Vhils condecorou cavaco

vihls“Depois de uma semana de grande debate interno, a pensar se devia aceitar ou não, concluí acima de tudo que era um reconhecimento do país. Conhecendo as dificuldades que os artistas têm, e ainda mais sendo de uma geração que muitas vezes não é valorizada, senti um grande peso em não aceitar a condecoração. Mas não deixo de dizer aquilo que penso, e isso foi claro no comunicado que fiz”. [Expresso]

A condecoração não foi do país, lamento, embora Vhils a merecesse. Do país, entenda-se. Mas uma condecoração dada por esta coisa que nos “presidencia” é, como Vhils não ignora, mero aproveitamento político. Ser condecorado por cavaco é ser “reconhecido” por um regime fascista; ser reconhecido pelo estado de sítio que Vhils critica. E em nada, absolutamente nada, é uma homenagem à arte e aos artistas. Vhils diz ter demorado uma semana a decidir se aceitava ou não a condecoração. Devia ter demorado o tempo que um “nunca!” leva a dizer.

Essa, sim, seria uma condecoração. De Vhils ao país. Esse, sim, seria um comunicado claro. De repúdio. A do país a Vhils viria depois, quando esta República tivesse um presidente. Não basta dizer que pensou muito, que aceitou isto por quem faz arte; não basta comunicar as condições e considerandos.

cavaco não condecora, cavaco macula. E do ora condecorado esperava-se mais. Ou menos; menos ingenuidade. Ao aceitar aquela coisa, daquele ser vil, passou ao condecorador um atestado de decência democrática.

Ao aceitar “a medalha”, foi Vhils que condecorou cavaco. Nada mais.

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