Yanis Varoufakis, o Ministro do OXI!

In this Monday, June 16, 2014 photo Greece's new Prime Minister Alexis Tsipras, left, attends a book presentation of Yanis Varoufakis, right, in Athens. Economist and outspoken bailout critic Yanis Varoufakis, 53, has confirmed on Tuesday, Jan. 27, 2015 in a blog post that he will be sworn in as Finance Minister under the country’s new left wing government. (AP Photo/InTime News, Giannis Liakos)  GREECE OUT

Obviamente, não estava à espera que Varoufakis saísse do Governo. Nem sequer ontem, quando um dos mais frouxos microfones do regime defendeu a ideia, em tom de “queremos a cabeça dele”, me dediquei a pensar nisso a fundo por um segundo que fosse; precisamente por a ter ouvido da boca de quem a ouvi (refiro-me ao pequeno zé manel fernandes).

E é precisamente onde ontem nada vi que hoje vejo com clareza as razões da decisão de Tsipras e de Varoufakis. E não me refiro obviamente à singularidade da alimária atrás referida (embora a tome como ponto de partida), mas a um aglomerado continental de mesquinhezes e “pensares” semelhantes. Passo a explicar-me.

Por essa Europa, há muito se defendia a saída de Varoufakis como essencial para retomar as negociações. Ontem, depois dos gloriosos 61,3% do OXI, tal facto (a saída de Varoufakis) passou a ter um valor nada despiciendo (para a Grécia, entenda-se). E Tsipras e Varoufakis, depois de terem espetado uma notável e monumental lança bem no coração da vilanagem, limitaram-se a pensar.

Tsipras e os seus homens governam para o Povo, não governam para se governar. Os “credores” querem que o Varoufakis saia e vêem nisso uma conditio sine qua non? Pois seja. Eles verão nisso uma grande vitória, pensarão ter tirado o tapete àquele que mais os afrontou em pleno covil.

Pensado e feito. E naquelas cabecinhas, Tsipras cedeu e Varoufakis perdeu o tacho. Mera vitória de pirro, como se depreende do que acima disse. A política mantém-se, Tsipras não cedeu em nada e continua a jogar xadrez com quem não vai além do burro em pé. Varoufakis não perdeu coisa nenhuma e no momento próprio regressará. Retirou-se estrategicamente para satisfazer os zé maneis da vida. Em concertação com Tsipras.

Em suma, a vitória de ontem foi deliciosamente esmagadora. Os “credores” já salivavam fel e imaginavam a melhor e mais dolorosa forma de se vingar. E quem sofreria com isso seria o Povo Grego.

Havia que lançar uma perolazita aos porcos. Eles não a entendem, é certo. Mas olham para ela encantados. A sua vitória possível. Esquecem-se, felizmente, que estão a tratar com Homens e não com os vermes da sua igualha.

Tsipras e Varoufakis sempre disseram como vêem o exercício do poder. São representantes do Povo, e governam com o Povo e para o Povo. Nunca contra o Povo. A saída de Varoufakis não foi uma cedência, foi a continuação desta política. Traição ao Povo seria arriscar a mais ínfima percentagem do que quer que se fosse por uma teimosia. Na política do Homem para o Homem não há insubstituíveis. E o sucessor de Varoufakis parece-me o homem perfeito para a continuar, a começar pelo perfeito sotaque made in Oxford. Além de que já há muito estava pensado para isto mesmo, para quando fosse necessário. Foi agora.

E Varoufakis limitou-se a sair de cena, não a abandonar a luta, estou certo disso. Não tardará a continuar o seu trabalho. E estará pronto para defender a Grécia no lugar que Tsipras entender melhor. A propósito, a última palavra será sempre a de Tsipras e é essencial que assim se mantenha, mas até imagino que tenha sido o próprio Yanis a perguntar ao Alexis: “Olha lá, pá, quanto achas que podemos ganhar com a minha saída?” Ou então foi ao contrário; é absolutamente indiferente.

O que realmente interessa é a substância. O que realmente releva é ver a Democracia a acontecer. A cada hora. A cada dia. E vinda sempre do mesmo lado. Termino com a certeza de que o Povo Grego saberá aceitar esta decisão; porque não ignora o óbvio. Tudo é feito em seu proveito. Se o Governo assim decidiu é porque é o melhor para o Povo (é tão estranho, mas tão bonito poder escrever esta última frase e ter a certeza do que escrevo).

E acho que é isto.

Ontem a Grécia venceu o medo. E o medo não voltou durante a madrugada. Bem pelo contrário.

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