Carta Aberta ao Dijóôkaralhodjinome

dij e o vinho

Tive de interromper uma orgia (e logo a das terças, porra) para te dirigir estas palavras, pá. Mas trouxe o garrafão de carrascão para me ajudar durantes estes minutos de semi-abstinência. A coisa tem, portanto, de ser rápida.

Vamos lá conversar sobre esta cena que disseste: «europeus do Sul gastaram dinheiro em “copos e mulheres”»

Agora a sério, Adolf (trato-te assim por preguiça, e tu bem sabes como a malta do sul é preguiçosa – mas o nome até é o teu focinho). Noto que a tua frase assenta num saber de experiências feito. E toda a Europa passou a saber o que cá fazes cada vez que cá vens. Ao “sul”.

Na impossibilidade de o teres doutra forma, pagas por ele. E não há nada de errado nisso, homenzinho. A Holanda está, aliás, muito à frente nesse ponto (tu não és a Holanda, Adolf). Espero é que seja sexo consentido, pese embora esse teu ar de orgasmo em forma de soluço. Mas não nos meças pela tua pilinha, rapazote.

Ia dizer “pensa bem”, mas depois percebi que isso é conselho inútil. Transformar as tuas experiências por aqui (vulgo: turismo sexual – só pode, pá!) no que NÓS SOMOS é extremamente hilariante. Melhor, seria. Porque a frase diz tudo de ti. E nada de nós. A merda é que resulta ofensivo. Daí o “seria”. E aí toda a piada se vai. Manifesta a teu bel-prazer a tua forma de estar no mundo. Mas não entres por aí.

Passaste demasiado tempo com o anterior primeiro ministro, aquele, o das vénias. E com o gaspar, aquele, o das vénias. E a maria luis, aquela, a das vénias. Estás a ressacar, só pode. Portugal deixou de ser a tua puta; os teus donos pedem-te contas; o teu “pfffésdê trabalhista” (psd com coelho nos anos áureos da troika) perdeu 29 dos 38 deputados que tinha. Com jeitinho cabem todos num táxi.

Estás ressabiado, homem. E, mais uma vez, tal como faz o teu guru xóible, vai de marrar com o sol do sul. Ele nisso, justiça seja feita, dedica-nos mais tempo; é mais preciso. Não há cá desse conceito vago e indeterminado – povos do sul. O deutsche bank está com problemas? Portugal! Hoje torceu-se-me uma rodinha? Foi o Costa. Com o coelho nada disto acontecia (sempre de almotolia no bolso). Um nórdico torcia o pé e, lá vinha asinha: “Portugal?! Vai já para o quarto”.

Quanto à coisificação da mulher? Epá, acho francamente que deves passar a andar de coquilha (também deve haver para o teu tamanho), mas não pode ser um resguardo qualquer. Aconselho uma espécie de ferragem, que as mulheres do teu país saberão responder-te al dente, morenaço. Ao teu esparguete, pá! Acaso cá voltes, aqui aos países do sul, aconselho-te vivamente uma armadura. Imagina-nos todos bêbados e encharcados de mulheres – cena marada esse teu sonho húmido (sério que estou em pulgas para saber como as tuas palavras serão recebidas na Holanda).

Agora, deixando de lado os teus complexos, tu és a antinomia do ideal europeu. E dizes-te progressista? E holandês? És um farrapo de homem, cabrão. Bem sei que o anterior governo tuga fez de todos nós umas putas, soldados dos mercados. Estás a estranhar. Entranha, pá.

Aqui há mulheres e homens, espécie de holandês. Digo espécie porque não posso (seria falso) definir o teu país em função da tua triste existência.

Chega cá mais perto, Adolf. Não tanto, pá, mais para trás. Mais um pouco, agora encosta-te à direita. Mais, mais. Mesmo na extrema. Aí. Lado a lado com o geert wilders. Aí é que estás bem. Avante! (ups)

Olha, não somos a tua puta. Tu és a puta e o teu chulo é quem te paga luvas ao fim de cada mês. Vamos chamar-lhe “mercados”. A quem te ordena o discurso. Mas hoje tenho a indelével sensação que marraste de frente contra a parede. Foste tu, sem máscara. E o teu patrão é gajo para não ter gostado. Porque foste demasiado tu, sem peias. Foste aquele teu apelido. djisselcoiso. Os teus patrões terão torcido o nariz, sim, mas descansa; eles não prescindem de trastes.

Pá, andámos quatro anos a marchar a tua marcha e a dos teus donos. Portugal deve fazer-te imensa comichão, agora que não o comandas tanto (o governo tuga acabou de pedir a tua demissão). Liga ao coelho. Ambos padecem de 2,1% de défice.

Espanha será Espanha (verás), Itália (mais sul-sul não há), Grécia (tu e os teus patrões destruíram a Grécia; e haverá consequências, cá estaremos, putanheiro, para as ver – tu no goldman sachs, vai uma apostinha?)

E termino isto que tenho de retomar o bacanal.

Só mais uma coisa, não penses que nos tomas por parvos. Disseste o que disseste para obter este tipo de reacção. Estás a prazo no Eurogrupo e sabes isso (já só és ministro das finanças a prazo). Eu sei isso. A Europa sabe isso. Aposto no goldman sachs, que tanto conhece deste sul, ou não tivesse martelado as contas gregas. Sobram lá lugares para trastes como tu. Nós também lá temos um; fico curioso para saber das hierarquias. Mas, temo que, por mais traste que sejas, nunca serás tão reles quanto ele. Prezamos muito a qualidade, Adolf, e esse nosso traste é artigo trabalhado e sabido. Uma puta como tu, sim. Mas pior/melhor do que tu. E termino com este elogio ao teu trabalho. Ao pé do durão és um menino.

Quando voltares a Portugal apita. Vou-te esperar ao aeroporto e a seguir vamos juntos passear. Há imensa gente com ganas de te conhecer (estou a gozar, pá, achas mesmo que largava estes meus afazeres báquicos para te servir de guia?).

“Acusem-me, porra”

João Nabais, Advogado, a dar pérolas a porcos. Este processo já devia, tal como o meu Colega refere, ter sido dividido em dois, três, quatro, cinco… Os que fossem necessários. A pergunta “mas tu achas mesmo que ele é inocente?”. Francamente? Não me cabe a mim achar, cabe à Justiça julgar. A minha opinião sobre a culpa “dele” é irrelevante, absolutamente irrelevante. Tenho é a decência de assim a considerar, publicamente. Não acho nada, não nos movemos por “achismos”; vivemos num Estado de Direito Democrático com regras processuais que devem ser cumpridas.

Não se encerara um homem por dez meses com base em nada; e a prova de que era mesmo nada foi todo o tempo que decorreu desde então. Três ou quatro anos (ele saberá os dias e as horas). Com base em nada. Nada de suficiente que sustentasse uma acusação, pelo menos.

“Acusem-me, porra” é o mínimo que o Estado Direito deve cumprir com um Cidadão.

Sócrates esteve dez meses detido preventivamente; para que tal acontecesse havia (teria de haver) fundamentos sólidos (os tais indícios sérios de que fala João Nabais) para uma acusação. Assim não foi. Havia zero. Ou muito pouco, nada que sustentasse uma acusação que devia ter saído nos meses seguintes. Há mais factos? Venha outra acusação. Mais ainda? Outra acusação.

Se hoje há muito? Continuo sem saber. O que sei é que os prazos foram adiados sine die. Por causa de dois magistrados ineptos que mais não fizeram durante quatro anos do que alimentar a comunicação social, que diz saber de factos que a defesa ignora. E que aventa “verdades” que dificilmente passarão a mentiras. Responsabilidade zero.

Ter o correio da manha como interlocutor privilegiado do que se passa no processo é a prova de que batemos no fundo do fundo e, não contentes com isso, encontrámos uma porta e entrámos e continuámos a escavar. Tudo isto mete nojo e tudo isto é motivo de repulsa. O plural é meramente narrativo, não me incluo nele. Insisto que nada sei de Sócrates e de sua culpa ou inocência. Não posso concluir nada que não parta de decisões transitadas em julgado. Posso depois concordar ou não, mas isso é outra loiça. E certamente não opino assente em artigos de cornetas do diabo. Que vomitam o que a acusação lhes dá a mamar. Esse contrato entre o magistrado do mp e o correio da manha é a prova de que há muito para rever.

O “jornalismo” e as fontes. O “mp” e o “jornalismo”. E não rasguem as vestes, ó virgens. Censura é o que se passou até agora. Censura é este processo sem contraditório. Não falo de censura, falo de responsabilidade e de responsabilização. Não chega afastar o rosário teixeira do processo, há que investigar e responsabilizar os responsáveis por todas estas fugas diárias para os media.

Nada disto é novo, podemos recuar a Leonor Beleza, que soube pela comunicação social os termos da acusação. Proença de Carvalho, seu Advogado, teve de escrever um livro para poder defender a sua constituinte das atoardas de então. Sei que há cerca de vinte e um anos assentei o meu trabalho de agregação à Ordem do Advogados nesse assunto. Mantenho-me irredutível porque, porra, é-me tão óbvio. Não é pelos jornais. Melhor, a investigação jornalística pode espoletar processos; não pode é ser a voz do dono, que por sua vez também fica a parecer igual. E entre tantas vozes e tantos donos perde-se a Justiça.

Nunca ninguém saberá se Sócrates é culpado ou inocente. Agradeçam a quem diariamente vomitou manchetes para o correio da manha e para quem, “de referência”, lhes segue as patadas.

Lembram-se do caso Maddie? De como todos os dias havia uma conferência de imprensa onde “o tribunal” dava nota das evoluções? “Para inglês ver”, e nunca a expressão calhou tão bem. Mas por aí é o caminho. Já o era há vinte e um anos. O que vocês, jornalistas, podem dizer e saber é “isto”. Apenas isto. Se pisarem o risco estão a assaltar um tribunal; ainda que não partam vidros, ainda que não forcem portas. Se souberem mais do que isto, disserem mais do que isto estão a vilipendiar a Democracia.

Mas voltemos ao caso Sócrates. O tavares do Público já se dá ao luxo de pedir responsabilidades ao PS; já se dá ao luxo de explicar aos “pró-socráticos” o despacho da Procuradora Geral da República. Gostaria de pensar que são reminiscências do tempo em que foi recruta do correio da manha; ou de quando – antes disso – passou do zero ao cem por causa de um processo que Sócrates lhe moveu – e o tavares ganhou, e terá gostado de ver justiça feita (coisa que agora ousa fazer… à pata). Na verdade, tendo em conta os diários despautérios, resta-me achar que é a forma que o Público tem de ser… “plural” e de descer ao nível do microfone caído no fundo do lago (a mais bela jogada do Ronaldo).

Agora direi aquela coisa óbvia do “ponham-se no lugar dele”. É impossível. Este processo só ganhou os contornos que ganhou porque se trata dum ex-Primeiro Ministro. Naquele exacto lugar não é possível. Mas podemos adaptar as circunstâncias às realidades de cada um.

A instrumentalização da justiça pela comunicação social, com o poder político metido no meio a distribuir cartas é a negação da Democracia. Tudo serve para vilipendiar. Porque o sangue vende. E ganha-se dinheiro e ganha-se tempo e ganham-se razões. E quem duvida da culpa do homem, sujeito a tal ataque, em tantas frentes?

Mas ouve cá! Quando chegar o teu dia, quem duvida da tua culpa? Nasce connosco pararmos quando alguém tropeça numa pedra e se espatifa no passeio. Entre o riso e o acudir. Até aí percebo. Mas ouve cá! Quando chegar o teu dia, quem duvida da tua culpa? A galinha da vizinha que é mais gorda do que a minha e como raio ousou a minha vizinha? É isso? Tão só? Tão-só!

E concluo:

– Sócrates não me é indiferente. Já o achei solução (votei nele) e ao fim de seis meses arrependi-me. Mas não renego a minha responsabilidade que adveio de algo simples. Simples e grandioso. Simples levantar o cu do sofá; grandioso poder escolher, enorme poder errar. Este “poder dizer de nós” custou décadas de silêncio, de tortura e de morrer e de ir matar no ultramar. Não fiz o 25 de Abril, mas ninguém me impede de o continuar. O filho do Francisco Sousa Tavares, em crónica no Expresso, asseverou três vezes que não era por Sócrates. Ao contrário do pequeno miguel, não tenho de me justificar vez nenhuma. Ou talvez só uma. Não quero de volta os tribunais plenários, onde já ias de sentença lida.

– Fui votar, dizia (quem crê que “a abstenção é a solução” que funde uma igreja ou então olhe as recentes eleições na Holanda; 80% de “aqui estou eu” impediram a eleição de um fascista). Mas não é só essa a causa de não me ser indiferente. Dê por onde der, olhe-se por onde olhar, seja o resultado o que for, valerão sempre mais aquelas centenas de manchetes a dar o homem como culpado. Quais os crimes? Epá, isso não interessa. Inocente ou culpado, o grande rosário já disse e distribuiu a sua justiça. E, temam, é essa que vai valer. Sentenciados todos nós pelo correio da manha.

– A PGR deu uma no cravo e outra na ferradura. Tomem lá mais mês e meio e depois quero datas. Daquelas que marcam o fim. Uma acusação. Metem-se as férias de verão e lá para Outubro ou Novembro teremos a revelação-acusação. Acaso, entretanto, não surja mais uma ligação perigosa – vejam lá bem se o homem não andou a escutar o trump, o Obama e o putin ao mesmo tempo, qual agente triplo. Nessa altura teremos oportunidade de ver exactamente quais os indícios seriíssimos e gravíssimos que, naquela altura, levaram à prisão preventiva. Aposto singelo contra dobrado que o que consta do despacho que decidiu pela prisão preventiva será inócuo. Em face da acusação, entenda-se. Que será grandiosa, terá de o ser. E este ter de ser é tramado.

– Para terminar deixo uma certeza. Num processo destes, envolto em sigilo, é simples saber que soltou informação para os media. Basta olhar quem esteve presente e investigar. Tão simples assim? Como é que se sabe tanto (nada) cá fora do que foi dito lá dentro? Com o número limitado de pessoas que esteve presente em cada uma das diligências judiciais seria tão simples assim. Não perdendo de vista que apenas uma esteve presente em todas, a coisa resultaria ainda mais simples. Mas vade retro, que quem for por aí acaba detido preventivamente, não porque haja provas. Mas porque urge recolhê-las. Eu tenho de ter especial cuidado porque em 1984 olhei as torres gémeas. E, notem, dezassete anos depois aconteceu o que aconteceu. Não há coincidências, rosário. E, confesso, também já pisei a relva. Várias vezes. Várias relvas, de todas as cores, de várias formas. O que te facilita o estar é esta minha confissão.

– Sabem o que acho mesmo? Metade das pessoas que chegaram ao fim deste meu texto insistirão na pergunta: “Então achas mesmo que o gajo é inocente”? E isso é o que eu acho. Nada mais. Metade das pessoas que chegaram ao fim deste meu texto insistirão na pergunta: “Então achas mesmo que o gajo é inocente”? Não era esse o ponto. A questão é que a Justiça não é aquela menina ao lado do João Nabais.

Continuo a acreditar na Justiça, mas Justiça-mesmo. E a Justiça não é aquela coisa lá longe. Somos nós. Erra, pois erra. Erramos, claro que sim. Estas palavras acima representam o que penso da Justiça. Para que não haja MESMO confusões. Creio na Justiça. E todos podemos e devemos contribuir para ela. Uma coisa vos assevero, quando a entregarmos a máquinas, vamos todos dentro. No entretanto, há é que extirpar da Justiça o que não lhe pertence.

Este texto é a minha singela contribuição. Tenho andado engasgado, outras palavras se seguirão. Oxigénio.

novas da trika-troika e do diabo

Última hora: no próximo Domingo marques mendes vai abordar o tema “Centeno enviou a domingues um whatsapp-vídeo onde se pode ver o Ministro a fazer um pirete à frente de uma declaração de rendimentos”.
Que idade é que esta malta tem, mesmo? Diz-me que política praticas dir-te-ei que tipo de gente és. Qual a relevância política (objectiva!) que esta estorieta tem? Melhor, em face dos resultados apresentados por Centeno no que respeita à gestão da coisa pública, que interesse tem esta treta? E claro que errou, ao ter pensado que não era assim tão importante para um tipo que vem do privado exigir não ter a declaração de rendimentos “publicitada” (confiou que quem não deve não teme).
Mas não, não é suficiente para demitir um Ministro como Centeno (ai é só por isso?; não, não é, mas também não ignoro a mais-valia que este Ministro representa). Diria “temos pena” se vivesse o país como quem vive a bola. Partidarismo e clubismo são sinónimos na essência. E o problema começa aí.
O que realmente mói a trika-troika marques mendes, coelho e cristas são os resultados de Centeno. 
Em suma, a culpa é claramente do défice ter atingidos mínimos históricos e de a ausência de “oposição” ter atingido máximos históricos. E do diabo, também; que não há maneira de chegar. Não deve haver rede no inferno, ou já lhe teriam enviado um sms.

A troika mm-psd-pp, o ZERO da direita e o elogio a Centeno

O diabo não chegou e a oposição, liderada por marques mendes, tem uma única arma de arremesso. A Caixa e o processo “declaramos-os-rendimentos-mas-é-a-porra”. Quem anda com os pés no chão não terá dificuldade em adivinhar o que se passou, mesmo. Nada de relevante. Ordem do dia e pontos marginais à dita.

No que verdadeiramente interessa, Centeno mantém-se intocável e a prova disso é que a dita oposição não larga o osso da Caixa, com a inestimável ajuda dos media tuga. A questão só está de pé porque marques mendes y sus muchachos (psd e pp) não têm mais nada a que se agarrar. E a ironia é que o ataque a Centeno é um elogio a Centeno.

Mas quando o diabo não vem, inventa-se nos detalhes. Há a Política e a politiquinha. Há a gestão da Coisa Pública e há o que a troika mm-psd-pp estão a fazer.

Centeno e Costa foram uns anjinhos, sim; o que nada me surpreende no primeiro e me deixa boquiaberto no segundo. Acaso contaria Costa que a “troika” acima referida ia colocar o país à frente do respectivo umbigo e das avenças que a motivam? Ainda para mais com marques mendes ao leme, que se deve sentir a rondar os dois metros de altitude. Não me enganei, é altitude mesmo, o homem está a ter os seus minutinhos de relevância, empoleirado em cima de uma Caixa.

Deixo um alerta ao Primeiro-Ministro. Quem com ferros mata, com ferros morre. Algo que ele por certo saberá. Assim como sabe que não há ninguém no Governo chamado Marcelo (pensar o contrário pode ser um ferro que mata). E mudo de assunto ou isso. Quanto ao Presidente da República, a razão assente nos factos diz-me que nada há a apontar. Apenas isso. Melhor, a razão assente nos factos que saltam cá para fora. Sem esquecer quem foi Marcelo antes de ser Presidente e querendo muito que esse modus operandi d’antanho não volte e leve a melhor.

O tempo dirá se este não-assunto vira assunto sério. Seria uma lástima que esta troika possível (eles não sobrevivem sem uma) levasse a melhor sobre a República.

Mais uma coisa, se Centeno cair perderemos um bom Ministro. A “troika” desce ainda mais nas sondagens. O Governo e o Presidente, ó ironia, mantêm-se incólumes. Daria para rir se não desse para chorar.

Lá no final, entre anjos e anjinhos, diabos e diabinhos, se acertarão contas. E o assunto Caixa será o que é. Nada. Zero. O zero que é esta direita canhestra.

Make America Divided Again

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Começo com uma estória e adiante falarei de História. A nomeação de jeff sessions como “Attorney General” estava a ser questionada por Elizabeth Warren (esta nomeação equivale a ter hermann göring como juiz e acusador nos Julgamentos de Nuremberga). E eis que aconteceu o que podem ver neste vídeo. Warren foi “democraticamente” silenciada. Diga-se que a regra invocada não se aplica ao gop, mas apenas a Elizabeth Warren (que, já agora, foi das, dos que mais lutou contra esta distopia feita realidade – o Pedro Mexia, por quem tenho imenso respeito, esqueceu-se ontem, no Expresso, de a referir, assim como ao Sanders, assim como… e podia estar aqui o resto da noite “naming names non-gop”). Adiante.

jeff sessions e stephen bannon (ex-director do breitbart news, “jornal” onde trump vai buscar as suas “non-fake news”) são os principais conselheiros de trump, ambos da alt-right, espécie de liriquismo moderno para fascismo antigo. Ambos – tudo ao limite e assumidamente – são racistas, xenófobos, misóginos, anti-islão (nada a ver com terrorismo), anti-semitas (true story – e isto explica a relação-montanha-russa de trump com Israel) e contra tudo o que nos aproxime de Ser Humano.

Numa palavra, adaptada a XXI, são fascistas – uso a palavra não como quem diz “ó facho”, mas pelas patentes e assumidas semelhanças, de bannon e sessions, com o ideal proto-fascista.

A onda que por aí corre (raposos, rangel, jmtavares, etc, à cabeça – triste o país que tem tais cronistas como ideólogos de direita), assente em investidas googlianas e wikipedianas, que pretende “exorcizar” (dizer “é mentira!”) o fascismo destes eua, devia tentar ao menos disfarçar as fontes. E começar a acreditar que os comunas (para eles toda a esquerda é comuna) não comem criancinhas. Para tentarmos avançar para um conceito, temos de nos livrar dos pré-conceitos; começar por baixar os níveis do complexo de inferioridade (o mesmo de que trump padece) é um bom princípio e um Princípio sine qua non – essa cena de a esquerda se julgar superior está nas cabecinhas de quem disso padece (não confundam a burguesa câncio com esquerda, e parem com essa guerrinha de o meu clube lx é melhor do que o teu clube lx). Perguntem ao Mexia se tem pachorra para vos dar aulas ou assim. O Pacheco Pereira por certo não terá. Adiante.

Ontem, Elizabeth Warren foi censurada. Não há outra palavra. Agora façamos um exercício, ainda a meio da terceira semana do trumpismo. Se Warren foi silenciada, se ainda nem três semanas se completaram, imaginem o que aí vem.

Li há pouco a crónica do Ricardo Costa, no Expresso. Basicamente “defende” (e como o percebo) que esta coisa deve resolver-se em eleições. Nada de rebuliços, ou a coisa agrava-se. Percebo, compreendo, mas discordo. A Democracia não se esgota no voto, a acção dos eleitos e a eventual resistência a essa acção são as cenas dos capítulos seguintes. E também isso é parte da Democracia (aconselho a leitura deste artigo do Pacheco Pereira). No que nos toca, temos essa ideia consagrada no artigo 21.º da nossa Constituição.

A guerra civil terá tido vencedores, mas não teve vencidos. Nem, e esta é a pedra de toque, convencidos. E há que não esquecer que falamos dum país que não completou três séculos, e quer bannon quer sessions terão memórias, em forma de historinhas dos confederados bisavós, contadas à volta da lareira, enquanto se juravam vinganças.

E eis que chegou o dia.  trump é uma marioneta nas mãos de bannon & sessions.  E ambos são inteligentes o suficiente para lhe passar a ideia que ele está no comando. No que releva, eles comandam.

Em suma: os eua estão a viver uma crise de adolescência, o federalismo estado-unidense está em agonia. E a secessão parece inevitável. Não vale a pena empurrar com a barriga. Foi esta “união” forçada que conduziu o mundo a este estado de sítio. As cedências, os pontos de equilíbrio nunca foram entre “republicanos” e “democratas”. Mas entre representantes de Estados dentro de um Estado parasita e parasitado. A guerra civil nunca acabou e ganhou asas quando trump foi eleito. E obviamente o fascismo vai cavalgar trump. Basta afagar-lhe o ego. Finalmente estão juntas a fome e a vontade de comer. “Grab us [and u.s.] by the pussy!” And roll the dice.  

Há um ano atrás, ninguém imaginava este “hoje”. Só um louco arriscaria tal previsão. Um tipo habitua-se a ver o muro sempre da mesma cor. Pintam-no, e o mesmo indivíduo rapidamente se adapta. As pontes dos eua não têm cor, desde logo porque carecem de substância. Os muros, estes em concreto, são perenes. A esta velocidade, não imagino como se fará, como acontecerá. Mas o país que nunca o foi está dividido em tudo.

O resto do mundo pagará o preço da crença no Império Made in USA. Mas mais vale isto do que este torpor, que chove e molha. bannon e sessions são quem manda; sucede que nem todos os Estados baixarão a cabeça. E não pensem que a modernidade de XXI nos afastará do que aí vem. Leiam Bauman, e verão da liquidez dos nossos tempos.

Warren e bannon vivem em países diferentes. E a realidade tende a impor-se (a História tem destas manias), sem olhar ao século. Esqueçam o make america great again e o america first. A realidade assemelha-se mais a make america divided again e a california first. Colocar “século XXI” à frente de qualquer análise dos tempos que correm equivale a tentar diminuir o areal da Figueira da Foz à força de baldes de água com sal. Império algum assumiu o seu fim. Todos os tempos “imperiais” se anunciaram como o fim da história.

O último certificado de óbito da História foi passado por Fukuyama, após a queda do muro de Berlim. Cedo piaste. A História dos homens no Planeta terá um fim quando ele rebentar connosco ou nós com ele. Até lá, o circo vai continuar.

A ORIENTAÇÃO SEXUAL COMO CIRCO-RELIGIÃO, “o football-they-say”, o circo-gayzola e a homofobia às avessas

Ontem estive a ver (e a ler) um pouco daquela espécie de luta livre estado-unidense. O tal de “football-they-say” (uma espécie de Fight Club que se joga com uma cena oval mas que sem isso jogava-se igual – com um par de meias ou assim), que tem pouco de foot e nada de ball (a ball é redonda).

A luta — luta! — era entre a equipa apoiada pelo trump (New England Patriots) e os Atlanta Falcons. Resultou como nas sondagens, tal como em Novembro. Depois de os Falcões (uma espécie de Rio Ave lá do sítio) estarem a aviar os patriotas (uma espécie de FCP dos tempos de Mourinho, munidos por uma espécie de Ronaldo) por 28-3, estes deram a volta e venceram por KO.

Mas não era disso que queria falar.

A meio da pancadaria entrou a Lady Gaga, e no twitter havia orgasmos (literalmente) em directo (literalmente). De homens, essencialmente; mas não por isso que pensam, mas por isto que li e que reproduz a ideia geral de tudo a que a assisti: “Dou graças a Deus por me ter feito gayzola, a Gaga entrou, dronou e aiiiii se atirou do téeeeto”.

Depois, há a cena dos anúncios publicitários. Quem bate em trump, quem não bate em trump. Não são anúncios, mas produções cinematográficas.

Em suma, houve quatro públicos nesta final de porrada estado-unidense.

O pessoal que vai lá pela porrada mesmo (o sítio onde a dás e onde te atiras para o chão vale pontos);

A malta que gosta da Lady Gaga, que percebi ser um ídolo dos “gayzolas” (acho que é bicha, em português – não é bem gay, é mais andar de dildo enfiado no cu o dia todo — li um dizendo, perdão, um que que dizia que “Deus é Gaga e estou de dedo do cu por deiz ano”);

A gente que aguarda os anúncios publicitários, como quem procura a solução para todos os problemas.

E depois “há eu” (ontem o pt-br me esclerosou), o quarto público (não ouso dizer o resto do mundo, que não fui mandatado), que se limitou a observar.

Mas também não era disso que queria falar.

Era do Mark Eitzel e da minha desadequação a este “Brave New World”. O Homem canta que se desunha. As letras são letras mesmo, palavras e frases. Uma composição. E eis que, chamam-lhe “the queer heir of Leonard Cohen”.

Ainda atinjo as semelhanças vocais [a custo], e até das letras [a custo]. Mas queer? Tipo, a versão bichona? Que raio me interessa a orientação sexual do homem? Desde que a possa exercer em paz e que não seja rotulado ou idolatrado por isso. E, acima de tudo, desde que não se defina ou o definam por gostar de pénis ou de vagina.

Eu não entro no quarto de ninguém, respeito e aceito as orientações sexuais de cada um. Lutei e lutarei pela igualdade. Não me invadam o quarto e não tentem saltar-me para a espinha (ainda que somente mental).

Não me apresento a ninguém como “Rogério, heterossexual”. A “tal” da igualdade implica que bicha (nada a ver com homossexual) não seja cognome de gente. Não me reduzo à minha orientação sexual. Não me ponho aos saltos cada vez que vejo uma mulher. E mais estranho seria que o fizesse quando visse um homem a saltar dum telhado dum campo de bola que não é bem uma bola.

Essas cenas abichanadas nada têm a ver com orientação sexual. Pior, conduzem a uma espécie de retrocesso. Quem é homossexual e leva com a homofobia dos indigentes mentais que vêem nisso uma doença, paga não só o preço dessa homofobia mas também, e é aqui que quero chegar, da atitude deste tipo de circo-gayzola, que insiste em dizer ao mundo o quão bom é levar no cu. A orientação sexual feita propaganda resulta em tiros nos pés de quem apenas quer ser feliz e poder estar e viver em paz. Homem com homem, mulher com mulher. Mulher com homem, já agora.

E, já agora, tentem não ser heterofóbicos. Dava-me um certo jeito poder viver em paz, porque só assim poderei contribuir para que quem tem uma orientação sexual diversa da minha o possa fazer também. Viver em paz. Fazer da orientação sexual uma religião é contraproducente.

E, nesta estranha corrida por este estuporado apartheid, as “bichas” estão a par com a homofobia. Acaso não se lembrarão do quão difícil foi lutar para que pudessem sair do armário. E de quem lutou para que tal acontecesse. Não foi com plumas e com dildos rabo acima.

E isto é que verdadeiramente me lixa; é que ainda é difícil para muitos, e mais difícil fica com essa espécie de homofobia às avessas.

GRAB US BY THE PUSSY, do trumpismo e de como temos de o levar a sério

deficiente

Após ver a primeira conferência de imprensa do “press secretary” (sean spicer) do trump, fico com uma certeza. O tipo é bem melhor do que qualquer jornalista ali presente. Vendeu uma aparência de normalidade que não podemos comprar (mas a que hoje, in loco, ninguém resistiu – só faltaram as vénias).

O cargo de correspondente na casa branca tem sido, ultimamente (já bem antes de Obama), entregue a jornalistas-relatadores. Porque não passava nada e todos riam. O trabalho sério (houve algum) fazia-se fora da casa branca. É urgente mudar. Ser correspondente na casa branca tem de passar a ser uma espécie de topo de carreira, onde se sentam os melhores. Para que o sean spicer tenha perguntas (e respostas) à altura. Há que afastar aqueles risos de reacção às piadas dele. Hoje foi uma estupidez de educação, de não vamos incomodar o gajo, como se estivessem a lidar com gente normal.

Há que entender a estratégia da pós-verdade trumpiana. Um exemplo. Correu que os jornalistas seriam afastados da casa branca. Ontem, o vp spence sem grandes ondas (apenas enfatizando as palavras) deu as boas-vindas aos jornalistas na casa branca [coloca a correr o boato, depois desmente-o, darás a ideia de uma cedência e terás aplausos]

Estamos em 2017 e esta roda já há muito foi inventada.

Urge lutar contra esta aparência de normalidade, como se se tratasse apenas de mais um presidente. A equipa mediática do trump não é o trump. E, lamento informar, é muito boa, no que toca a branquear… o que houver para branquear.

Os media têm, insisto, de começar por colocar naquela sala os Woodward e Bernstein possíveis. É que há aqui uma diferença, em relação a Watergate. Não basta o jornalismo de investigação. Os correspondentes na casa branca têm de ser, como dizer?… jornalistas. O sean spicer hoje não foi levado em ombros porque não calhou. Os homens do trump não são o trump. E vendem normalidade.

Há que ir preparado para estas conferências de imprensa. Estar preparado implica antever todas as perguntas e responder, perguntando à altura. Estar preparado para ser expulso. E essa será também a notícia (e não falo de fazer caretas). Tal como o ssob (doble-son-of-a-bitch; que ao contrário dá boss) decidirá, quando vir o spicer ser encurralado; trump será sempre trump. E esse é o nosso trunfo.

A administração trump não pode ser tratada como se nada fosse, como uma mera mudança de presidente.Temos de levar isto a sério, mesmo. Eles chegaram onde chegaram porque até ao “inauguration day” os levamos a brincar. Para quem não saiba, e por certo não recolherá tal informação nos jornais tuga, trump deu as boas-vindas ao staff presidencial falando em algo como “os próximos oito anos”. Este é o ponto fraco de trump. Grab us by the pussy.

Em suma, qualquer aparência de normalidade tem de ser rapidamente afastada. E todos sabemos que o ser humano tem essa insalubre tendência de se moldar à máquina.

O trump é um buraco negro, que ganhou as eleições a chupar “pecados”. Deu-se uma espécie de identificação. Este gajo é como eu, racista, xenófobo, misógino, um verdadeiro filho-da-puta. Como eu. Vou votar nele, que é tal como eu. E voto em mim. E assim me legitimo. E assim me confesso! Eu sou igual a vós, rednecks; disse trump. E rico, coisa que está ao vosso alcance.

“Grab ’em by the pussy”. Mas não foram apenas os brancos sulistas conservadores a votar nele.

Foi essa mensagem. E é essa a realidade. Não chega uma manifestação no day-after. Terão de ser presentes. Constantes. Em todas as formas e feitios. Nos pormenores e nas abundâncias.

Sabemos o que é trump. O da imagem acima, que goza com o Serge Kovaleski, jornalista do New York Times. O que temos de saber é que quem o rodeia não grita que gosta de as apanhar pela vagina (confesso que nem conhecia o conceito). Não o irá dizer, por mais que o faça. E nem o spicer nem ninguem desta infame administração falará ou “imitará” de novo em Kovaleski.

trump não é normal, nada disto é normal, não podemos deixar que nada disto aparente ser normal. Ou atinamos ou isto senta-se no sofá de nossa casa. E explodimos juntos.