) decidirá, quando vir o spicer ser encurralado; trump será sempre trump. E esse é o nosso trunfo.

A administração trump não pode ser tratada como se nada fosse, como uma mera mudança de presidente.Temos de levar isto a sério, mesmo. Eles chegaram onde chegaram porque até ao “inauguration day” os levamos a brincar. Para quem não saiba, e por certo não recolherá tal informação nos jornais tuga, trump deu as boas-vindas ao staff presidencial falando em algo como “os próximos oito anos”. Este é o ponto fraco de trump. Grab us by the pussy.

Em suma, qualquer aparência de normalidade tem de ser rapidamente afastada. E todos sabemos que o ser humano tem essa insalubre tendência de se moldar à máquina.

O trump é um buraco negro, que ganhou as eleições a chupar “pecados”. Deu-se uma espécie de identificação. Este gajo é como eu, racista, xenófobo, misógino, um verdadeiro filho-da-puta. Como eu. Vou votar nele, que é tal como eu. E voto em mim. E assim me legitimo. E assim me confesso! Eu sou igual a vós, rednecks; disse trump. E rico, coisa que está ao vosso alcance.

“Grab ‘em by the pussy”. Mas não foram apenas os brancos sulistas conservadores a votar nele.

Foi essa mensagem. E é essa a realidade. Não chega uma manifestação no day-after. Terão de ser presentes. Constantes. Em todas as formas e feitios. Nos pormenores e nas abundâncias.

Sabemos o que é trump. O da imagem acima, que goza com o Serge Kovaleski, jornalista do New York Times. O que temos de saber é que quem o rodeia não grita que gosta de as apanhar pela vagina (confesso que nem conhecia o conceito). Não o irá dizer, por mais que o faça. E nem o spicer nem ninguem desta infame administração falará ou “imitará” de novo em Kovaleski.

trump não é normal, nada disto é normal, não podemos deixar que nada disto aparente ser normal. Ou atinamos ou isto senta-se no sofá de nossa casa. E explodimos juntos.

É A HISTÓRIA, ESTÚPIDO; trump, a extrema-direita e Fukuyama

donald-trump-melania-trump-lincoln-memorial-inaugural-concert-jan-19-2017-getty-420x315Estamos em Outubro de 90.

O muro de Berlim caiu há um ano e Fukuyama decretou “o fim da história”.

Esquecendo-se da História, de seus caminhos e atalhos e, acima de tudo de que o homem nunca cessará de ser o seu lobo, Fukuyama, num artigo não tão definitivo como alguns o interpretaram (sempre me soou a uma espécie de connundrum propositado), anuncia uma espécie de statu quo definitivo para a humanidade. Basicamente, a roda histórica tinha terminado de rolar. Havíamos chegado a uma espécie de ejaculação democrática sem orgasmo. Depois, lança um último parágrafo que aparece como um paradoxo, tendo em conta o resto do artigo. Li-o centenas de vezes. Depois cansei-me e acabei por o classificar (ao autor) como um mero idiota.

The end of history will be a very sad time. The struggle for recognition, the willingness to risk one’s life for a purely abstract goal, the worldwide ideological struggle that called forth daring, courage, imagination, and idealism, will be replaced by economic calculation, the endless solving of technical problems, environmental concerns, and the satisfaction of sophisticated consumer demands. In the post historical period there will be neither art nor philosophy, just the perpetual care taking of he museum of human history. I can feel in myself, and see in others around me, a powerful nostalgia for the time when history existed. Such nostalgia, in fact, will continue to fuel competition and conflict even in the post historical world for some time to come. Even though I recognize its inevitability, I have the most ambivalent feelings for the civilization that has been created in Europe since 1945, with its north Atlantic and Asian offshoots. Perhaps this very prospect of centuries of boredom at the end of history will serve to get history started once again.

Estamos em Outubro de 90, dizia arriba. Eu entrava para a Faculdade de Direito de Lisboa e daí em diante fui vivendo a minha história tal como a havia desenhado, em parte, e tal como ela me desenhou a mim, na parte de leão. A História tem estas manias. Não se acanha. Não termina.

Portugal já estava na CEE há uns anitos e era o tempo em que “chovia dinheiro”, que o então PM cavaco, não sei se para confirmar ou desmentir Fukuyama, insistia em transformar em betão. Tractores viravam jipes. Cultivava-se e destruía-se, a soldo dos fundos comunitários e consoante a musiquita. Era um fartar vilanagem, e o árbitro era de Boliqueime, nos arrabaldes de Berlim. E eis 1992 e Fukuyama a transformar o artigo num livro, a cujo título acrescentou “…e o último homem”. E Isto daria uma conversa farta, que não cabe aqui.

E eu lá ia construindo o futuro, sem grandes dilemas. Sem grandes dificuldades, também. Bastava-me trabalhar e não pedir favores. Cheguei à Advocacia e, mais tarde, já após o virar do século, à Universidade da Beira Interior. Sempre interrogando mais do que exclamando. Reconheço daqui que a minha acção política andava ali, ao virar do século, pelo menos que zero.

Um dia acordei e decretei o inicio da História. Tudo cheirava a podre, naquela história aparentemente estagnada. A factura tinha de chegar. Melhor, a factura já começava a chegar. Melhor ainda, a factura nunca havia cessado de chegar.

E o homem nunca havia vestido as vestes de mero conservador do seu próprio museu, ao contrário do mundo insosso que Fukuyama havia previsto. A Democracia mostrava cada vez mais as suas fracturas, por onde entravam bichos que já começavam a fazer peito. E nem de longe nem de perto o western way of life se havia globalizado. Adiante.

Hoje é “o futuro”. Amanhã, a antítese do ideal democrático (não o de Fukuyama) chega ao poder e trump será presidente do “país-norma”, entre suspeições de ser uma espécie de Manchurian Candidate alimentado por putin (é-me indiferente). O que é óbvio é que assim que o baby-man tiver poder efectivo, com todas as suas birras e complexos de inferioridade, o mundo muda em menos de um twitt.

Depois de amanhã, começa manifestação de poder da extrema-direita. Em Koblenz, na Alemanha, le pen (França), hofer (Áustria), salvini (Itália), petry (Alemanha), wilders (Holanda) encabeçarão uma cimeira de fascistas que contará com cerca de mil representantes, vindos de todo o mundo. Os ideais são os que se sabem: racismo, xenofobia, misoginia, nacionalismos extremados, apartheids de todo o género. Um mundo cheio de muros, portanto (tema por onde não me alongarei aqui).

Amanhã será o inicio meramente simbólico de algo que já é real. E o “ideal” prognosticado por Fukuyama (já distópico que baste) leva com uma injecção de todos os romances distópicos e mais um; hoje e agora. A História nunca acabará, ainda que o mundo esteja reduzido a dois seres humanos sempre haverá motivos; por baixo da gravata cultural somos animais e aquela banana é minha.

Amanhã é o fim oficial de 1789 e 1989. Sempre provisório, este fim, que entre a tomada da Bastilha e a queda do muro do Berlim mediaram exactamente dois séculos. E tanta historia rolou. E tanta história “acabou”. E tanta História se fará – assim haja quem lute por ela (os fachos estão a fazer a parte deles).

A história, insisto, não acabou e não acabará nunca. A morte das ideologias foi obviamente uma declaração exagerada, um pouco como a de Mark Twain. Um obituário prematuro, basta atentar neste hoje, com trumps no poder. Não que trump seja um ideólogo, o homem apenas grunhe o grunhir de metade dos eua, como uma espécie de buraco negro. Mas enquanto a Democracia descansava, a extrema direita europeia cavalgava uma ideologia.

E onde quero eu chegar? Na verdade, nem eu sei. Não ouso prever o futuro, limito-me a lutar contra este futuro-presente a que, por indolência, nos entregámos. E não sou inocente, que também eu me entreguei durante demasiados anos ao sofá. Na verdade, ninguém o é.

Podia continuar e continuar. Dizer que vem aí mais do mesmo. A cimeira dos fachos, de que falei acima, não será relatada senão por fachos (o Spiegel, por exemplo, não terá lá lugar). trump já acabou com os jornalistas na Casa Branca. Bias, they say. E habituem-se a um nome. Breitbart (será o jornal oficial do trumpismo e começa a ganhar raízes pela Europa). Há aqui uma suprema ironia, no que toca aos media – instrumento predilecto da sua negação –, que também o jornalismo “acabou” – com valorosas excepções, houve fake news para todo o lado (mas isso fica para um texto “dedicado”). E amanhã haverá mais, basta comprar qualquer jornal.

Antes de terminar este texto, que não farei por estruturar, faço uma espécie de “e se?”. Se o Joe Biden se tivesse candidatado, se a Hillary não tivesse manipulado as primárias democratas e o Sanders tivesse vencido? Se o partido republicano não se tivesse entregue ao tea party? Diz que trump entra com 60% de desaprovação, Obama sai com 60% de aprovação. Que momento lindo, que vale a ponta de um corno. E se o meu carro tivesse duas rodas era uma bicicleta. Se as sondagens fossem sondagens seriam sondagens. Se o jornalismo fosse jornalismo seria jornalismo.

Sim, há culpados. Há que os apontar a dedo. E eu começo para virar o indicador para mim. Fiz pouco ou nada (enquanto persistirmos na ideia de que não mudamos o mundo, o mundo não muda). Mas há culpados bem maiores, que fizeram tudo. Adiante, por ora.

Aqueles fachos que acima nomeei ganharão eleições, assim como o inefável trump as ganhou. Eles ganharam e ganharão “pela via dos procedimentos democráticos”. E acabarão com a Democracia logo de seguida. Já vimos isto antes. Mas não vou descrer da única forma de sermos todos iguais, nem vou lutar por uma Democracia autoritária, sob pena de um paradoxo. Sob pena de entrar em negação.

A nossa Constituição, assim como a alemã são as mais rígidas, no que respeita a estes atropelos (não por mero acaso, basta atentar na história). A Democracia não deve nem tem de se exercer como uma utopia. Somos todos iguais dentro dela, mas nem por isso temos de permitir que entre nela quem se assume contra ela. E não acho que tenha entrado em negação.

Mas como pode um regime democrático lutar com a estupidificação dos povos que mamam reality shows e se intoxicam com a desinformação dos correios da manha dessa europa e desse mundo afora? Não sei dar uma resposta global. Sei que começa no berço (não o de ouro) e continua em casa. Censurar é caminho sem saída. E, mais uma vez, não acho que tenha entrado em negação.

Lamentavelmente vamos ter oportunidade de sentir na pele todo o avesso da liberdade. De voltar a experimentar toda essa “segurança”, que se resume a muros erguidos em redor de cada um.

Ou a velocidade dos tempos ditará uma espécie de distopia real e permanente, como a que se inaugura amanhã. E nunca mais saímos dela. Ou então, e isso depende de nós, ditará um querer-poder falar em Liberdade rápido-rápido. Porque, não se iludam, os próximos dois anos serão de obscurantismo. Ou os próximos duzentos.

Sou pessimista ou realista ou o optimista ou o copo tem apenas água, sem que interesse filosofar sobre se está meio-cheio ou meio vazio.

E cedo ou tarde a História dará a volta. Empurrada pelos homens e mulheres de bem. Contribuirei para que a velocidade de XXI dê para que as trevas que amanhã se inauguram depressa se entrevem. No entretanto, liberdades serão decapitadas. E um tostão é um tostão e diz’que cada homem tem o seu preço. Em breve, em meses, quem se entregou ao tacho perceberá.

A censura deixará de ser regrada, como era no “neo-liberalismo” que antecedeu e permitiu este amanhã que não canta (a aparência de liberdade dava jeito, funcionava tipo panela de pressão). Será sem peias, sem ponta de vergonha; e basta atentar na pós-verdade que trump personifica. Todos os avençados (quem assim se devote) serão incluídos nesta nova era, qual kapos. Em que se pode, no mesmo dia, defender “isto” e o seu contrário. E não passa nada.

Termino asinha. Imaginavam um trump eleito? Um presidente que comunica via twitter? Pois aí o temos. E, por vontade dele e dos fachos acima ditos, a Liberdade acaba amanhã. A História dos homens no Planeta garante-me que não exagero. Se com hitler tudo começou numa cervejaria, passe o exagero, com trump y sus muchachos tudo começou num quiosque de fast-food.

Estamos em Janeiro de 2017.

PS: voltarei ao facebook, por um misto de curiosidade e porque devo.