Onde falo DE tudo e DO nada.

Hoje sinto-me cinza. Aquele momento de alguma conquista, depois de muita luta, mas em que olhamos à volta… e vê-se o que se vê. Na hora de relativizar, deparo-me com uma extrema angústia. Vejo, de nó na garganta, um povo de cerviz dobrada. Muita gente cinza. Gente doente de doente e doente de medo.
E o mar é da cor de quem o olha, sim. Um dia escrevi isso. Mas um dia também escrevi, no fim de uma prosa partida, “e uma gravata”; e um rainha-pensatriz acusou-me de ter roubado O’Neill. Nunca roubei ninguém. Nada a ninguém.
E ontem. Ontem, um ser-que-nada-acrescenta disse-me “quem te viu e quem te vê”. E pôs um “Lol” antes, para que não houvesse dúvidas do quanto se achava burro. Fez isto atrás de um monitor, claro.
Sim, mudei. Mas não da forma como ele diz. Talvez tenha mudado no momento em que lhe disse que feio era aquilo. Ainda o Sócrates era PM e já ele (pequenino) co-conspirava para o tacho seguinte. Havia que lutar por um futuro “seguro”. E diz que quem vive entre paredes de alumínio, não se desabitua. Basta entrar uma vez. E parece que não se sai de lá nunca. E, na verdade, já vi muita gente entrar. Nunca vi ninguém sair.
Votei em coisas terríveis, sim. E nunca me perdoarei. E a cada mudança anunciei de onde vinha, até chegar aqui. Ele, ex-deputado de encher bancada, não mudou em nada. E também nada mudou, votando ao ritmo da mola que lhe levantava o cu da bancada. E o que resisti a ligar-lhe. Ou a pegar no carro e ir até onde quer que seja seu novo tacho. Não para lhe bater. Mas para que mo dissesse nos olhos.
Hoje, a minha Estrela não tem cor. E não é pelos “eternamente não-gente” atrás ditos que o digo. A cor lá estará, mas ela é da cor de quem a olha. E hoje não vejo nada; ou então vejo coisas demais. Desde o óbvio feliz, de ver unido quem nunca devia ter estado separado. E de acreditar. Também a crença é nevoeiro, em dias de gente imperfeita.
Devo estar feliz algures em mim (e sei que estou), por tudo. E ainda mais com esta vontade (por que lutei) de contribuir com algo para a “minha” Academia que há que treze anos me acolheu. E, mais do que para com a UBI, “contribuir”, apenas. Apenas contribuir, no sentido pleno e absoluto da palavra, com algo meu. Palpável, por pouco que seja. Nunca me diria, anos atrás a “doutorar” por Angola.
Mas nesta hora, que se adivinhava feliz, parece que tudo se juntou, ficção e real, para (eu) me sentir incapaz (neste segundo) de honrar de tudo aquilo por que lutei. Mas já passa. Este texto ajuda. E sei que não vou desistir. Assumo-me e sorrio-me (hoje não consigo sorrir) imperfeito, e em luta aberta contra tanta perfeição.
Estou apenas cansado como nunca estive. Mas não desisto do que mais me move. Fazer do meu filho um homem melhor do que eu sou. O que quer que isso signifique para quem me lê.
Podia escrever para a gaveta, devia não publicar esta merda. Mas hoje, este dia feliz em bd transformou-se no dia mais… e chega. E vou publicar, redigo. Porque sim.
Oiçam o Chico e façam acontecer. Resistam a provocações e continuem a lutar. Deixou de haver eles e nós. Não podemos contribuir para uma espécie de guerra (civil) fria. Devemos ser todo um povo.
Contra “o medo de existir”, esse medo tão nosso, que o enorme José Gil tão bem desenhou. Eu estou apenas cansado. Nada mais será.
E o nosso mote será unir. Tem de ser. Somos apenas dez milhões. Eternamente dez milhões (e nem estou a descontar com os muitos foram expulsos por esta espécie de fascismo que por quatro anos nos expulsou as gentes). Não nos vamos foder uns aos outros, ou acabamos nós fodidos por nós próprios.
E, não vos quero acinzentar, mas estamos a viver uma III Guerra Mundial. Não convencional, como as outras. Hoje, acordei com um bombardeiro russo a ser abatido pelos Turcos (já escrevi sobre essa ignominia algures lá para trás, neste dia sem fim). E de imediato me lembrei da causa-ignição da Grande Guerra. O assassinato do arquiduque. Espero que a III GG não descambe em IV. Ou a V será à pedrada. E depois, as séries pós-apocalípticas poderão ser vistas ao vivo. Sem pagar mensalidade.
Paródia, não é? Já o foi menos. Creiam no Amor, mas não olhem de alto quem odeia. Ou vamos todos beber água a Marte. Não faltará quem a queira engarrafar, assim como não falta quem nos engarrafou.
Lutar; continuar a lutar. E este texto parece um Canguru, de tanto que salta. Para já, serve-me de placebo.
Devemos aos nossos filhos essa coisa de ousar ser gente.
E a nós, caramba. E a nós. Mas esta merda não está a ser fácil; no que me toca, deixo este texto como prova.

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