Mudou a hora. E eles aguentam; “ai aguentam, aguentam!”

É preciso ter lata. O paf diz-se agora salvador do Estado Social. É de quem não vive neste país e faz do “é verdade”, “muito bem”, “ora aí está”, pateados no Parlamento, o seu argumentário político e ideológico. Não vos peço para irem perguntar de vós aos vossos mortos-matados, gente que já só o é em lápide e em memória.
Foi a troika? Vocês foram os kapos. Não aguentam o vosso “nuremberga”? Não aguentam perder as vossas avenças?
Ai aguentam, aguentam!
A Democracia (e não o vosso dono) assim o exige. Chega da vossa caridadezinha em forma de remendo; cambada de isabeis jonets. Solidariedade não é dar milho aos pobres. Não é ordenar que vivamos de poc’s e de estágios improfícuos.
Amanhã vexas saltarão da cadeira.
Sabem a que se reduz o vosso Estado Social? À crença na Sociedade Civil. À crença na partilha do pão; isso é o vosso Estado Social. Em termos de Advocacia, sabem em que se traduz isso? Em pro bonos uns atrás dos outros. Em oferecer os meus serviços. Em permitir que mos paguem em prestações. E faço-o como Cidadão. Mas não me queixo de ser Advogado, de me cumprir. Faço-o, embora também eu precise de pão (mas eu cá me vou arranjando, sem me vender). O problema, o grande problema, é que toda a gente que eu e os meus Colegas ajudamos não deviam estar dependentes dos nossos Princípios. Ou da ausência vossa deles. De um mero acaso. Toda essa gente não devia ter vergonha de existir. Vocês os obrigaram a algo semelhante.
Sois uma vergonha. E amanhã serão julgados pelo Povo, pelo resultado do voto do Povo. Cambada de miguéis de vasconcelos. Não sereis defenestrados, porém. Apenas mudarão de lugar. Direitinhos para de onde nunca deviam ter saído.

Mais uma coisa, antes de terminar. Não me queixo de quem votou em vós. Mas não se queixem, vocês e o vosso homem em Belém, do meu voto. Não me insultem; não insultem um milhão de votos (BE+PCP). O destino assim as traça, vocês serão tudo menos gente, mas há gente (gente!) que em vós votou. Também com essa boa gente discuto, e saudavelmente discordo. Não há paradoxo disto. Eles me me disseram deles, e eu de mim. Nenhum me insultou e eu não insultei ninguém. Não vou ao ponto de dizer que o meu voto vale mais do que o deles (o cavaco disse isso do meu voto). Creio (creio!, não sei!) que vos olham como o mal menor. Eu não acredito em males menores. O que vos diferencia de muita da gente quem em vós votou é simples. Eles não gostam e temem o que se avizinha, mas respeitam. E aguardam. Vocês (os eleitos) não, vocês salivam raiva. Ódio. Essa é a vossa única ideologia; que nem que marrassem de frente com a direita a reconheceriam. Sois pelo umbigo; pelos números. Nada mais.

E agora aguentarão a Democracia. Não a respeitam. Não a percebem (vide imagem). Mas aguentam. “Ai aguentam, aguentam!” — soa mal, não soa? Pois soa, mas não é frase minha. E será o vosso querido líder em Belém a formalizar essa exigência Democrática (está na Constituição desde 1976). Isto não é uma guerra de umbigos nem de tachos. E, sem ironias, estas palavras vão dedicadas àqueles que em vós votaram, não aos que o fizeram porque faz parte da função de quem vive entre paredes de alumínio; mas aos outros. Gente que apenas teme. Também eu temi. Também eu temo. Também eu não tenho certezas. Também eu sou arrogante ao ponto de ser humilde.

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