Marcelo, uns umbigos em forma de Cornucópia – e uns pozinhos de interioridade

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A ida do Presidente da República à Cornucópia, tal como foi (em que forçou um Ministro a alterar a agenda, para poder criar uma não-notícia, com uma reunião aberta aos media que obviamente daria em nada), recordou-me a pior das facetas do Marcelo-comentador.

O Ministro da Cultura esteve bem, ao ouvir e calar (chama-se sentido de Estado), o Cintra fez o que tinha de fazer (Está cansado? Também eu!). O que o PR fez não se faz. Não foi uma tentativa de mediação, longe disso.

Mediações profícuas não se fazem de surpresa e muito menos à porta aberta, com o PR a servir de moderador entre partes que quis mostrar desavindas (e a desavença não é imputável a este Governo, nem tampouco à relação deste Governo com a Cornucópia). Péssimo. O que vi foi demasiado mau. Teve demasiado daquele Marcelo em quem não votei. Fica o alerta. Para mim (que vi o que vi) e, espero, para o PR.

E já nem falo da forma como a separação de poderes foi pontapeada (falei). Caramba, não se obriga (obriga!) um Ministro a ir a uma reunião onde havia nada para discutir — à porta aberta nada se discute. Se Marcelo quisesse realmente a Cornucópia aberta (e não duvido disso; mas aqui o umbigo falou mais alto), teve muito tempo para marcar e mediar reuniões.

Não é à última da hora, no último dos dias que se faz este espectáculo de comadre casamenteira. É a primeira vez que aponto o dedo ao PR, tal como me prometi — e publicamente o fiz, em debate pós-eleitoral na UBI –, que só faria se o caso fosse realmente grave. Foi realmente grave. Ao olhar o que foi, antecipo o que será, esperando que não seja.

E não haja dúvidas, MRS quis um “happening” em seu proveito. Teve-o. Ele sabe que o que fez não impediria o fim da Cornucópia.

E asinha termino. O problema da Cornucópia resolvia-se de forma simples. Sem estatuto de excepção, mas com um estatuto substantivo que lhe desse essa excepção (coisa arredia ao neoliberalismo e, pela pressa de fechar, ao Luís Miguel Cintra).

Os bancos insolventes resolvem-se à custa do erário público. E nós pagamos. Obrigados e a contragosto. Pudesse eu, tivesse eu a oportunidade de ajudar a manter a Cornucópia. E eu pagava. A gosto.

Só mais uma cena, Luís Miguel Cintra. Está cansado? Também eu! Vivo na província, sem direito a excepção, nem a presidentes de última hora. Mas concedo em a Cornucópia ser a Cornucópia. Pena que não haja mais. Pena que a Cornucópia acabe. Lamentável o espectáculo proporcionado pelo Marcelo.

Pena que para a interioridade não se discutam excepções. Mas, ainda assim, não peço a ninguém que meta a Cornucópia no cu. Apesar de o interior viver num sítio muito apertadinho.

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