Portugal é demasiado urgente! Um Governo de Esquerda e a lição-Tsipras.

Tenho tanto para dizer sobre o que se está a passar neste Portugal que o melhor, diz a paciência que não me assiste, seria ficar calado e aguardar. Na verdade tem-me faltado tempo para escrever em cima do acontecimento. Vai tudo agora, de enfiada e por pontos (vinte).

  1. Estou estupefacto com o António Costa e suas sete vidas; e contra mim falo. A verdade é que o Homem tem-se revelado, de Domingo para cá, o oposto do que foi durante a campanha. Como já foi dito pelo Nicolau Santos, ele está a fazer tudo o que o cavaco pediu ao coelho para fazer; à revelia da Constituição, acrescento eu.
  2. Ainda na sequência do ponto que antecede, e porque críticas à pretérita actuação de chove-não-molha não terão faltado, António Costa decidiu afrontar o aparelho acomodado do partido que lidera, levando a que seres tão inúteis como o boy ss pinto, um tal de brilhante dias e os eteceteras do costume tenham mostrado à saciedade que há um ps que se coloca acima do país. António Costa provou que que o PS que lidera não é isso.
  3. Está-me a dar um gozo muito especial a forma como os articulistas avençados pelo paf se revelam preocupados com o futuro do PS, o que os aproxima daqueloutro ps de que falo atrás e que urge extirpar.
  4. Orgásmico! Finalmente a Esquerda se une em torno do que tem em comum e, em prol do país, coloca as diferenças de lado. Dê isto no que der, está desfeito o nó górdio e temos agora caminho para caminhar.
  5. Nada disto seria possível sem o empurrão dado pela Catarina Martins, que foi a primeira a abrir caminho, quando fez a António Costa aquela última pergunta (no debate da pré-campanha). E a pergunta, independentemente dos termos usados, traduz-se numa exclamação assertiva. Não há aqui cinzentos. O PS ou é por uma União das Esquerdas ou é pelo Bloco Central.
  6. Nada disto seria possível, igualmente e ao mesmo tempo, sem a abertura demonstrada, ao ponto de me cair e rolar o queixo, pelo Jerónimo de Sousa. Não creio que tenha sido para não perder o comboio cuja partida se deve à Catarina e ao que refiro no ponto anterior. Não deixará de ter tido influência, mas o PCP percebeu que é hora de se materializar. Sob pena de não ser levado a sério. É hora de governar e não ser o eterno Quixote que luta contra moinhos de vento. Imagino o quão difícil tenha sido. Foram 40 anos em forma de ostra. Uma vénia do tamanho do mundo para Jerónimo de Sousa.
  7. PS, Bloco e PCP sabem que podem perder-se no meio disto. Podem perder-se uns para os outros e pura e simplesmente podem perder-se. O risco menor é o do Bloco, concedo. Se o PS se esvaziar, ganha. Se os ortodoxos do PCP repudiarem o que está a acontecer, ganha. Mas não me parece que nenhum dos três esteja neste momento a ponderar ganhos e perdas. PORTUGAL É DEMASIADO URGENTE!
  8. É certo que, agora, os três partidos estão a reagir contra a uma realidade maligna e bem concreta (mais quatro anos de paf), coisa que é mais simples do que agir. Não faço ideia como será quando, juntos, tiverem de agir, a cada dia, afinando pelo mesmo diapasão; publicitando as virtudes e resolvendo os vícios em casa. A Esquerda não terá as abébias que foram dadas ao paf, quando o líder do agora 4.º partido mais votado se disse irrevogável. Não faço ideia, mas confio na ideia que digo que não faço. A Esquerda deu um passo de gigante e é nisso que confio; não foi um passo maior que a perna, temos a prova disso desde o dia em que o paf começou a despernar Portugal.
  9. cavaco tem duas hipóteses, em face desta realidade. Ou aposta num governo paf que cairá com a rejeição, pela maioria parlamentar de esquerda, do respectivo programa de governo. Ou se vira do avesso e dá o aval a um Governo PS/Bloco/PCP ou a um Governo PS apoiado com declarações de Princípios do Bloco e do PCP (o que tarde ou cedo dará no mesmo).
  10. cavaco vai optar pela primeira para, em prejuízo do país, obrigar à rejeição do programa do paf. E para com isso perdermos mais tempo, a indefinição continuar e tentar (ele e seu umbigo) lucrar alguma coisa com os mercados que continuarão a estrebuchar. Para que possa dizer…
  11. “sim, dei posse a um Governo integrado/apoiado pelo Bloco e pelo PCP mas foi porque a malfadada Constituição da República Portuguesa a tal me obrigou”.
  12. A partir de agora, e tendo em conta a inevitabilidade do fim desta ignomínia, tudo o que o cavaco faça em sentido contrário é só perda de tempo. Um governo paf não vai além do primeiro dia (literalmente) no Parlamento. E depois…
  13. … Se é certo que “O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”, como dita o n.º 1 do artigo 187.º da nossa Constituição; o que, tendo em conta os ditos resultados eleitorais, os resultados das negociações pós-eleitorais seria suficiente para nomear directamente António Costa. Mas sendo certo que jamais o cavaco jamais irá por aí e certamente fará, como disse, acima, uma leitura equívoca de tudo o que está a acontecer….
  14. … É igualmente certo que, implica a demissão do Governo, nos termos da alínea d) do n.º 1 do artigo 195.º da Constituição que o inditoso presidente actual fez por incumprir a cada dentada no bolo-rei, sem bolo nem rei: “A rejeição do programa do Governo”. A Democracia incomoda os avençados do eixo Berlim-Bruxelas.
  15. Rejeitado o programa de governo do paf, passa ao próximo e não ao mesmo. E estamos conversados quanto à questão da legitimidade. António Costa é o líder do partido mais votado dos que integram a eleita maioria parlamentar de esquerda: PS e… Bloco e os do PCP. Se a direita não atina com esta Democracia, ditada pela Constituição em vigor que assuma de vez que a lê como Salazar leu a de 1933, que também tinha lá pelo meio a palavra Democracia. Letra morta a regulamentar um dia; um dia do tamanho de quarenta e um anos.

Antes de terminar:

  1. A cara dos calimeros do paf ontem é impagável. “Mas, mas… eles são uns maus”. Argumentos, nada; que aquela malta tinha acabado de levar com uma bordoada do tamanho da vileza que lhes tolhe a alma.
  2. Terei o supremo prazer de ver o homem deles em Belém a dar posse à Catarina Martins e ao Jerónimo de Sousa. Há que inventar outra palavra, que ironia não chega. Talvez se arranje mais um desmaio e lá terá de ir a (ainda) presidente da AR fazer o frete.
  3. Vivo agora aquilo por que tanto lutei nos últimos anos. Pelo óbvio, mas também (coisa de somenos, o que digo sem ironias) para me conseguir perdoar pelos erros que cometi. Teremos, em breve, um Governo de Esquerda. Um Governo que colocará as mulheres e os homens à frente dos números. E, é certo, a lição-Tsipras foi o princípio de tudo isto. Ele levou com o sonho nas ventas. Daí o António Costa ter dado entrevistas como deu, a quem deu. É possível um governo do povo, pelo povo e para o povo. Sem entrar em loucuras, que o inefável Schäuble (que estará a mover mundos e fundos para que nada disto se concretize) y sus muchachos já demonstraram que podem desmontar um país inteiro em prol dos números. Urge lembrar (mas sem esquecer a essência benigna) da lição-Tsipras. E…
  4. Poker face. Um governo do povo, pelo povo e para o povo… Sem esquecer os números, como se fosse apenas destes, por estes e para estes. Poker face. Faz de conta que é só e apenas como o rei manda. Os números. Eine Regierung der Nummern, durch die Nummern, für die Nummern” (falemos e joguemos boche, à laia de metáfora). Será tendo-os em conta (como é obvio e vital) mas não pode ser por apenas eles, aos números. Não podemos é ceder à chantagem, mesmo porque não há chantagem possível, quando o inevitável Primeiro-Ministro António Costa assevera que cumprirá o acordado. Lição-Tsipras oblige.
  5. Poker face e… o caminho faz-se caminhando. Um passo de cada vez. Passámos demasiado tempo a dançar a música da ditadura das subtracções e divisões. Mudou a hora. Eine Regierung des Volkes, durch das Volk, für das Volk”. Governo do povo, pelo povo e para o povo. Nós, cá por casa, também fazemos contas. Não são as contas que nos fazem a nós. A diferença não é subtil. É a diferença entre uma criança que morre de fome e um Estado Social que resiste. É disso que se trata.
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