Hoje, vi-me grego, graças a Zeus: ad perpetuam rei memoriam

Hoje, vi-me grego, graças a Zeus. Aqui fica o resultado, para os efeitos do título. Dez posts no facebook (rcp, ouvir & falar, pegada). Dez pontos aqui.

1. Acabou este meu embargo de anos ao Pacheco Pereira. Brilhante artigo, no Público. Com a cereja no topo do bolo que é responder, de forma genial e lúcida, ao artigo de ontem do vasquito. Além de relembrar que, para permitir a entrada no euro, as contas gregas foram marteladas por mais do que mãos gregas. A LER. A Europa que nos envergonha.

2. An End to the Blackmail | O discurso completo de Tsipras, de convocação do referendo

“(…) Fellow Greeks, to the blackmailing of the ultimatum that asks us to accept a severe and degrading austerity without end and without any prospect for a social and economic recovery, I ask you to respond in a sovereign and proud way, as the history of the Greek people commands.
To authoritarianism and harsh austerity, we will respond with democracy, calmly and decisively.
Greece, the birthplace of democracy will send a resounding democratic response to Europe and the world.
I am personally committed to respect the outcome of your democratic choice, whatever that is. And I’m absolutely confident that your choice will honor the history of our country and send a message of dignity to the world. (…)”

A propósito, o ministro da economia espanhol chamou ao referendo, à devolução da palavra ao Povo, “rutura unilateral das negociações” que deixa a zona euro mais perto do “plano b”.” Trastes; já se tinham esquecido o que era a Democracia, ao ponto de já não conseguirem lidar com ela.

 3. Se o “sim” ganhar, temo que os neo-nazis vençam as eleições que se seguirão ainda no mês de Julho Por paradoxal que pareça. Aliás, o Varoufakis alertou para isso na última entrevista que deu. E este referendo tem tudo para correr mal. Os media vão atacar em força. E por mais que os gregos queiram resistir, não sei se aguentarão as milhares de notícias com ameaças deste inferno e do outro. Ou o Tsipras tira um enorme e suculento coelho da cartola (imagino que lhe passe pela cabeça um Putin em Atenas; o que não acho profícuo), ou está tudo… pardon my french. Mas não havia saída que não passasse pelo referendo. Os europorras é que julgaram mal o Tsipras. Julgavam-no um “democrata” como eles. Enganaram-se. O Homem leva a Democracia à letra. E tem uns tomates maiores que a distância entre o Atlântico e os Urais.

4. Referendum is not the right decision. It’s the left decison. Oh yeah!

5. O KKE (PC grego) apela à abstenção no referendo de 5 de Julho. Puta que os pariu. Como é possível? Nem nisto, pá? Nem agora? Não são gregos, resumem-se a comunistas. Ainda há dias malhavam no syriza, a que chamam /partido de “esquerda”/, por ceder aos credores. A Democracia também os apanhou de surpresa. Mas o que realmente me espanta é eu ainda esperar alguma coisa desta canalha umbiguista e autofágica. Mea culpa!

6. Hoje li cerca de um milhão e doze comentários, espalhados pelas redes sociais e pelas caixas de lixo dos jornais online, que acusam o Syriza do 13.º trabalho de Hércules. Parece que foi o Governo eleito em Janeiro que conduziu a Grécia ao estado de sitio em que a colocaram. É obra. E vai ser assim, preparem-se. Uma semana de violenta intoxicação. No que me toca, cá continuarei a inventar dias com 36 horas. Semana durinha em perspectiva.

7. THE CONSTITUTION OF GREECE [Sýntagma, Σύνταγμα]

Article 1
1. The form of government of Greece is that of a parliamentary republic.
2. Popular sovereignty is the foundation of government.
3. All powers derive from the People and exist for the People and the Nation; they shall be exercised as specified by the Constitution.

8. Uma das questões do dia, que a direita grega se apressou a levantar, foi a da inconstitucionalidade do referendo. E lá me pus a ler a Constituição Grega. A invocação de inconstitucionalidade assenta no princípio de não ser possível referendar questões financeiras.
Não foi necessário ir muito fundo na análise, uma vez que me deparei com um Princípio maior que invalida os patéticos obstáculos neo-liberais.
O n.º 2 do artigo 44.º da Constituição é claro que chegue: “The President of the Republic shall by decree proclaim a referendum on crucial national matters following a resolution voted by an absolute majority of the total number of Members of Parliament, taken upon proposal of the Cabinet”.
Em suma, seguidos estes passos, que são pim-pam-pum, tenho por evidente que não há inconstitucionalidade alguma. A questão a referendar é obviamente crucial para a Grécia e pode e deve ser sujeita a referendo. Se por acaso roça questões financeiras é completamente indiferente.
Aliás, não há, hoje por hoje, questão que seja crucial para a Grécia e que, por extensão, não assente em matéria financeiras.
Os avençados gregos, tal como os eurogrupoides, estão em pleno orgasmo interrompido. Diz que dói.

9. No fim desta semana, se não me considerarem cidadão grego honorário, mudo-me para o eurobruto.

10. E por hoje chega. A despropósito, que nem aparecem na imagem, já reparam no ar draculiano dos caninos do vlad Tsipras?

tsipras vlad

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