Onde não falo da Venezuela

Epá, apetecia-me tanto falar da Venezuela. Mas isso implicava um texto longo. Teria de justificar que esquerda e direita não equivalem, respectivamente, a progressistas (não gosto desta palavra) e conservadores (esta faz-me lembrar uma salgadeira). Teria de malhar no pcp, teria de relembrar ao pcp que o Maduro é um ditador, que está bem mais próximo do fascismo do que do passarinho socialista que ele por vezes ouve. Ainda daria por mim a tentar explicar que o pcp, ao defender o biltre do Maduro, está a defender um genocídio.

E seria tão inconveniente; era gajo para dizer que o Maduro estava bem era de cu sentado em Haia, no TPI. Até se podia fazer um colectivo com o pessoal que nos Açores resolveu ir ao Iraque fazer um blitzstorming (mordomo durão incluído).

E acabaria por chamar filho-da-puta ao maduro do Maduro; e dizer “este filho-da-puta”… e depois daria um monte de exemplos. Falaria dum país amordaçado em sangue, onde tu que és mãe e queres uma fralda para o teu filho o tens de levar como prova. Um país onde os militares recolhem os alimentos e os vendem no mercado negro. E o povo morre à fome. Os Hospitais, a não ser que alinhes com o regime, são morgues.

Hospital Venezuelano

Por isso, hoje não escreverei sobre a Venezuela. Ainda acabava a ser chamado de facho, que é merda que me irrita. Teria de explicar que o pcp é um partido ultra-conservador. Que leram o Manifesto Comunista e fizeram dele uma Bíblia (versão primeiro testamento). E acabaria por dizer que pouco distingue essa coisa do Maduro dessa outra coisa do Temer.

Era uma puta duma chatice. Ainda acabava a elencar as vezes em que o pcp votou alinhado com a direita (e depois teria de explicar que nada daquilo é direita).

Enfim, uma trabalheira.

Dito isto, escreverei sobre a Venezuela noutro dia. Até arriscarei um “descubra as diferenças” com Angola. Com a Coreia do Norte. Com o admirável mundo novo de Putin. E falarei de elites. De corrupção.

E terei de falar de Marx, que já parece um pião de tantas voltas que deu na cova. Desejarei um Che a Maduro. Assim bem assente no focinho (tenho ideia que o Ernesto não gostava de fachos).

E, obviamente, terei de me repetir no que respeita ao uncle sam. Já numa de escudo, para quando me chamarem de esquerda coca-cola. E direi que amo os usa. Tanto como uma injecção na testa.

Clockwork'71Fica então combinado para outro dia. Que hoje não tenho pachorra, mesmo porque o Eu, Canhoto faz hoje um ano (o wordpress acabou de me cantar/injectar isso no cérebro e agora fiquei cheio de vontade de dizer bem do trump). Em dia de aniversário, lá iria apagar as velas com tão sórdidos e anti-progressistas sopros?

De cérebro lavadinho me vou, pois.

Adenda: e aquele “facho” do Mujica, que ousou dizer que o progressista Maduro está “louco como uma cabra”? Também deve ser da CIA ou assim…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s