Make America Divided Again

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Começo com uma estória e adiante falarei de História. A nomeação de jeff sessions como “Attorney General” estava a ser questionada por Elizabeth Warren (esta nomeação equivale a ter hermann göring como juiz e acusador nos Julgamentos de Nuremberga). E eis que aconteceu o que podem ver neste vídeo. Warren foi “democraticamente” silenciada. Diga-se que a regra invocada não se aplica ao gop, mas apenas a Elizabeth Warren (que, já agora, foi das, dos que mais lutou contra esta distopia feita realidade – o Pedro Mexia, por quem tenho imenso respeito, esqueceu-se ontem, no Expresso, de a referir, assim como ao Sanders, assim como… e podia estar aqui o resto da noite “naming names non-gop”). Adiante.

jeff sessions e stephen bannon (ex-director do breitbart news, “jornal” onde trump vai buscar as suas “non-fake news”) são os principais conselheiros de trump, ambos da alt-right, espécie de liriquismo moderno para fascismo antigo. Ambos – tudo ao limite e assumidamente – são racistas, xenófobos, misóginos, anti-islão (nada a ver com terrorismo), anti-semitas (true story – e isto explica a relação-montanha-russa de trump com Israel) e contra tudo o que nos aproxime de Ser Humano.

Numa palavra, adaptada a XXI, são fascistas – uso a palavra não como quem diz “ó facho”, mas pelas patentes e assumidas semelhanças, de bannon e sessions, com o ideal proto-fascista.

A onda que por aí corre (raposos, rangel, jmtavares, etc, à cabeça – triste o país que tem tais cronistas como ideólogos de direita), assente em investidas googlianas e wikipedianas, que pretende “exorcizar” (dizer “é mentira!”) o fascismo destes eua, devia tentar ao menos disfarçar as fontes. E começar a acreditar que os comunas (para eles toda a esquerda é comuna) não comem criancinhas. Para tentarmos avançar para um conceito, temos de nos livrar dos pré-conceitos; começar por baixar os níveis do complexo de inferioridade (o mesmo de que trump padece) é um bom princípio e um Princípio sine qua non – essa cena de a esquerda se julgar superior está nas cabecinhas de quem disso padece (não confundam a burguesa câncio com esquerda, e parem com essa guerrinha de o meu clube lx é melhor do que o teu clube lx). Perguntem ao Mexia se tem pachorra para vos dar aulas ou assim. O Pacheco Pereira por certo não terá. Adiante.

Ontem, Elizabeth Warren foi censurada. Não há outra palavra. Agora façamos um exercício, ainda a meio da terceira semana do trumpismo. Se Warren foi silenciada, se ainda nem três semanas se completaram, imaginem o que aí vem.

Li há pouco a crónica do Ricardo Costa, no Expresso. Basicamente “defende” (e como o percebo) que esta coisa deve resolver-se em eleições. Nada de rebuliços, ou a coisa agrava-se. Percebo, compreendo, mas discordo. A Democracia não se esgota no voto, a acção dos eleitos e a eventual resistência a essa acção são as cenas dos capítulos seguintes. E também isso é parte da Democracia (aconselho a leitura deste artigo do Pacheco Pereira). No que nos toca, temos essa ideia consagrada no artigo 21.º da nossa Constituição.

A guerra civil terá tido vencedores, mas não teve vencidos. Nem, e esta é a pedra de toque, convencidos. E há que não esquecer que falamos dum país que não completou três séculos, e quer bannon quer sessions terão memórias, em forma de historinhas dos confederados bisavós, contadas à volta da lareira, enquanto se juravam vinganças.

E eis que chegou o dia.  trump é uma marioneta nas mãos de bannon & sessions.  E ambos são inteligentes o suficiente para lhe passar a ideia que ele está no comando. No que releva, eles comandam.

Em suma: os eua estão a viver uma crise de adolescência, o federalismo estado-unidense está em agonia. E a secessão parece inevitável. Não vale a pena empurrar com a barriga. Foi esta “união” forçada que conduziu o mundo a este estado de sítio. As cedências, os pontos de equilíbrio nunca foram entre “republicanos” e “democratas”. Mas entre representantes de Estados dentro de um Estado parasita e parasitado. A guerra civil nunca acabou e ganhou asas quando trump foi eleito. E obviamente o fascismo vai cavalgar trump. Basta afagar-lhe o ego. Finalmente estão juntas a fome e a vontade de comer. “Grab us [and u.s.] by the pussy!” And roll the dice.  

Há um ano atrás, ninguém imaginava este “hoje”. Só um louco arriscaria tal previsão. Um tipo habitua-se a ver o muro sempre da mesma cor. Pintam-no, e o mesmo indivíduo rapidamente se adapta. As pontes dos eua não têm cor, desde logo porque carecem de substância. Os muros, estes em concreto, são perenes. A esta velocidade, não imagino como se fará, como acontecerá. Mas o país que nunca o foi está dividido em tudo.

O resto do mundo pagará o preço da crença no Império Made in USA. Mas mais vale isto do que este torpor, que chove e molha. bannon e sessions são quem manda; sucede que nem todos os Estados baixarão a cabeça. E não pensem que a modernidade de XXI nos afastará do que aí vem. Leiam Bauman, e verão da liquidez dos nossos tempos.

Warren e bannon vivem em países diferentes. E a realidade tende a impor-se (a História tem destas manias), sem olhar ao século. Esqueçam o make america great again e o america first. A realidade assemelha-se mais a make america divided again e a california first. Colocar “século XXI” à frente de qualquer análise dos tempos que correm equivale a tentar diminuir o areal da Figueira da Foz à força de baldes de água com sal. Império algum assumiu o seu fim. Todos os tempos “imperiais” se anunciaram como o fim da história.

O último certificado de óbito da História foi passado por Fukuyama, após a queda do muro de Berlim. Cedo piaste. A História dos homens no Planeta terá um fim quando ele rebentar connosco ou nós com ele. Até lá, o circo vai continuar.

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