Os números do “Governo” e… o Portugal de quando a Alemanha quiser

Foram criados cento e setenta e cinco mil empregos, diz a infame vilanagem. E será este o despudorado e martelado número com que nos vão martelar daqui até Outubro. Imaginem uma empresa que em quatro anos despediu cem trabalhadores. Este é o saldo: cem trabalhadores despedidos. Porém, ao longo desses quatro anos houve oscilações. E houve aquele mês de Agosto em que a empresa admitiu vinte trabalhadores. O que o governo está a fazer é remeter-se ao tal mês de Agosto. Ignora tudo o resto. E diz: “criámos vinte empregos” [cento e senta e cinco mil].

Não interessa quantos destruíram antes, quantos destruíram depois. Quantos vão destruir ainda que não voltem a pôr as patas nos destinos do país. Nem tampouco interessa o saldo final. Interessa apenas aquele mês de Agosto.

O governo optou por marcar o início e o fim da contagem. Escolheu um tempo conveniente. Vamos chamar-lhe Agosto. E anuncia-o como um todo. Tentei explicar isto como o faria ao meu filho. O Ricardo Costa explica aos adultos, embora erre ao chamar-lhe “truque estatístico”.

A propaganda do regime não se reduz apenas a um “erro”, nem a um “truque”, nem sequer a uma sórdida mentira; é um criminoso atentado à inteligência do eleitorado. Mais um pontapé na Democracia. É tomar-nos a todos por anormais. Nada de novo, portanto. Afinal, essa é a imagem de marca deste “Governo”. “Governamos uma cambada de indigentes mentais que mamam tudo, desde lhe douremos o biberão”.

Daqui até Outubro escreverei muito, pouco ou nada. Será ao ritmo da minha vontade. Não vá sair um nada, avanço com algumas perguntas e meia-dúzia de considerações. Lembram-se do que perderam durante estes quatros anos? Lembram-se dos direitos adquiridos que afinal não o eram?; de todos aqueles anos a descontar para o lixo? Lembram-se da fome? Dos mortos por causa dos cortes? Lembram-se da cara daqueles que agora só vêem uma vez por ano, porque um mito urbano os mandou emigrar? Claro que se lembram. São os nossos filhos. E para amainar saudades, temos o skype, conjunto de letras que em português não quer dizer abraço.

Lembram-se de Portugal? A “pesada herança” com que a vilanagem nos estuprará os ouvidos não explica nada. Não justifica nada. A dívida soberana não é culpa do povo, como este governo nos começou por dizer: “vocês viveram acima das possibilidades”. Os bancos, e quem lhes deu guarida, viveram acima das suas possibilidades, isso sim. E os juros usurários, que este governo maximizou sem chiar, serviram para revitalizar os bancos alemães. E ei-los, pujantes.

Há quatro anos, eu era português; hoje sou um mero habitante de uma colónia alemã, com governadores avençados, à imagem dos kapos de há… setenta anos. Assim mo ordenam, e assim incumpro.

Quem se ri da Grécia de hoje, esquece-se que está a olhar para o Portugal de quando a Alemanha quiser.

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