novas da trika-troika e do diabo

Última hora: no próximo Domingo marques mendes vai abordar o tema “Centeno enviou a domingues um whatsapp-vídeo onde se pode ver o Ministro a fazer um pirete à frente de uma declaração de rendimentos”.
Que idade é que esta malta tem, mesmo? Diz-me que política praticas dir-te-ei que tipo de gente és. Qual a relevância política (objectiva!) que esta estorieta tem? Melhor, em face dos resultados apresentados por Centeno no que respeita à gestão da coisa pública, que interesse tem esta treta? E claro que errou, ao ter pensado que não era assim tão importante para um tipo que vem do privado exigir não ter a declaração de rendimentos “publicitada” (confiou que quem não deve não teme).
Mas não, não é suficiente para demitir um Ministro como Centeno (ai é só por isso?; não, não é, mas também não ignoro a mais-valia que este Ministro representa). Diria “temos pena” se vivesse o país como quem vive a bola. Partidarismo e clubismo são sinónimos na essência. E o problema começa aí.
O que realmente mói a trika-troika marques mendes, coelho e cristas são os resultados de Centeno. 
Em suma, a culpa é claramente do défice ter atingidos mínimos históricos e de a ausência de “oposição” ter atingido máximos históricos. E do diabo, também; que não há maneira de chegar. Não deve haver rede no inferno, ou já lhe teriam enviado um sms.

A troika mm-psd-pp, o ZERO da direita e o elogio a Centeno

O diabo não chegou e a oposição, liderada por marques mendes, tem uma única arma de arremesso. A Caixa e o processo “declaramos-os-rendimentos-mas-é-a-porra”. Quem anda com os pés no chão não terá dificuldade em adivinhar o que se passou, mesmo. Nada de relevante. Ordem do dia e pontos marginais à dita.

No que verdadeiramente interessa, Centeno mantém-se intocável e a prova disso é que a dita oposição não larga o osso da Caixa, com a inestimável ajuda dos media tuga. A questão só está de pé porque marques mendes y sus muchachos (psd e pp) não têm mais nada a que se agarrar. E a ironia é que o ataque a Centeno é um elogio a Centeno.

Mas quando o diabo não vem, inventa-se nos detalhes. Há a Política e a politiquinha. Há a gestão da Coisa Pública e há o que a troika mm-psd-pp estão a fazer.

Centeno e Costa foram uns anjinhos, sim; o que nada me surpreende no primeiro e me deixa boquiaberto no segundo. Acaso contaria Costa que a “troika” acima referida ia colocar o país à frente do respectivo umbigo e das avenças que a motivam? Ainda para mais com marques mendes ao leme, que se deve sentir a rondar os dois metros de altitude. Não me enganei, é altitude mesmo, o homem está a ter os seus minutinhos de relevância, empoleirado em cima de uma Caixa.

Deixo um alerta ao Primeiro-Ministro. Quem com ferros mata, com ferros morre. Algo que ele por certo saberá. Assim como sabe que não há ninguém no Governo chamado Marcelo (pensar o contrário pode ser um ferro que mata). E mudo de assunto ou isso. Quanto ao Presidente da República, a razão assente nos factos diz-me que nada há a apontar. Apenas isso. Melhor, a razão assente nos factos que saltam cá para fora. Sem esquecer quem foi Marcelo antes de ser Presidente e querendo muito que esse modus operandi d’antanho não volte e leve a melhor.

O tempo dirá se este não-assunto vira assunto sério. Seria uma lástima que esta troika possível (eles não sobrevivem sem uma) levasse a melhor sobre a República.

Mais uma coisa, se Centeno cair perderemos um bom Ministro. A “troika” desce ainda mais nas sondagens. O Governo e o Presidente, ó ironia, mantêm-se incólumes. Daria para rir se não desse para chorar.

Lá no final, entre anjos e anjinhos, diabos e diabinhos, se acertarão contas. E o assunto Caixa será o que é. Nada. Zero. O zero que é esta direita canhestra.

Make America Divided Again

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Começo com uma estória e adiante falarei de História. A nomeação de jeff sessions como “Attorney General” estava a ser questionada por Elizabeth Warren (esta nomeação equivale a ter hermann göring como juiz e acusador nos Julgamentos de Nuremberga). E eis que aconteceu o que podem ver neste vídeo. Warren foi “democraticamente” silenciada. Diga-se que a regra invocada não se aplica ao gop, mas apenas a Elizabeth Warren (que, já agora, foi das, dos que mais lutou contra esta distopia feita realidade – o Pedro Mexia, por quem tenho imenso respeito, esqueceu-se ontem, no Expresso, de a referir, assim como ao Sanders, assim como… e podia estar aqui o resto da noite “naming names non-gop”). Adiante.

jeff sessions e stephen bannon (ex-director do breitbart news, “jornal” onde trump vai buscar as suas “non-fake news”) são os principais conselheiros de trump, ambos da alt-right, espécie de liriquismo moderno para fascismo antigo. Ambos – tudo ao limite e assumidamente – são racistas, xenófobos, misóginos, anti-islão (nada a ver com terrorismo), anti-semitas (true story – e isto explica a relação-montanha-russa de trump com Israel) e contra tudo o que nos aproxime de Ser Humano.

Numa palavra, adaptada a XXI, são fascistas – uso a palavra não como quem diz “ó facho”, mas pelas patentes e assumidas semelhanças, de bannon e sessions, com o ideal proto-fascista.

A onda que por aí corre (raposos, rangel, jmtavares, etc, à cabeça – triste o país que tem tais cronistas como ideólogos de direita), assente em investidas googlianas e wikipedianas, que pretende “exorcizar” (dizer “é mentira!”) o fascismo destes eua, devia tentar ao menos disfarçar as fontes. E começar a acreditar que os comunas (para eles toda a esquerda é comuna) não comem criancinhas. Para tentarmos avançar para um conceito, temos de nos livrar dos pré-conceitos; começar por baixar os níveis do complexo de inferioridade (o mesmo de que trump padece) é um bom princípio e um Princípio sine qua non – essa cena de a esquerda se julgar superior está nas cabecinhas de quem disso padece (não confundam a burguesa câncio com esquerda, e parem com essa guerrinha de o meu clube lx é melhor do que o teu clube lx). Perguntem ao Mexia se tem pachorra para vos dar aulas ou assim. O Pacheco Pereira por certo não terá. Adiante.

Ontem, Elizabeth Warren foi censurada. Não há outra palavra. Agora façamos um exercício, ainda a meio da terceira semana do trumpismo. Se Warren foi silenciada, se ainda nem três semanas se completaram, imaginem o que aí vem.

Li há pouco a crónica do Ricardo Costa, no Expresso. Basicamente “defende” (e como o percebo) que esta coisa deve resolver-se em eleições. Nada de rebuliços, ou a coisa agrava-se. Percebo, compreendo, mas discordo. A Democracia não se esgota no voto, a acção dos eleitos e a eventual resistência a essa acção são as cenas dos capítulos seguintes. E também isso é parte da Democracia (aconselho a leitura deste artigo do Pacheco Pereira). No que nos toca, temos essa ideia consagrada no artigo 21.º da nossa Constituição.

A guerra civil terá tido vencedores, mas não teve vencidos. Nem, e esta é a pedra de toque, convencidos. E há que não esquecer que falamos dum país que não completou três séculos, e quer bannon quer sessions terão memórias, em forma de historinhas dos confederados bisavós, contadas à volta da lareira, enquanto se juravam vinganças.

E eis que chegou o dia.  trump é uma marioneta nas mãos de bannon & sessions.  E ambos são inteligentes o suficiente para lhe passar a ideia que ele está no comando. No que releva, eles comandam.

Em suma: os eua estão a viver uma crise de adolescência, o federalismo estado-unidense está em agonia. E a secessão parece inevitável. Não vale a pena empurrar com a barriga. Foi esta “união” forçada que conduziu o mundo a este estado de sítio. As cedências, os pontos de equilíbrio nunca foram entre “republicanos” e “democratas”. Mas entre representantes de Estados dentro de um Estado parasita e parasitado. A guerra civil nunca acabou e ganhou asas quando trump foi eleito. E obviamente o fascismo vai cavalgar trump. Basta afagar-lhe o ego. Finalmente estão juntas a fome e a vontade de comer. “Grab us [and u.s.] by the pussy!” And roll the dice.  

Há um ano atrás, ninguém imaginava este “hoje”. Só um louco arriscaria tal previsão. Um tipo habitua-se a ver o muro sempre da mesma cor. Pintam-no, e o mesmo indivíduo rapidamente se adapta. As pontes dos eua não têm cor, desde logo porque carecem de substância. Os muros, estes em concreto, são perenes. A esta velocidade, não imagino como se fará, como acontecerá. Mas o país que nunca o foi está dividido em tudo.

O resto do mundo pagará o preço da crença no Império Made in USA. Mas mais vale isto do que este torpor, que chove e molha. bannon e sessions são quem manda; sucede que nem todos os Estados baixarão a cabeça. E não pensem que a modernidade de XXI nos afastará do que aí vem. Leiam Bauman, e verão da liquidez dos nossos tempos.

Warren e bannon vivem em países diferentes. E a realidade tende a impor-se (a História tem destas manias), sem olhar ao século. Esqueçam o make america great again e o america first. A realidade assemelha-se mais a make america divided again e a california first. Colocar “século XXI” à frente de qualquer análise dos tempos que correm equivale a tentar diminuir o areal da Figueira da Foz à força de baldes de água com sal. Império algum assumiu o seu fim. Todos os tempos “imperiais” se anunciaram como o fim da história.

O último certificado de óbito da História foi passado por Fukuyama, após a queda do muro de Berlim. Cedo piaste. A História dos homens no Planeta terá um fim quando ele rebentar connosco ou nós com ele. Até lá, o circo vai continuar.

A ORIENTAÇÃO SEXUAL COMO CIRCO-RELIGIÃO, “o football-they-say”, o circo-gayzola e a homofobia às avessas

Ontem estive a ver (e a ler) um pouco daquela espécie de luta livre estado-unidense. O tal de “football-they-say” (uma espécie de Fight Club que se joga com uma cena oval mas que sem isso jogava-se igual – com um par de meias ou assim), que tem pouco de foot e nada de ball (a ball é redonda).

A luta — luta! — era entre a equipa apoiada pelo trump (New England Patriots) e os Atlanta Falcons. Resultou como nas sondagens, tal como em Novembro. Depois de os Falcões (uma espécie de Rio Ave lá do sítio) estarem a aviar os patriotas (uma espécie de FCP dos tempos de Mourinho, munidos por uma espécie de Ronaldo) por 28-3, estes deram a volta e venceram por KO.

Mas não era disso que queria falar.

A meio da pancadaria entrou a Lady Gaga, e no twitter havia orgasmos (literalmente) em directo (literalmente). De homens, essencialmente; mas não por isso que pensam, mas por isto que li e que reproduz a ideia geral de tudo a que a assisti: “Dou graças a Deus por me ter feito gayzola, a Gaga entrou, dronou e aiiiii se atirou do téeeeto”.

Depois, há a cena dos anúncios publicitários. Quem bate em trump, quem não bate em trump. Não são anúncios, mas produções cinematográficas.

Em suma, houve quatro públicos nesta final de porrada estado-unidense.

O pessoal que vai lá pela porrada mesmo (o sítio onde a dás e onde te atiras para o chão vale pontos);

A malta que gosta da Lady Gaga, que percebi ser um ídolo dos “gayzolas” (acho que é bicha, em português – não é bem gay, é mais andar de dildo enfiado no cu o dia todo — li um dizendo, perdão, um que que dizia que “Deus é Gaga e estou de dedo do cu por deiz ano”);

A gente que aguarda os anúncios publicitários, como quem procura a solução para todos os problemas.

E depois “há eu” (ontem o pt-br me esclerosou), o quarto público (não ouso dizer o resto do mundo, que não fui mandatado), que se limitou a observar.

Mas também não era disso que queria falar.

Era do Mark Eitzel e da minha desadequação a este “Brave New World”. O Homem canta que se desunha. As letras são letras mesmo, palavras e frases. Uma composição. E eis que, chamam-lhe “the queer heir of Leonard Cohen”.

Ainda atinjo as semelhanças vocais [a custo], e até das letras [a custo]. Mas queer? Tipo, a versão bichona? Que raio me interessa a orientação sexual do homem? Desde que a possa exercer em paz e que não seja rotulado ou idolatrado por isso. E, acima de tudo, desde que não se defina ou o definam por gostar de pénis ou de vagina.

Eu não entro no quarto de ninguém, respeito e aceito as orientações sexuais de cada um. Lutei e lutarei pela igualdade. Não me invadam o quarto e não tentem saltar-me para a espinha (ainda que somente mental).

Não me apresento a ninguém como “Rogério, heterossexual”. A “tal” da igualdade implica que bicha (nada a ver com homossexual) não seja cognome de gente. Não me reduzo à minha orientação sexual. Não me ponho aos saltos cada vez que vejo uma mulher. E mais estranho seria que o fizesse quando visse um homem a saltar dum telhado dum campo de bola que não é bem uma bola.

Essas cenas abichanadas nada têm a ver com orientação sexual. Pior, conduzem a uma espécie de retrocesso. Quem é homossexual e leva com a homofobia dos indigentes mentais que vêem nisso uma doença, paga não só o preço dessa homofobia mas também, e é aqui que quero chegar, da atitude deste tipo de circo-gayzola, que insiste em dizer ao mundo o quão bom é levar no cu. A orientação sexual feita propaganda resulta em tiros nos pés de quem apenas quer ser feliz e poder estar e viver em paz. Homem com homem, mulher com mulher. Mulher com homem, já agora.

E, já agora, tentem não ser heterofóbicos. Dava-me um certo jeito poder viver em paz, porque só assim poderei contribuir para que quem tem uma orientação sexual diversa da minha o possa fazer também. Viver em paz. Fazer da orientação sexual uma religião é contraproducente.

E, nesta estranha corrida por este estuporado apartheid, as “bichas” estão a par com a homofobia. Acaso não se lembrarão do quão difícil foi lutar para que pudessem sair do armário. E de quem lutou para que tal acontecesse. Não foi com plumas e com dildos rabo acima.

E isto é que verdadeiramente me lixa; é que ainda é difícil para muitos, e mais difícil fica com essa espécie de homofobia às avessas.