Ode ao pleno emprego e à economia enviagrada

  • A economia cresceu tanto que passei por ela e não lhe falei. Não a reconheci.
  • Recusei agora quatro ofertas de emprego. E nem sequer ando à procura. Isto vai, isto vai.
  • Um amigo meu desempregado estava a estacionar. Deu um toque no carro de trás, novinho em folha. “Tão mal empregado”, disse o meu amigo. Veio o governo e pimba. Mal ou bem, agora tem emprego. E menos um ponto na estatística. Em Outubro chegamos ao pleno emprego. Ninguém pára este governo.
  • Tentei agora entrar no meu segundo andar e a chave não funcionou. Foi da economia. Cresceu tanto que agora vivo no quinto.
  • Era uma vez um desemprego a rondar os 22%. Veio a campanha do paf e comeu-o.
  • E a Serra de Estrela passou os 3000 metros. Cresceu-lhe uma economia por baixo.
  • Ao chegar a casa estive a falar com três desempregados. Foi coisa de cinco minutos. Quando a conversa acabou, um já tinha tinha sido contratado por uma empresa falida que, hoje mesmo, reabriu portas; levou com uma injecção de capital que nem se aguenta. Os outros dois receberam “diplomas de empregados”. Começam amanhã, às nove.
  • Tenho um amigo desempreg… Esqueçam, entretanto veio o governo e pimba.
  • Andava aqui com um pêlo encravado que me preocupava. Fui ao hospital. Afinal era uma nota de quinhentos.
  • Conheço um fulano que tinha mil cabeças de gado. Hoje foi ver e tem mil cabeças de empregados
  • E acabou-se o despesismo das Câmaras com as lombas reguladoras do trânsito. Tenho um amigo que foi contratado para fazer as vezes duma, na hemifaixa direita, de quem vai daqui para acolá.
  • Conheço um fulano que, por abusar dos copos, ficou com o nariz vermelho-tinto. Entra amanhã às 7h como semáforo vermelho. Ainda não sabe onde. Outro conhecido acabou de ser contratado para o instruir; está agora a receber formação doutro… (acho que já perceberam a ideia).
  • Acabei de ser contratado para parar com isto. Viva o paf.
  • Só mais uma. “Batem leve, levemente,/como quem chama por mim./Será chuva? Será gente?/ Fui ver”. Era o Emprego.
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3 thoughts on “Ode ao pleno emprego e à economia enviagrada

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