GRAB US BY THE PUSSY, do trumpismo e de como temos de o levar a sério

deficiente

Após ver a primeira conferência de imprensa do “press secretary” (sean spicer) do trump, fico com uma certeza. O tipo é bem melhor do que qualquer jornalista ali presente. Vendeu uma aparência de normalidade que não podemos comprar (mas a que hoje, in loco, ninguém resistiu – só faltaram as vénias).

O cargo de correspondente na casa branca tem sido, ultimamente (já bem antes de Obama), entregue a jornalistas-relatadores. Porque não passava nada e todos riam. O trabalho sério (houve algum) fazia-se fora da casa branca. É urgente mudar. Ser correspondente na casa branca tem de passar a ser uma espécie de topo de carreira, onde se sentam os melhores. Para que o sean spicer tenha perguntas (e respostas) à altura. Há que afastar aqueles risos de reacção às piadas dele. Hoje foi uma estupidez de educação, de não vamos incomodar o gajo, como se estivessem a lidar com gente normal.

Há que entender a estratégia da pós-verdade trumpiana. Um exemplo. Correu que os jornalistas seriam afastados da casa branca. Ontem, o vp spence sem grandes ondas (apenas enfatizando as palavras) deu as boas-vindas aos jornalistas na casa branca [coloca a correr o boato, depois desmente-o, darás a ideia de uma cedência e terás aplausos]

Estamos em 2017 e esta roda já há muito foi inventada.

Urge lutar contra esta aparência de normalidade, como se se tratasse apenas de mais um presidente. A equipa mediática do trump não é o trump. E, lamento informar, é muito boa, no que toca a branquear… o que houver para branquear.

Os media têm, insisto, de começar por colocar naquela sala os Woodward e Bernstein possíveis. É que há aqui uma diferença, em relação a Watergate. Não basta o jornalismo de investigação. Os correspondentes na casa branca têm de ser, como dizer?… jornalistas. O sean spicer hoje não foi levado em ombros porque não calhou. Os homens do trump não são o trump. E vendem normalidade.

Há que ir preparado para estas conferências de imprensa. Estar preparado implica antever todas as perguntas e responder, perguntando à altura. Estar preparado para ser expulso. E essa será também a notícia (e não falo de fazer caretas). Tal como o ssob (doble-son-of-a-bitch; que ao contrário dá boss) decidirá, quando vir o spicer ser encurralado; trump será sempre trump. E esse é o nosso trunfo.

A administração trump não pode ser tratada como se nada fosse, como uma mera mudança de presidente.Temos de levar isto a sério, mesmo. Eles chegaram onde chegaram porque até ao “inauguration day” os levamos a brincar. Para quem não saiba, e por certo não recolherá tal informação nos jornais tuga, trump deu as boas-vindas ao staff presidencial falando em algo como “os próximos oito anos”. Este é o ponto fraco de trump. Grab us by the pussy.

Em suma, qualquer aparência de normalidade tem de ser rapidamente afastada. E todos sabemos que o ser humano tem essa insalubre tendência de se moldar à máquina.

O trump é um buraco negro, que ganhou as eleições a chupar “pecados”. Deu-se uma espécie de identificação. Este gajo é como eu, racista, xenófobo, misógino, um verdadeiro filho-da-puta. Como eu. Vou votar nele, que é tal como eu. E voto em mim. E assim me legitimo. E assim me confesso! Eu sou igual a vós, rednecks; disse trump. E rico, coisa que está ao vosso alcance.

“Grab ‘em by the pussy”. Mas não foram apenas os brancos sulistas conservadores a votar nele.

Foi essa mensagem. E é essa a realidade. Não chega uma manifestação no day-after. Terão de ser presentes. Constantes. Em todas as formas e feitios. Nos pormenores e nas abundâncias.

Sabemos o que é trump. O da imagem acima, que goza com o Serge Kovaleski, jornalista do New York Times. O que temos de saber é que quem o rodeia não grita que gosta de as apanhar pela vagina (confesso que nem conhecia o conceito). Não o irá dizer, por mais que o faça. E nem o spicer nem ninguem desta infame administração falará ou “imitará” de novo em Kovaleski.

trump não é normal, nada disto é normal, não podemos deixar que nada disto aparente ser normal. Ou atinamos ou isto senta-se no sofá de nossa casa. E explodimos juntos.

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