Descansa, meu menino [15.04.12]

Descansa, meu menino. A mamã trata de tudo e vai-te aconchegar à caminha. Não te preocupes com o frio, com a fome, com os velhos, com os putos e os pardais. Descansa, meu menino. A revolução faz-se sozinha enquanto tu dormes, enquanto tu sonhas sonhos húmidos.

Amanhã, meu menino, vais acordar do lado dos bons. Sejam eles quem forem. Trocas de camisola num instantinho. Vais ver, meu super-homem. Vais ver. Que camisolas às cores não te faltam no roupeiro. E a cabina telefónica está mesmo ao lado da sanita.

Nasceste na situação!, a tua revolução é mera adaptação ao que te derem pelo biberão. Se for leite, tu engoles. Se te derem merda, tu mamas. Enche mazé o teu quarto com os símbolos do inconformismo da moda, mas compõem-me bem o nó dessa gravatinha antes de saíres de casa. Dessa gravatinha que até nem usas por cima da camisa aberta que te desvela o peito depilado. Aí se encerra toda a tua luta. No nó dessa gravatinha. Dessa corda na garganta que usas no cérebro. Que há ser e parecer. E tu, meu menino, nem és nem pareces. Não te preocupes com coisas de somenos. A mamã trata de tudo e vai-te aconchegar à caminha.

A tua revolução são as punhetas que bates a olhar-te ao espelho. Ai que linda que é essa tatuagem do Che. Essa borboletinha a tinta-da-china. És uma tatuagem, meu menino. Não passas de tinta enfiada na pele. Um, dois, três, quatro, cinco. A quina dos dados, o prisioneiro na sua cela. Ai meu rebelde, que ainda me mijas a cama.

A tua revelação fez-se numa loja de piercings, o teu contributo para a revolução é dizer pedra e fazer papel.

Golo!, catano, foi golo! Isso é que interessa, que as tuas camisolas – vai camisola, corre camisola −, que as tuas camisolas não se deixem ficar. E que ganhem. E tu lá estás, sempre!, de cu no sofá, com as mãozitas dormentes a amaciar-te o…, pois, meu menino, anda cá que a mamã muda a fraldinha. Anda cá…

Mudar as coisas é isso mesmo, ir para a televisão dizer cobras e lagartos e votar depois nos lagartos e nas cobras. Porque to mandam e tu obedeces de sorriso no cu e revolta nas palavras. É o partido, pá!, é o partido. A gente compreende, catano. Basta meteres um pá! entre cada palavra e a gente não se vai esquecer de ti.

Não te canses, meu menino. És o 007 destes dias de espuma. ORDEM PARA SIMULAR. E aposto que fodes aquela, que enrabas aquele. Meu que…ri…do menino. És uma puta que vai a todas; seres homem é teres nascido homem. Ou mulher. Tão-só. Tão só…

Dás o cu e cinco tostões para que não te aborreçam na convulsão do teu viver. É preciso é que não se note! Descansa, meu menino. A mamã trata de tudo e vai-te aconchegar à caminha.

Não apareças nunca, ca malta compreende, ‘tá frio e tu tinhas um jantar marcado. Quando chegar a hora que vai chegar, o povo chama-te à rua para ires à frente de bandeirinha.

No cu.

[´tá bom, mas ‘tá forte, olha que ainda perdes o emprego. Troca mas é cu por rabo, foder por fazer amor. Olhó partido, pá. O teu chefe ainda te des!pe!de!. Eheheheheh… Malcriadão, és mazé um malcriadão.]

Sabes?, como diria o outro,  o outro das costas largas, é preciso é animar a malta. E tu animas a malta. Tu és a malta.

Vamos lá agora ouvir outra vez o FMI do Zé Mário e escrever um cena assim tipo; és um mata-borrão que chupas tudo o que te dão. Ainda me lembro, aqui há quinhentos anos, quando fui ver um filme do jimbo, do dos doors, porra, esse. Era Lisboa, e tu mijavas no autocarro marcando a tua diferença. Que grande revolução a tua, podre de bêbado a mijar num autocarro. E o pessoal batia palmas, e eu escarrava-te nas trombas.

A revolução dos borrachões. Vivó vinho, catano. Quantas revoluções fez o vinho? Hum? Ó candeeiro do catano que me insultas. Não me fujas, tu e aquela traidora de franjas.

Vamos agora ser rebeldes à séria. Bute lá?

Tipo, vamos arriscar bué. Dizer bué é já bué da revoltante, é ou não é? Revoltante, revolta, revolução, meu menino. És agora um revolucionário.

Hoje já não é PREC, hoje já não é ‘79, hoje já não é Eça, nem Ramalho. Camilo foi preso por comer uma gaja casada. Na tua mente. Eles estão na tua cabeça (ora vamos pôr aqui um pá!), Pá!

Hoje é esta merda em que não ousamos, em que temos medo, medo de perder o emprego, medo de tropeçar, medo do medo. Acagaçaste-te, meu menino?, anda cá e toma lá a maminha, para descansares. Relaxa, meu queridinho. Fazes o que podes e a mais não és obrigado.

O CARALHO!

Somos obrigados a dar o que temos e o que não temos pela mesma razão que damos o que não temos a estes filhos-da-puta que nos governam. E mais a quem manda neles, cambada de microfones.

Ora vamos lá, então, custe o que custar.

Vendes o teu filho por 30 moedas, meu cabrão. Vamos a isso.

Mamas num país de vendidos e vendes a tua esquerda pelas mamas que te oferecem. Chupa daqui, chupa d’acolá. Se for pila também lá vais, que o partido, … ai o partido, o partido assim to ordena. Tudo pelo partido, porra! Afinal, és militante. Militas. És um militar, um guerreiro! o guerreiro dos peidos.

Ca gaja é boa e as bandejas de prata cheiinhas de pó de ouro circulam desvairadas, nessas festas pequeno-burguesas onde desbundas. Vamos fazer uma revolução, ó rainha dos abortos? Quem fez mais abortos aqui? Tu gaja!, tu aí! Dez? Em vão de escada feita clínica de Badajoz? Ah catano! És uma queen! ‘pera! Vinte prá senhora do fundo. Perdeste. Lamento… Devias ter usado menos preservativos.

Como será fazer uma revolução duma torre de marfim? Está vossa excelência bem sentado? Tem vossa excelência a certeza? Vamos então soltar as garras. Aperta o cinto, meu menino rebelde. Tira a cuja da algibeira e faz por tirares essa bandeirinha do cu, que as mudanças fazem-se de canhão ao ombro.

A coisa é assim. Somos neste momento governados por um gajo que nos afiança que o quá-quá-quá-tôrze vem antes do quinze. E depois temos o fantoche que é manobrado por outro fantoche. Além da Troika, é preciso é ir além do que nos exigem. Além da Troika, forever, meu bom menino, meu bom aluno. SOMOS OS PRIMEIROS. Eta conquista.

estou nu. tiraram-me tudo. a honra, a galhardia, essas coisas de somenos que te faziam homem. Mudei de sujeito, bem sei, que eu estou a escrever isto enquanto respiro, … E TU NÃO! o poeta que me perdoe o roubo. foi sem violência; é furto!, diz o meritíssimo. foi roubo, redigo eu, que o que nos estão a fazer é à porrada. não sei bem quantas já levei, mas sei que as levei. os meus olhos negros assim mo dizem. que eram castanhos, da cor do mar, que o mar é da cor dos olhos de quem o olha. e nós somos de vista castanha. coelho é um biltre. relvas um cangaceiro. gaspar um salazar. ha…ha…zuis…

E nós vamos andando, devemos ser o único povo do mundo que não anda. Vai andando. Numa passadeira que rola da frente pra trás, sem sair do mesmo sítio. Cá estamos. Está frio. Está calor. O benfica perdeu. O que tem de ser tem muita força. Agora chove. Agora não. Tempo da merda, sempre ao contrário [aí não chegas tu, boche]. Estou constipado, perdão, resfriado. Já me esquecia do decreto das letras. Um veado é um paneleiro. Acordo-Ortográfico, vénia. Fresco é maricas. Acordo-Ortográfico, outra vénia. Rapariga é puta. Acordo-Ortográfico, venha mais um torcicolo. Vénia!

Mas − agora sou EU − que estou para aqui a ladrar? As sondagens dizem-te que sim. ‘beg your pardon; tu és as sondagens. E o telefone toca e eu digo que sim. Não me aborreçam. Claro que estou contente com o governo. Claro que a oposição é seguro. Porra que não me enganei no género. Uma oposição seguro, Acordo-Ortográfico? Vénia!

 Não me arrombem mazé a porta, que me custou muito dinheiro. Batei ao de leve que eu visto o roupão e vou de mansinho. DELITO DE OPINIÃO, Sôtor. Vou mas é a porra!, que primeiro tendes de me apanhar vivo. E se se metem com os meus, estouro-vos os miolos. Tenho ali uma fisga comprada nos chineses. Assim toda direitinha e lambuzadinha. Sonho de criança.

PORTUGAL. Quando foi a última vez que o viste? Eu ainda agora o fui deitar. Nos olhos do meu filho o vi. E por esse reflexo farei o que for preciso. O meu filho de quatro anos, a minha vida. Se depender de mim – e de pai pra filho assim é −, vais viver num país que nunca vi. FILHO! Num país que vivi em sonhos. Vais ser português, assim como não te baptizámos. Português-de-terra, homem de olhos castanhos, assim grandes e da cor do mar que vejo daqui, que é a cor das duas serras que NOS rodeiam. Estrela e Guardunha. Guardunha, assim mesmo. Bom adamastor que GUARDA O MEU FILHO. Nesta cova profunda à beira do abismo. Não vais cair.

€les não chegam cá, custe o que custar, doa a quem doer. No Fundão mandam os que cá estão! e se for preciso peço reforços ao Carvalhal. Não ouses, dâmaso.

Coelho, isto é assim. Vai ser assim! Não pago o teu imposto sobre todos os impostos. Não me submeto aos teus donos. E tenho comigo a força da minha avó, que me ensinou esta forma de ser. Não consegues bater nela, que ela já vive além. Onde os coelhitos não chegam.

Listen to the music…

N.Ã.O. H.Á. D.I.N.H.E.I.R.O.

“The killer awoke before dawn, he put his boots on
He took a face from the ancient gallery
And he walked on down the hall”

The end.

Diénde o caralho. Que ainda tenho umas coisa para vos dizer, ó gentes. Nesta das mais nebulosas coisas que as dentaduras pariram.

Não sou poeta; não o sei ser. Não faço prosa nem escrevo romances; qualquer hipermercado avaliza estas minhas palavras. Ide lá e vereis. Não me vereis (ó pra mim cheio de inveja, recalcamento puro, que o meu sonho é ver-me escrito ao lado de um rolo de papel para limpar o cu).

Sou apenas um homem ocupado. Um homem sem sono, mas que dorme a sono solto porque de consciência tranquila. Aqui não chegam os vossos cobradores, mesmo porque não devo um pentelho a ninguém. Mas há quem deva sem nada ter feito por isso. Uma mulher, um homem, dois filhos. E depois veio o desemprego, o acordo de cavalheiros. Veio a ponte, que a casa que era minha já não é. Nunca foi. E EU ABUSEI, CARALHO? Eu? Eu que trabalho de sol a sol? Eu que dei o coiro? Fui eu que abusei?

Perdeu a vida e por vergonha MATA OS FILHOS, OS NETOS, A MULHER. Convencido que é o culpado. Mata o cão e piriquito. És mazé um cobarde de merda, que nem coragem tiveste para estourar os miolos. O inferno. Legião. Não te desculpes com o banco, poltrão. Não te desculpes com a natureza de quem se quer inteiro e por isso mata O FILHO. Mas não tem tomates para dizer NÃO. Custa, não custa, tropeço de gente?

Levanta-me essas nádegas de porco do berço!, meu menino! A mamã já se foi. Estás entregue a ti próprio. Não faças como aquele, faz-te homem. Faz-te à vida. CORAGEM! Não ta estou a desejar, meu cobardolas, menos ainda a embalar, ó medíocre existência. Estou tão-só a dizer que estou farto dos teus ganires, dos teus queixumes. Chorinho é bom se levar flauta, violão, cavaquinho, pandeiro, clarinete, bandolim e trombone.

És o único culpado, não descarregues nos energúmenos em quem votaste, nos vermes a quem não tiveste tempo para ir dizer não. Porque havia jogo da bola em castelhano. Porque estava calor, porque estava frio, porque estava calor e frio.

Tudo TE serve de desculpa para desculpares o teu existir sem dentes, sem unhas. ÉS UM VERME!

Até eras gajo para escrever uma merda destas, assim te garantissem que nada de mau te aconteceria. Mas tua andas pela sombra das sombras. es…con…di…di…nho.

Piegas de merda, que mereces a zombaria de quem assim te chama. Era uma vez um coelho que era amigo de um bambi a quem mamã morreu. We are the world, we are the children… E violinos e o caralho. Tenho tanta peninha de ti!

Deixa-te de merdas, faz pelo Abril que os teus pais te deixaram. Faz pelo Abril de quem deu a vida para que eu pudesse estar aqui a escrever estas afrontas à mãe-troika. Contigo a ler-me!, à sorrelfa e com o indicador pronto pra mudar o ecrã para o sítio das gajas nuas. Que quem vê gajas nuas é homem, que quem vê gajos nus é mulher (raispartam nesta língua que é a minha vida mas é a modos que pró machista e me quebra o ritmo, me enfeia a escrita e me quebra o raciocínio).

Tens duas opções na vida. Ou fazes por ti, com aqueles unanimismos mentirosos ditados pela disciplina, ou fazes por ti e pelo teu filho. OU FAZES PELO TEU FILHO. Afinal, eram três.

Que também tu tens futuro, lamento ter que to dizer, lamento ter de apelar ao teu egoísmo para te pedir para fazer de conta que és gente.

No que me toca, e a uma semana de a ternura me acolher, estou aqui. Por mim, pelo meu filho, pela minha mulher, pelos meus pais, pela minha irmã, pelos meus amigos que têm sangue igual ao que me corre no ventre-útero.

Que sim, que também eu, homem de nascença, tenho útero; que, bicho-feio ou bicho-lindo, o que acabaste de ler foi por mim parido.

Vou dormir descansado.

Desejo-te o mesmo a ti, que no que depender de mim o teu futuro vai ser risonho.

Descansa, meu menino. A mamã trata de tudo e vai-te aconchegar à caminha.

Agora vê lá mas é se me mandas para o caralho, vê se te revoltas pela forma como te trato. Verme abaixo de verme. Vê se deixas de ter medo.

Não é por mim, não é por ti e pelas tuas palminhas, é mesmo pelo teu filho. Se chegaste até aqui insultado, fodido, com vontade de me bater é porque valeu a pena.

Valeu a pena. Excluo-TE a TI, AMIGO, tu que lutas sem medo e vês neste meu caminhar lunático algo parecido ao teu caminhar.

Comecei a escrever para mim, para que não me esqueça. Acabei porventura a dizer mal de ti, mas se tal carapuça se te entalou cachola abaixo o problema é só teu.

Descansa, meu menino. A mamã trata de tudo e vai-te aconchegar à caminha.

Descansa, que a malta trata do resto.

É preciso é que não percas o sono.

Descansa!

Beijinhos.

[que força é esta, amigo?]

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