Por Luaty e com Luaty! Juntos somos um; um Homem, uma Mulher; um Povo!

Carta aberta aos Angolanos, Nuno Álvaro Dala Para que a luta de Luaty e seus companheiros não se resuma a um mero percalço na história deste facínora regime angolano (a uma coisa que apenas aconteceu), para que seja o que é, elevada ao que é; um capítulo marcante na História de uma Angola Livre — e para isso é preciso que jes e seus capangas caiam –, é urgente que a também a sociedade civil portuguesa não deixe cair o assunto.

É que assim que os media possam (e podem assim que as redes sociais abandonem o caso), o assunto morre. Faltam 20 dias para o julgamento (se não for adiado, o que também depende da pressão democrática que os homens livres exerçam). Cada dia tem de ser uma notícia. E no que me toca sê-lo-á.

Cada um de nós pode mudar o mundo — Luaty é a prova do que acabei de escrever. Só há um Luaty. Só há um de cada um daqueles quinze mais dois. E também só há um de cada um de nós. Deixo abaixo as palavras de Nuno Álvaro Dala, preso desde 20 de Junho. O crime? Ler um livro.

Nós por cá ainda vamos podendo ler em liberdade; embora seja uma liberdade já condicionada por aquilo que os horários-nobre das televisões nos servem; por aquilo que as parangonas jornalísticas nos dão a ler — a estupidificação do ser, o medo de existir. O nosso silêncio é um abrir alas à vilanagem.

O nosso futuro é o produto da nossa acção (ou omissão). E o nosso futuro são as gerações que se seguem.

Por Luaty e com Luaty, sendo que Luaty é sinónimo de um Povo sem mordaças, sem medo de existir. Juntos somos um; um Homem, uma Mulher; um Povo. E Angola é o Mundo e o Mundo é Angola.

CARTA ABERTA AOS ANGOLANOS

Prezados compatriotas,

São passados mais de 120 dias, isto é, quatro meses desde que, no dia 20 de Junho, fomos detidos na Vila Alice, na sala de aula no instituto Luandense de línguas e informática (ILULA).

Cumpriamos então com mais uma secção de debate no quadro do curso do activismo regido pela filosofia política consubstanciada no livro de “From dictatorship to democracy” (Da ditadura a democracia), de autoria do filósofo e activista Gene Sharp.

Desde o dia da nossa detenção até hoje as acusações transformaram-se diversas vezes (de “preparação do golpe de estado“ a “actos preparatórios de rebelião”…), o isolamento, e a incomunicabilidade, a água bruta imprópria para consumo, a comida de má qualidade, a escuridão das celas, as camas de betão, os mosquitos e outras condições desumanas provocaram-nos diversas doenças, foram e continuam a ser uma terrível prova à nossa integridade ética e à manutenção dos nossos ideais em geral, em prol de uma Angola de todos e para todos.

É um facto que alguns companheiros foram agredidos fisicamente por agentes dos serviços prisionais e outros, tão ciosos que são em cumprir com as “orientações superiores“ que há muito substituíram a constituição e a lei. Mas mantemo-nos firmes.

Ao longo dos anos desenvolvemos um pensamento político e um conjuntos de acções regidos por uma filosofia assente nos valores da dignidade humana, igualdade, justiça social, desenvolvimento, tolerância, angolanidade e reconciliação.

Nossa proposta de PROJECTO POLÍTICO FILOSÓFICO DE NAÇÃO depende, entre outras questões, que Angola deve ser construída por todos, e que a reconciliação nacional deve ser um processo de todos e para todos.

Sabemos muito bem que a ética do mal que rege os agentes do regime também rege, inclusive, o juiz indicado para nos julgar em Novembro, mês em que Angola completará 40 anos de independência. Estamos cientes de que já fomos condenados publicamente pelo regime de José Eduardo dos Santos.

Ainda assim, pedimos a todos os Angolanos de bem para que PERDOEM ESTA GENTE. Os detentores do poder estão cientes de todos os males que perpetraram contra os Angolanos ao longo de 40 anos. É compreensível que vivam permanentemente aflitos e com medo de perderem tudo (inclusive as riquezas que saquearam à nação) e de serem julgados por um povo que sente na carne e no osso os efeitos de uma paz perversa que morde mais que a guerra.

Do presidente da república o último agente da opressão – todos eles precisam de PERDÃO.

Ódio e vingança não são o caminho para o futuro de Angola (uma Angola livre democrática e de bem-estar).

Em alta estima subscrevo-me

Nuno Álvaro Dala com o consenso dos 14 activistas detidos do Hospital prisão de São Paulo.

Luanda, 27 de Outubro de 2015

[o teor da carta e as imagens da dita foram “emprestadas” pela Central Angola 7311; cliquem na imagem para aumentar e ler na fonte]

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