A indústria do fogo & os homens-fósforo

match-4Ano após ano, uma questão me assombra. Depois de tantos anos a arder, haverá ainda algo para arder, em Portugal? E cada ano me responde que sim. Que há e haverá sempre mais. No que toca a fogos somos do tamanho da Austrália. Até que Portugal seja uma cinza.

Nessa altura, estarei atento a quem oferece mundos e fundos para a reflorestação. Aliás, não me cabe a mim esse papel. Ponham a PJ no terreno. Antes, não quando tudo se resumir a um país onde restam pinheiros de natal comprados no chinês.

Mas não quero mesmo chegar aí. Queria mesmo era um módico de decência.

É demasiado óbvio quem alimenta esta indústria. O combate aos incêndios não pode caber aos privados. Isso é tarefa do Estado. Vendam a porra dos submarinos (ou espetem com eles no telhado de quem os negociou-ai-se-negociou) e comprem aviões, helicópteros, qualquer coisa que mande água dos céus. Fogo nas ilhas, fogo no continente? Água do mar em cima (leiam a merda das dezenas de estudos que existem sobre utilização de água salgada). Dêem meios aos Bombeiros (e, já agora, paguem-lhes em conformidade — e não estou insinuar que eles não dão tudo, porque sei que dão –, que os heróis também comem), ponham o exército a fazer os rescaldos, Reinventem os guardas-florestais.

Esta merda repete-se ano, após ano. Acima de tudo, não sejamos ingénuos. A indústria do fogo alimenta muitos filhos-da-puta. E insisto, a luta começa no Inverno. E dura 365 dias. Aumentar as penas para os incendiários (e falo daqueles que vão lá mandar o fósforo) nem placebo é. A maior parte deles estão a soldo dos privados que ganham com isto. Os malucos-pirómanos, esses, controlam-se facilmente. Parem de ver fantasmas e comecem a ver a realidade. Doutra forma serão cúmplices.

Querem ser um Governo diferente? Sejam-no! E percebam de uma vez por todas que o terrorismo tem máscaras várias. Esta é mais uma. Estupidamente, agora parece que terror é marca registada do daesh.

Uma adenda: obviamente, se visse um qualquer estupor a pegar fogo a uma floresta faria exactamente isso que pensam. Não vamos chegar a esse ponto, pode ser? Não é por mim. É porque sei quanto vale um pinheiro vivo, e sei o que é ver centenas de pinheiros a arder. Falo de gente, porra. Falo de um país: um país que por este andar daqui a dez anos terá de ir a Espanha para ver uma árvore viva.  Mais uma coisa, bem sei que a CEE/UE nos ajudou a ter meios para não ter de pedir ajuda à Rússia ou a Marrocos. O infame cavaco, que apesar de seco não arde, foi, por acção e omissão, cúmplice do é-fartar-vilanagem dos anos 80 e 90 do século passado. Em que um tractor se transformava em jipe. Ainda assim, nada desculpa a inacção desta fajuta “federação”.

[googlei a imagem, não sei quem é o autor]

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