Bem-hajas, Mr. Barack Hussein Obama

Sim, vamos ter saudades do Obama.

O melhor orador do século XXI. Impossível não ficar pregado ao ecrã, impossível não beber cada palavra. Teve dois mandatos muito complicados, com uma maioria “republicana” a impedir cada tentativa de avanço progressista.

Sim, vamos ter saudades do Obama.

Tendo em conta as circunstâncias, foi “o” líder. Superou-se e ajudou a que a loucura que corrói este mundo não fosse ainda mais fundo. Se era possível estarmos pior? O último presidente republicano, filho do antepenúltimo, está aí para o provar.

Sim, vamos ter saudades do Obama.

Com Obama, o infame Barroso não teria sido presidente da Comissão Europeia, como pagamento pelas mordomias dos Açores. Não estaria agora a vender o know-how ao goldman sachs, espécie de máfia com licença para matar.

Estes oito anos foram horríveis; mas sem Obama não sei se haveria sequer um mundo para discutir. Sim, vamos ter saudades do Obama. 

Se podia ter feito mais? Podia, sim. Não fosse o caso de estarmos a falar de um país que navega em piloto automático, com agências e contra-agências e contra-contra-agências. Um país cheio de si, como se nada mais houvesse. Como se tudo valesse. Obama conseguiu impedir o “é-fartar-vilanagem” total. Imaginem se fosse um “republicano”.

Quantos mais Iraques teria havido? 

Lidamos hoje com um dos bastardos dessa invasão. O daesh existe porque w bush existiu (razão em versão minimalista; mas a essência é esta). Os filhos dessa invasão (ilegítima, tal como a ONU então a declarou, ao não lhe dar o aval e hoje é consabido) são hoje os prontos-a-matar-e-morrer que nos invadem o existir.

Herdeiro da invasão do Iraque, irmão gémeo do daesh, temos hoje o donald, que disputará as eleições de Novembro (parece mentira, um sonho mau), assente na antinomia dos valores democráticos e republicanos (de res publica, não de partido). 

Estamos dependentes de uma segunda emenda do tempo dos cowboys, e de quem a apoia, nestoutro tempo de cowboys. O donald não passa de um buraco negro, que chama a si todo o mal. Não é carisma. É apenas um vigarista que usa como trunfo o facto de ser vigarista.

E as armas à cintura aplaudem. E votam. Votam nele, porque o olham como um espelho. O antidepressivo das gentes que não o são e que o olham e pensam: “arre, afinal sou normal”. Não, não és. Usas arma à cintura e votas num ser que te diz o que queres ouvir. Votas em ti. Um racista-misógino-xenófobo, cor de cenoura. Votas na representação do Ser Humano que não és. Votas num gajo que te usa como pastilha elástica, uma existência com complexos de inferioridade. Como os teus. Que se construiu (disfemismo) a enganar, a trapacear, a atropelar. Votas no teu reflexo.

Estamos a falar de um país que não o é, exactamente. São várias nações dentro duma federação fajuta. Um país de fraldas, com birras de chupeta que caiu ao chão. Mas que, nos melhores dias, vira Peter Pan. E faz magia. Precisa é de mais uns séculos, porque isto não vai lá com anos, para crescer.

Em Novembro, o “adulto” que argumenta [que berra] “believe me” não será o educador desta “infância” [exagero retórico]. O donald é a projeção do lixo americano. Do lixo de todos nós. Freud explicaria e qualquer sociedade saudável o internaria.  

E não será suficiente perder por pouco. Há que matar o bicho de forma estrondosa. Para que, com outra aparência, não nos calhe de novo. Ou este Planeta muda de nome. Segundos antes de explodir ou implodir. trump tower, trump steak, trump sex (credo)… trump wall, planet trump. 

Bem-hajas, Obama. Gosto do “teu” país. O teu “país” é também o meu. Sou da tua cor e da minha. Sou cigano, sou preto, sou branco, sou amarelo, sou vermelho, sou azul às bolinhas amarelas; sou muçulmano, cristão, ateu, budista. Faço por ser Gente. E respeitar as Gentes.

E sei distinguir uma Mulher ou um Homem de um verme.

O verme vai a votos, Barack. E chama-te Barack como se ser Barack fosse um insulto. Barack Hussein Obama, inventa lá uma forma de te manter activo. Sei que o pedido é quase insultuoso; assim como o donald é verme, tu és Homem. E não te imagino num sofá, a ver a revolução pela televisão.

Quanto à Hillary… In my dreams (que interessa essa porra)… Ainda assim, nos meus sonhos seria o Bernie Sanders ou a Elizabeth Warren. Assim não foi. Que seja essa Mulher que me garantes ser melhor do que tu. Hillary Clinton.

Seja lá como for, Obama… foste e serás “The Dude”. Nunca lerás esta coisa, mas bem-hajas de novo. E nem ouses desaparecer. I know people…

Thank You, Mr. President. Não do meu país, mas do país que – raio de sorte a tua/nossa -, ainda vai parindo trumps e se mantém refém da puta da segunda emenda, que permite que cada arma ande de homem enfiado no coldre.

Obama in!  Keep on slow-jaming the news.

Quase me esquecia, pá. Sabes onde podes meter o Trans-Pacific Partnership (TPP)? Pois… Não podiam ser só miminhos. E o TPP é um atentado, pá. O que dizes no vídeo? Tretas made in usa (e vou ser meiguinho e remeter para o Sanders). Desejo francamente que não fique como teu legado. Mereces bem mais.

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