Mudar o mundo ou… paf

Uma forma de desmascarar esta vilanagem é com humor [vide link]. Mostrar o quão ridículos são. O desemprego é gajo para descer a zero, daqui até às legislativas. Mas a realidade que eles nos trouxeram, essa, continua imparável. E essa realidade (a nossa realidade; a realidade-realidade) é a que sabemos. É urgente ter sentido crítico, olhar à volta. Ver a economia real.

Acham mesmo que o desemprego está a baixar? Olhem à volta. À vossa volta. Olhem, porra. Olhem!

Lembras-te daquela loja? Fechou! Lembras-te daquele homem, daquela mulher? Mataram-se! Lembras-te daquele casal que pagava pontualmente ao banco? A empresa faliu. Caíram no desemprego. Agora, quem paga a hipoteca são os pais, como fiadores. Quantas realidades desesperadas conhecem?

Querem mesmo fazer contas? Acreditar em números? Olhem o vosso extracto bancário, olhem aquele saldo. Olhem para dentro e para fora. Chama-se austeridade. Sem dinheiro não há dinheiro. E os pobres são o alimento dos ricos. Caramba, sereis parvos?

Portugal está deserto. E não há números martelados que suplantem as pessoas marteladas, Deixem de votar em camisolas, guardem isso para a bola.

Olhem à volta. Acham mesmo que os números do Governo são o retrato de Portugal? Ousem pensar. Abril deu-nos essa liberdade. Mas essa liberdade cada vez é menor. E não faço a menor ideia de quantas mais frases poderei escrever ao sol dela. Que a sombra é cada vez maior.

E não há fantasmas. Sei exactamente o que vos amedronta. Vamos votar nos comunas? E então? Se alguém nos avisou para o erro do euro foram eles. Assevero-vos; eu que os acho demasiado cerrados. Eles não comem criancinhas. Vamos votar Bloco? E então a Grécia? O Bloco aprendeu e não repetirá o erro. Porque não há euro com dracma. O Tsipras errou ao não ter um plano B, que passasse por mandar o euro bardamerda. Sofrer mais do que já sofrem, vergados a uma auteridade impossível é… impossível. Mas temos uma enorme dívida de gratidão para com aquele enorme e imenso povo grego. É possível pôr os donos da “europa” a tremer. E eles tremeram e faltou o Varoufakis para que caíssem de vez. Mas o futuro sem euro é uma certeza. Vivemos agora numa espécie de limbo.

Também não há euro sem escudo. Cai o primeiro e… era uma vez uma moeda inventada para isto mesmo que nos está a cair em cima. Lembram-se da peseta? Ela voltará. Assim como o franco. A lira. O euro acabou. Morreu. Kaput. E só não se faz já o funeral porque há demasiadas eleições, este ano. Talvez se mantenha um euro, sim; mas que não integrará mais do que a Alemanha e os seus satélites.

A Europa existe como continente, não como união. Não como esta união parasita. Olhem uma cena. Sócrates está preso, sim. E não faço ideia se é culpado ou inocente. Não me cabe a mim, nem a vocês, nem ao correio da manha, nem ao carlos alexandre decidir isso (este último, processualmente, é o seu umbigo e pouco mais). Será, o ex-PM preso há oito meses, julgado por juízes. E da decisão desses juízes haverá recurso. Não tomem por válido e definitivo o que vos ladra aos ouvidos o correio da manha. Imaginem-se julgados por um jornal, por um povo que bebe e come as misérias que nos servem.

Sócrates será (ou não) culpado politicamente. E aí, sim, somos nós os julgadores. Mas ele não é candidato a nada. Na minha opinião, ele forçou a barra até onde pode. Exagerou? Vamos conceder que sim. Mas não é ele o culpado das políticas de terra queimada deste governo. Lembram-se dos gloriosos anos 80 e 90? Chovia dinheiro. O Cavaco fez desse dinheiro betão. Fomos pagos para destruir e para construir. A ideia (made in germany) era sermos ainda mais dependentes. E o objectivo foi plenamente alcançado. Quantos jipes se compraram, em vez de tractores, com dinheiros comunitários? Cavaco calou. E a agricultura? Cavaco permitiu que recebêssemos para plantar e depois permitiu que recebêssemos para a destruir. Vamos conceder, então, que Sócrates é tudo o que dele se diz – e refiro-me ao homem político. Que outros julgamentos não me cabem. Adiante e ao que interessa. Se agora tivesse, de novo, oportunidade de o julgar politicamente, como já tive, decidiria o mesmo. Votei nele para aquele mandato interrompido, não votei nele quando o infame coelho ganhou; mas certamente que também não votei neste verme atrás referenciado.

E quase termino, que isto vai do tamanho de já não se ler. Abomino o voto útil (é o mais inútil dos votos), e, ao contrário do que já pensei (sem exercer), o silêncio é cobardia. A abstenção é um enorme “vai-te lixar, filho”.

Votem! É urgente que votem! Ou tereis de levar no lombo com a decisão dos outros. E a decisão dos outros é um ladrão que vos entra casa adentro. Permitem? Então como raio se permitem não votar? É só um voto? Não muda nada? Multipliquem por um, dois ou três milhões que também acham que o voto deles não muda nada. A diferença é esta puta desta realidade que nos reduz a carneiros. E os carneiros abatem-se. E comem-se. E voltamos à estuporada realidade. A nossa.

Votem paf se estiverem contentes com o corte a eito em tudo o que há para cortar. Garanto-vos que com mais quatro anos deste fartar vilanagem até Portugal emigra. O Plano é esse. Reduzir-nos a uma colónia boche. Olhem-se há quatro anos. E olhem-se agora. Lembram-se daquela coisa dos direitos adquiridos? Tínhamos ou não um contrato com Estado? Eram adquiridos os direitos… pois foram?

Não vos recomendo o voto neste ou naquele. Eu votarei no Bloco, não porque nele milite, mas porque foram eles quem mais me representaram e defenderam. Voto num distrito em que o sistema eleitoral manda o meu voto para o lixo. Mas voto em consciência. E é urgente ter consciência. Mas assim como votarei Bloco, poderia votar PC ou PS ou Livre. Em Lisboa, a Mariana Mortágua é cabeça de lista pelo Bloco. Gostaram dela? Das ganas dela, a única que olhou nos olhos a vilanagem do bes y sus muchachos? E que tal… votar nela? Em Lisboa, o Jerónimo de Sousa é cabeça de lista pela CDU. Gostam de ver os bois chamados pelos nomes? Gostam daquela linguagem clara e cristalina? Votem nele! Garanto-vos que não acordam com uma criancinha servida ao pequeno-almoço. Em Lisboa, o António Costa é cabeça de lista pelo PS (não é Sócrates que está a ser julgado nas urnas). Votem nele. Escrevo das berças, e daqui até Outubro terei muito tempo para ir Distrito e Distrito; mas a lógica e a dinâmica destas palavras, assim como este mal parido sistema eleitoral, fazem-me, por ora, falar de Lisboa.

Gostam do estado em que o psd e o cds deixaram Portugal? Votem neles. Em Lisboa têm uma suprema oportunidade de dizer sim a mais do mesmo. O pedro é cabeça de lista, o paulo é o número dois.

Dito isto, permito-me dar-vos um conselho, à laia de resumo. Se acreditarem mesmo que Portugal cresce, que o pior já passou, que nos próximos quatro anos os vosso filhos voltarão do exílio, que o desemprego baixa, que estas palavras com que fiz por ironizar a realidade (vide link, de novo) andam próximas do que é… Se acreditarem nisso tudo, votem na coligação e… paf!

Se ousarem por um instante pensar nos vossos filhos, assim como os nossos pais e avós pensaram em nós quando fizeram Abril, votem não a estes seres vis que nos vendem o país a retalho. Uma coisa, se não atalharmos, é certa. Os nossos filhos e netos pagarão cara a nossa descrença, o nosso sofá. Estes e aqueles, são já devedores. Tenho um filho com sete anos e netos que um dia virão ou não. Um e outros são já devedores de capital mal contado (há que fazer contas às contas) e juros usurários aceites, sem piar, por esta peste laranja que nos corrói. Se viverem bem com isso, votem nisto que temos.

Mais quatro anos disto — podem estar certos disto –, com mais desta coisa salazarenta, e não estarei cá para escrever idêntico apelo. E, ainda que esteja, terei de o escrever com outro nome. Noutro sítio. Longe de mim.

Era só. E ninguém me paga para isto, não. Não em dinheiro. Não aquele pagar toma lá, dá cá. Estas minhas palavras não contam para o pleno emprego. O que realmente interessa não tem preço nem usa código de barras. O que quero então? É tão singelo. Quero apenas ajudar a mudar o mundo. Se todos fizermos por isso, o mundo muda.

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