Estado do que resta da Nação e… Tomates Gregos

Hoje foi então dia de debater o Estado do que resta da Nação. Parece que a bíblia foi cabeça de cartaz. Entre pecados capitais e pragas, lá brincou o centrão à vã promessa da sã governança. E até houve espaço para essa coisa da fuga de informação. Que giros são; toma lá pecado, dá cá praga. Que ignóbil concerto.

Meto tudo no mesmo saco porque o PS insiste em não arriscar demarcar-se. Sem o menor sentido de Estado, vê nisso um risco. E acaba por se encolher, não se escolhendo partido de tomates gregosEsquerda. Já há algum tempo que decidi não trocar o péssimo pelo mau, o que quer dizer que não votarei nem num nem noutro. Sem que me contradiga, claro que preferiria um governo PS a mais disto que nos vem devorando e nos deixou como país os restos de uma farta jantarada à moda da troika. Mas o PS insiste no impossível. Nesse “do impossível ao inevitável sem nem sequer passar pelo improvável”, nome de prato estratégico com que nos regam gota a gota. A nós, vegetais. E nós vegetamos.

Pego agora no que chamam “crise grega”, maneira simplista, fácil e demagoga de reduzir a um povo o falhanço de uma união que sempre foi impossível. Porque nunca foi união, porque sempre se pretendeu, e quis, e conseguiu, ser essência de irresistível parasitismo. O sempiterno parasita teutónico, e seus sequazes, e o hospedeiro mais à mão. Desta vez integrámos o grupo dos obedientes devedores, em forma de melhor aluno.

Conhecendo este povo que há, assim como em “é o que temos”, estou seguro de que a vilanagem no governo soube, sabe e saberá aproveitar melhor os tempos que correm, reduzindo toda a Grécia a uma cambada de devedores relapsos, do que este PS, que insiste em ser nada e coisa nenhuma. Quando lhes calha a carta grega, eles passam. Ou dizem nada de jeito. Nada que se entranhe. Insistem em não ser Gregos, sem que com isso consigam dar passos de gente no caminho de arriar esta bandeira da ignomínia e da cerviz curvada.

E, suprema ironia, andam a discutir a vitória à permilagem. Entre o país e o partido, encolhem aquele para escolher este. As bases e o aparelho são bem maiores e mais importantes que o país.

De gente, de homem, seria pensar na inevitabilidade de, em breve, por influência de Espanha, se abrir um enorme espaço à Esquerda. Mas o PS decide não apostar nisso. Há promessas para cumprir (aos boys), e para isso urge ser governo. Nem que seja por um mês.

Eu, no lugar do Costa — mas isso sou eu, que tenho a suprema arrogância de me achar devedor e credor de um futuro para o meu filho –, já teria convocado um enorme congresso de todos os partidos de Esquerda. Cederia e obrigaria a cedências. Convidaria o Tsipras e o Iglesias.

E… perderia as eleições, ciente de que em dois anos, com o que para aí vai e para aí vem, essa derrota seria um mero passo atrás para depois dar dois em frente.

Não é possível? Sou um sonhador? Seria possível, sim, houvesse pragmatismo e um módico de inteligência, com um par de tomates gregos à mistura,

E sou um sonhador, sim. Não tenho essa coragem bastarda de me resumir ao que é; essa cobardia egoísta e castradora de me estar nas tintas para um futuro que será o do meu filho. Ver o tempo à distância de uma geração — a que é –, resulta num egoísmo atroz. Num suicídio atroz.

Mas isto sou eu. “É um sonhador, pobre diabo”.

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