O Tribunal do Trabalho da Covilhã vai para… Gettysburg

Tribunal do Trabalho da Covilhã

No dia da Cidade, o executivo covilhanense resolveu homenagear Mário Soares (e não me arremessem com formalismos bacocos quanto à decisão). Nada contra; bem pelo contrário. Afinal, eu próprio o homenageio. Essa não é a questão. No Domingo anterior a este que passou, o Tribunal do Trabalho da Covilhã (hoje uma das singelas secções do trabalho da Comarca de Castelo Branco; agradeçam à Cruz da Justiça com nome de Paula) não aguentou as águas. E por pouco não pariu um incêndio que o devastaria e a todos os processos que acolhe. A água fora de sítio não se dá bem com cabos eléctricos espalhados ao deus-dará. O presidente da cm, segundo ouvi dizer, lá esteve. “A acompanhar os trabalhos”. Que isto de ter que parecer é bem mais importante do que ser.

O “edifício” do Tribunal do Trabalho da Covilhã é algo de indiscritível, mas que a imagem faz por descrever o melhor que pode. E acreditem, mesmo, a dita imagem fica aquém da realidade [desconheço o autor do retrato, mas o que eu poderia ter tirado esta semana em nada seria diferente].

O executivo camarário, entre lutas partidárias intestinas (ps’zinho), e guerras contra o anterior presidente (a quem nem darei aqui muita atenção — o eleito não é ele –, mas que era e é uma espécie de “l’état c’est moi” e também faz por se ir exercendo via umbigo) perdeu-se. E acorre aos tribunais inundados para mostrar que esteve lá. E para mostrar que outro (o que já não é, o que não foi eleito) é que tem a culpa. Não me interessa o outro, nem se o que ora faz (parece que noutras funções) é por vingança, por falta de ser homem ou algo semelhante. Na verdade, conheço tal ser, ao ponto de já ter gasto palavras que cheguem com ele. Pim-pam-pum já é exagero. Mas nada disso desresponsabiliza esta tristeza que o povo, enganado, erradamente pariu.

De volta à vaca fria. No dia seguinte, nada muda. Diz (de “diz o povo”) que as coisas não se mudam num dia. Perguntem ao Paulo Fernandes, presidente da cm do Fundão eleito pelo psd, quanto tempo demoraria a acolher o Tribunal do Trabalho. Penso que antes de a pergunta estar feita já o espaço estava destinado. A nível autárquico pouco interessa a cor, interessam os homens.

Nasci na Covilhã (surpresa!) e ali labuto há vinte anos. Não gostaria de ver o Tribunal no Fundão, em tese e porque sim. Na prática, e já que o “executivo” covilhanense não se assume (mesmo porque não tem como, tamanha a mediocridade), e porque o Poder Judicial é um pilar Democrático que não pode estar sujeito a inundações e (in)consequentes incêndios, espero que decisões de Homens e Mulheres sejam rapidamente tomadas. Não há espaços? Inventem-se! E haverá espaços para acolher o tribunal sem estar dependente de vilezas.

Porque a mediocridade do executivo covilhanense é inconsequente para o Povo, conto em breve ter um julgamento no Tribunal de Trabalho (a criar em menos de um fósforo) no Fundão.

E lamento, acreditem. Não votei na Covilhã, e já por aqui disse que se por lá vivesse o meu voto iria para o Pedro Farromba. E não tenho a menor dúvida que estas palavras não fariam escritas, não seriam ditas, porque o vetusto tribunal já estaria em sítio protegido da água e do fogo.

A Covilhã está prestes a perder o Tribunal do Trabalho. Falta um bocadinho “assim”. Que este post sirva para algo. Que sirva de bombeiro, ao menos.

E espero que de uma vez tenham entendido as linhas que me cosem. Para que não me tentem cozer (coisa que é complicada, que tenho na mão o botão da minha temperatura). Antes dos partidos, dos silêncios comprometidos, das “rixas penianas”, temos a res publica. In casu, se a Covilhã está demasiado entretida em rixas improfícuas e sem mandato, a quinze quilómetros temos o Fundão, onde espaços não faltam.

Gostem ou não de quem o governa (eu gosto, embora não tenha recebido o meu voto), aqui (escrevo do Fundão) não faltarão espaços para o Tribunal de Trabalho. E falo sem ter “falado” com ninguém (não sou pombo-correio). Basta ter assistido a estes últimos anos desde as autárquicas, basta ter olhos. Basta Ser.

Gostaria, repito, que o Tribunal se mantivesse na Covilhã. Mas quem manda nela não faz por isso. A sua obra não passa de mero obrar. De mero aparecer para que se saiba que “o sô presidente esteve cá, aquando do incidente”.

Resta o Fundão. Até da minha garagem, onde só cabe um carro, faria um Tribunal melhor do que este que mal nos acolhe e à Justiça que o Povo pede, que por acaso ainda não se afundou, que por fortuna ainda não se queimou. Não podemos estar dependentes do “e assim o tempo o permita”.

Fazer pela coisa pública é algo que exige muito. Exige tudo. Não é um mero cargo, não é uma nova profissão, entre “jobs for the boys”. Não é um espaço para vinganças servidas quentes ou frias.

Espero ter sido claro. E, também claro, é-me indiferente que não gostem que o meu ser não esteja encarcerado entre paredes de alumínio.

Antes de homenagear quem quer que seja, homenageiem quem vos elegeu. A cada dia. Para isso foram eleitos. E nem ousem desculpar-se com o facto da decisão última ser da tutela. Ou com as vilezas do outro. Seria demasiado ridículo, mesmo para vocês.

E ora termino. Quando faço este tipo de artigos, asinha me chegam recados patetas, pontapeados de tachos de alumínio. Imagino que desta vez me digam que o faço por partidarismo. Afinal, é consabido que o psd é a minha praia. Confesso, sou um aficionado. E por engano votei Bloco de Esquerda nas legislativas. Arre! Sejam decentes, cambada.

“Governo do Povo, Pelo Povo, para o Povo”. Gettysburg é quando e onde os Homens e as Mulheres quiserem.

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