Glezos: “Vamos dizer a estes tubarões que não temos mais sangue para lhes dar”

“O infoGrécia traduziu o apelo lançado hoje por Manolis Glezos. O eurodeputado do Syriza e histórico resistente ao nazismo defende que a reacção dos gregos ao “sufoco” provocado pelos credores deve ser tomar as ruas e não deixar o governo recuar no braço de ferro das negociações”.

Glezos

Sufoco!

Só esta palavra pode descrever o que os chamados “Parceiros” Europeus têm andado a fazer nos últimos quatro meses à custa do nosso povo e do nosso governo, com o aplauso constante dos seus aliados nacionais. É como se tivessem enfiado um saco de plástico na cabeça de cada cidadão deste país, desde que o povo grego ousou levantar-se e dizer: Basta!

Todos os dias ouvimos a troça vinda de cima. Todos os dias nos chegam afirmações pérfidas, com a certeza de que apenas uma voz merece ser ouvida, uma voz que tem a sorte de pertencer a alguém Muito Poderoso (ainda que corrupto) da Alemanha, a alguém mui venerável (mas capaz de viver feliz num paraíso fiscal) do Luxemburgo, a um respeitável francês (ainda que desprovido de espinha e com tendência para se esquecer das coisas), ou a um vigarista dos Países Baixos, especialista em ajoelhar-se diante do Muito Poderoso.

Olhem para esta Europa e para estas “instituições”!

Mas então e nós? Que faremos nós? Que fará o povo grego? Ficaremos em casa, passivamente, a ver televisão, na esperança de que a calamidade que afecta todo o nosso país não nos bata à porta?

Lamento estar longe da Grécia, desta vez. Mas lamentarei ainda mais se, amanhã, não vir o povo tomar as ruas com toda a sua dignidade cheia de raiva transformada em acção política dirigida contra aqueles que planeiam a sua destruição.

Temos o dever para com as gerações futuras de dizer a estes tubarões que nos surgem como credores que não temos mais sangue para lhes dar. Vamos para as ruas dizer ao nosso governo que estamos do lado deles, mas só se não recuarem um passo.

Em meados do século I da nossa era, um daqueles cujo nome não ficou gravado na história disse assim: “enquanto a memória da liberdade viver na mente das populações escravizadas, elas procurá-la-ão e resistirão. Mas quando o mal vence, as pessoas deixam de acreditar que o possam afastar, e resignam-se a acomodá-lo nas suas vidas. Nesse momento, a destruição é completa”.

Companheiros gregos, agora é o momento de mostrar a toda a gente que guardámos a memória da liberdade, a ideologia da resistência.

Bruxelas, 22 de Maio de 2015

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