… eis o não-sporting

O Sporting sempre foi um clube diferente. Não vou qualificar essa diferença para não exaltar clubismos, o que aqui não pretendo. Mas era-me uma diferença benigna. Afastei-me do futebol, que já há vários anos me vinha desgostando, porque nele via representado um conjunto de vilezas que atentavam e atentam contra os meus Princípios e contra a minha forma de estar e ver a vida.

Mas o Sporting, como ideal clubístico de forma de estar no desporto – e por extensão, na vida –, lá continuava, perdendo e ganhando, nesta ou naquela modalidade. Lá continuava, sim, como imagem de um Princípio, embora perdido naquelas vilezas de que acima falo.

Adiante.

Uma instituição, independentemente da grandeza, não deixa de, em cada momento se resumir aos homens que a representam. Este resumo pode significar grandeza. E foi essa grandeza, colecção de resumos, que criou o Sporting. E os homens vão passando e a instituição finca-se e não se fica. Finca-se e não se finda. Mesmo que pelo caminho surja quem se quer servir, ao invés de servir. Como que uma espécie de regra, que para o ser tem de comportar excepções (ou não seria regra).

Emblemas do Sporting

No entanto, há momentos em que sentimos que a excepção vira regra. E aquilo em que acreditamos passa a ser um longe-distante. Um já-não-é.

Neste momento, e assim o vejo, o Sporting é a excepção a quem lhe decide o caminho. Uma espécie de paradoxo, mas meramente aparente. O Sporting como ideal virou excepção ao clube que ora existe. Por outras palavras, o Sporting já não É. Virou o disco. E no lado B ouve-se o fado da inexistência, de um suicídio havido e ontem formalmente anunciado.

E esse não-Sporting consegue ser tudo – tudo! – aquilo contra o que luto. A ignomínia, a vileza, a mediocridade.

Esforço de parecer, Dedicação aos interesses do actual regedor, Devoção a dinheiros sujos e com origens obscuras, e Glória. Glória será a marca da máquina de lavar que hoje é este não-Sporting. Uma inglória.

Esta glória é hoje a glória do álvaro sobrinho. Basta recordar a resposta deste ser à Mariana Mortágua, na Comissão Parlamentar de Inquérito à Gestão do BES e do Grupo Espírito Santo, para saber da glória. Onde está a glória em ser mais uma portagem para a cleptocracia angolana, que vive além e apesar do povo?; sem olhar ao povo. Onde está a glória em ser a versão desportiva da CPLP, que albergou o ditador obiang?, esse não-homem que mantém o povo refém do medo há mais de três décadas. “Nasceu do demónio e alimenta-se do medo de um povo medroso”.

Tudo isto não é o Sporting. Certamente que é esta neófita negação, de baliza aberta,  a que acima me refiro e com que titulo este artigo. O Não-Sporting. Por estes dias morreu a regra da fundação. Erigiu-se a norma da vileza.

Tenho passado os dias a lutar contra tudo o que hoje é representado por esta antinomia do meu Sporting.

Isto já vai longo, e penso que a ideia já passou.

Acrescento só umas coisas de circunstância que me parecem óbvias. Não aplaudo camisolas sem olhar a etiqueta de quem as veste. Aliás, não aplaudo camisolas. Lamento profundamente este hoje. E não, não me refiro a atravessar a ir buscar ao lado de lá da rua o Jorge Jesus. É legítimo. Parvo, mas legítimo — e nem imagino como será calcorrear as ruas de Portugal na pele do novo treinador do Sporting; a liberdade do JJ é plena e isto não faz dele um traidor, apenas um ingénuo. Não é indecente, não fosse tudo o resto que acima digo. Mas com isso não tem o treinador de futebol nada a ver. Ele lá saberá. Indecente é comunicar à CMVM que, “não tendo sido possível chegar a acordo, o Treinador Marco Silva foi hoje informado do seu processo de despedimento por justa causa”. Notem, como não foi possível mandar-te embora a bem, vamos ser sujos, porcos e maus. E dizer que tu, que acabaste de ganhar uma Taça de Portugal, que ousaste lutar contra o regedor para manter um Sporting digno, incumpriste com os teus deveres laborais. E vais daqui sem um tostão, pela porta mais pequena (espero que o Marco Silva ganhe tudo o que houver para ganhar, em todas as frentes, sem esquecer a penal, contra este não-sporting).

Há muitas formas de ganhar, perdendo. E as contas não se fazem no fim, que a bola que entra ou não pouco me interessa. Estas são as minhas contas.

E era isto. Eis o não-sporting.

Lamento. Lamento imenso.

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One thought on “… eis o não-sporting

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