A ORIENTAÇÃO SEXUAL COMO CIRCO-RELIGIÃO, “o football-they-say”, o circo-gayzola e a homofobia às avessas

Ontem estive a ver (e a ler) um pouco daquela espécie de luta livre estado-unidense. O tal de “football-they-say” (uma espécie de Fight Club que se joga com uma cena oval mas que sem isso jogava-se igual – com um par de meias ou assim), que tem pouco de foot e nada de ball (a ball é redonda).

A luta — luta! — era entre a equipa apoiada pelo trump (New England Patriots) e os Atlanta Falcons. Resultou como nas sondagens, tal como em Novembro. Depois de os Falcões (uma espécie de Rio Ave lá do sítio) estarem a aviar os patriotas (uma espécie de FCP dos tempos de Mourinho, munidos por uma espécie de Ronaldo) por 28-3, estes deram a volta e venceram por KO.

Mas não era disso que queria falar.

A meio da pancadaria entrou a Lady Gaga, e no twitter havia orgasmos (literalmente) em directo (literalmente). De homens, essencialmente; mas não por isso que pensam, mas por isto que li e que reproduz a ideia geral de tudo a que a assisti: “Dou graças a Deus por me ter feito gayzola, a Gaga entrou, dronou e aiiiii se atirou do téeeeto”.

Depois, há a cena dos anúncios publicitários. Quem bate em trump, quem não bate em trump. Não são anúncios, mas produções cinematográficas.

Em suma, houve quatro públicos nesta final de porrada estado-unidense.

O pessoal que vai lá pela porrada mesmo (o sítio onde a dás e onde te atiras para o chão vale pontos);

A malta que gosta da Lady Gaga, que percebi ser um ídolo dos “gayzolas” (acho que é bicha, em português – não é bem gay, é mais andar de dildo enfiado no cu o dia todo — li um dizendo, perdão, um que que dizia que “Deus é Gaga e estou de dedo do cu por deiz ano”);

A gente que aguarda os anúncios publicitários, como quem procura a solução para todos os problemas.

E depois “há eu” (ontem o pt-br me esclerosou), o quarto público (não ouso dizer o resto do mundo, que não fui mandatado), que se limitou a observar.

Mas também não era disso que queria falar.

Era do Mark Eitzel e da minha desadequação a este “Brave New World”. O Homem canta que se desunha. As letras são letras mesmo, palavras e frases. Uma composição. E eis que, chamam-lhe “the queer heir of Leonard Cohen”.

Ainda atinjo as semelhanças vocais [a custo], e até das letras [a custo]. Mas queer? Tipo, a versão bichona? Que raio me interessa a orientação sexual do homem? Desde que a possa exercer em paz e que não seja rotulado ou idolatrado por isso. E, acima de tudo, desde que não se defina ou o definam por gostar de pénis ou de vagina.

Eu não entro no quarto de ninguém, respeito e aceito as orientações sexuais de cada um. Lutei e lutarei pela igualdade. Não me invadam o quarto e não tentem saltar-me para a espinha (ainda que somente mental).

Não me apresento a ninguém como “Rogério, heterossexual”. A “tal” da igualdade implica que bicha (nada a ver com homossexual) não seja cognome de gente. Não me reduzo à minha orientação sexual. Não me ponho aos saltos cada vez que vejo uma mulher. E mais estranho seria que o fizesse quando visse um homem a saltar dum telhado dum campo de bola que não é bem uma bola.

Essas cenas abichanadas nada têm a ver com orientação sexual. Pior, conduzem a uma espécie de retrocesso. Quem é homossexual e leva com a homofobia dos indigentes mentais que vêem nisso uma doença, paga não só o preço dessa homofobia mas também, e é aqui que quero chegar, da atitude deste tipo de circo-gayzola, que insiste em dizer ao mundo o quão bom é levar no cu. A orientação sexual feita propaganda resulta em tiros nos pés de quem apenas quer ser feliz e poder estar e viver em paz. Homem com homem, mulher com mulher. Mulher com homem, já agora.

E, já agora, tentem não ser heterofóbicos. Dava-me um certo jeito poder viver em paz, porque só assim poderei contribuir para que quem tem uma orientação sexual diversa da minha o possa fazer também. Viver em paz. Fazer da orientação sexual uma religião é contraproducente.

E, nesta estranha corrida por este estuporado apartheid, as “bichas” estão a par com a homofobia. Acaso não se lembrarão do quão difícil foi lutar para que pudessem sair do armário. E de quem lutou para que tal acontecesse. Não foi com plumas e com dildos rabo acima.

E isto é que verdadeiramente me lixa; é que ainda é difícil para muitos, e mais difícil fica com essa espécie de homofobia às avessas.

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