“Eu sou angolano!” – A tortura da Catana em Angola

“Eu sou angolano!” grita repetidamente o garimpeiro, chorando de dor enquanto um guarda o espanca com uma catana

Escrevo estas palavras ao som de gritos de dor de homens (e de riso de “hienas”), com o vídeo partilhado pelo Maka Angola, do Rafael Marques, a correr em fundo. Coragem não é partilhar, coragem é viver em Angola e lutar contra este regime cleptocrático e assassino. Outro tipo de “coragem” é o que assola grande parte do jornalismo tuga. As imagens que podem ver no vídeo foram captadas a 21 de Abril passado. Como disse, outro tipo de “coragem” é o que assola grande parte do jornalismo tuga. Quantos jornais isto abriu? É preciso “coragem” para tanto ver e nada fazer. O diamante fala mais alto!  E nem pensem que este é o primeiro dos vídeos, o que tudo resolverá. Portugal mantém-se cúmplice. Há décadas a mamar ao mais alto nível. Ao preço da catanada.

Vejam o vídeo.

Não, não vai ser fácil deitar a cabeça na almofada e dormir, garanto. Mas, francamente, que seja por estarmos acordados (!). Nunca pedi, em 14 anos de redes sociais que partilhassem algo. Peço hoje. Partilhem e repartilhem. Para que isto acabe (e isto vai acabar) é necessário que o mundo saiba. E este vídeo, para quem por outras vias não sabia, mostra. Vejam o vídeo e leiam o texto do Maka Angola, que se segue  ao vídeo (para perceberem o contexto). A nosso silêncio é cumplicidade. Já chega de o rei manda, a princesa compra e Portugal faz vénia. Há que acabar com isto. AGORA!

E este Agora! poderá ter várias formas. Por certo nenhuma passa pelo silêncio.  São Charlie Hebdo? Sejam também Angolanos, que há uma catana a cortá-los. Todos os dias, pá! todos os dias! Há demasiados dias…

“Porra! Não existe perdão!”, grita, às gargalhadas, um dos guardas, identificado como Bonifácio, que comanda os espancamentos contra cerca de 10 garimpeiros.

Os guardas das empresas privadas de segurança continuam a espancar violenta e sadicamente os garimpeiros na zona diamantífera de Cafunfo, município do Cuango, província da Lunda-Norte.

om cenas profundamente angustiantes, as imagens foram captadas a 21 de Abril de 2016 na área do Dambi. Em detalhes que não poupam, este vídeo mostra os guardas a usarem catanas para intimidar, bater e cortar homens desarmados sentados no chão.

Implacáveis, os guardas aplicam golpes sucessivos nas palmas das mãos, nas plantas pés e noutras partes do corpo, enquanto as vítimas gritam e uivam de dor.

Os agressores foram identificados como guardas de segurança da empresa de segurança privada Bicuar, que opera sob contrato com a famigerada empresa de exploração de diamantes Sociedade Mineira do Cuango (SMC), uma parceria entre a empresa estatal de diamantes Endiama, a ITM-Mining e a Lumanhe. Na imagem identifica-se um dos guardas, de camisola branca, como sendo o Bonifácio.

A Lumanhe, que tem uma participação de 21% na SMC, é detida pelos principais membros do partido MPLA, em parceria com membros do alto escalão das forças armadas, o que a tornou popularmente conhecida em Angola como “a empresa dos generais”.

As atrocidades por guardas de segurança privada na Lunda-Norte têm sido documentadas ao longo de vários anos e publicadas em vários relatórios sobre os direitos humanos, assim como no livro “Diamantes de Sangue”, escrito por Rafael Marques de Morais.

A Endiama, a sua subsidiária Sodiam e pareceiros lidam directa e diariamente com os “garimpeiros”, comprando todas as pedras que são encontrados pelos prospectores individuais. Actualmente, a Sodiam, em parceria com o casal Isabel dos Santos e Sindika Dokolo, comercializa também esses diamantes adquiridos aos garimpeiros no exterior do país. Com o seu aparente glamour, fazem esquecer que esses garimpeiros são vítimas constantes de tortura, alguns dos quais chegando a morrer, por serem considerados ilegais. Todavia, quando vendem os diamantes ao próprio Estado e seus associados, os diamantes são considerados limpos e legítimos. Só os vendedores se mantêm ilegais e merecedores de tratamento bárbaro e desumano.

A empresa privada Mi-Diamond, propriedade do director-geral da Endiama, Carlos Sumbula, também compra diamantes aos garimpeiros. Queixas enviadas ao procurador-geral da República não têm resultado em quaisquer procedimentos tendentes a acabar com a violência gratuita dos seguranças privados nas Lundas.

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