O coelho não se conforma com a Democracia. E eu voto na Cristina Guedes.

Hoje, António Costa afiançou que quer ganhe quer perca não alinhará com a coligação, prometeu que não alinhará numa maioria abortada (imposta) por Belém. Posto isto, alguém mandou o cão-de-fila do paf, nuno melo e seu singular neurónio, ver nisto uma chantagem. E, avença oblige, assim foi. Por terras da Guarda, onde o cabeça-de-lista é o peixoto — esse mesmo que apodou os nossos mais velhos de “peste grisalha” –, o pastor melo, desobrigado do açaime, ladrou alto a ladainha: ó gentes, o PS não quer um pacto de regime (connosco) para nos ajudar a acabar de vos estripar.

O coelho e a rapaziada que o acompanha olham a Democracia como uma chantagem. António Costa não fez nada especial ao não aceitar subverter o resultado das eleições. Limitou-se a prometer cumprir o voto popular e não as ordens que vêm de Belém. É que o cavaco, antevendo o óbvio (não haverá maioria absoluta), ditou que não dará posse ao Governo que o povo indicar, mas ao Governo que ele entender que melhor salvaguardará os interesses do desgoverno que nos conduziu a este Portugal onde os números cavalgam as pessoas.

A Democracia não é isto. Mas, definitivamente, esta tralha neo-liberal, ainda que percebendo este singelo facto, nunca o aceitará. Olham a Democracia como um obstáculo. E não podendo ultrapassá-lo, reduzem-na a uma máscara que usam sem vergonha. E nós menos vergonha temos ao permitir tal aberração.

Por paradoxal que pareça, é também por isto que no dia 4 de Outubro não votarei “útil”. Não votarei PS. Aceitar instrumentalizar o meu voto, em prol de um mal menor, faria de mim um homem com código de barras na testa.

Votar é votar em nós, por nós, sem medos ou calculismos em forma de pescadinha de rabo na boca. O dito “voto útil” é o mais inútil dos votos. É um não-voto. Um voto em rebanho, o oposto do que um voto é. O voto não é útil ou deixa de o ser. Ou se vota ou não se vota. E espetar na urna com uma cruz em cima de um sapo não é votar. Na essência, não o é.

O voto – O VOTO! — é em consciência, naquilo e naqueles em quem acreditamos. E sim, bem sei que o voto que já revelei, hoje por hoje, num Distrito como Castelo Branco, não chega para encher o copo, “graças” ao sistema eleitoral, que impede que o meu voto se junte a um voto de igual sentido noutro Distrito.

A única forma de acabar com esta pescadinha de rabo-na-boca é mesmo fazer assim. Sem calculismos; sem medo que haja mais receitas de coelho na mesa do povo, que não comem dele, mas comem com ele.

Essa pergunta que baila? Aqui, onde voto, serão eleitos quatro deputados; dois vestem bibe laranja, dois usam bibe rosa. É tramado eu saber isto sem precisar de sondagens. Como se muda isto? Simples. Mudando. Votando em nós, e não em camisolas. O abusado “voto útil”, na verdade, é uma atroz traição à consciência de quem o perpetra.

Obviamente, prefiro ter o António Costa como Primeiro-Ministro, tendo em conta a alternativa. Mas isso não condiciona o meu voto. Votarei Bloco de Esquerda, votarei na Cristina Guedes, apesar de ser certo que não será eleita. Se isso me frustra? Imenso.

Por isso este texto. Em 2019 poderá ser diferente, mas para isso temos de começar já a mudança. Creiam-me, é possível mudar. Basta não termos medo de votar na nossa primeira escolha. Deixar de votar no Bloco ou na CDU apenas porque o sistema diz que isso não é útil é a prova da nossa subserviência.

Basta deixar de olhar os partidos como clubes de futebol e ousar ter a humildade de querer mudar o nosso mundo. Não o querer fazer é arrogância. E se isto contribuir para que o coelho volte a ser? Pois seja. Se for necessário marrar (ainda mais) de cabeça com os cornos no fundo do poço… pois seja.

Uma coisa é certa. A nossa Constituição não dita essa gaiola do bipartidarismo. Nós, tal como os toiros amestrados para morrer, é que temos essa estuporada vontade de nos refugiar na antecâmara da arena. Uma imensa vontade de morrer.

E era quase só isto. A sério, mesmo que vão votar paf? A sério, mesmo, que não se lembram destes quatro anos? A sério mesmo que estão bem? A sério, mesmo, que embarcam na máquina do tempo para 2011? Estamos em 2015. A sério, mesmo, que acham que o país está melhor? Que aquela empresa não fechou? Que aquele casal não marrou inteiro no desemprego? Que aquele velho não morreu de morte matada porque era supranumerário? Já te esqueceste que o teu filho emigrou para o planeta skype? A sério, mesmo, que a culpa é toda do Sócrates e por isso vamos permitir que o coelho acabe o serviço?, afinal, ainda restam uns pedaços de nós por retalhar e vender…

Quanto ao título deste texto… Olhem a imagem. Ele precisa de mais um mandato. Votem no dobro do que tiveram. Votem coelho!

E agora sim. Era isto.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s