Triste, baixo e desprezível, EU e os FOGOS

Pedrogão

No meio desta tragédia, sobra tempo para uma guerra dos media contra a Protecção Civil. Há pouco, vi uma jornalista do Expresso queixar-se de como havia sido induzida em erro. A propósito do avião que afinal não caiu – estava maçada, a senhora, e quase me veio uma lágrima. Queixava-se de tudo, e garantia a sua idoneidade. Que muitas pessoas (acho que falou em duas) lhe haviam garantido a queda duma aeronave. E quase me convenceu que no meio deste inferno a culpa foi das fontes. E aprendi, hoje, que há fontes da mãe e fontes da puta.

Nomes? Zero. Segundo a senhora, que disse algo como “sinto-me sem pé”, os media foram enganados. Falou num briefing, sem nomear nomes, mas onde não fosse alguém questionar, não se iria tocar no assunto “caiu um avião”.

A senhora estava realmente zangada, porque avião algum havia caído. E duas pessoas (anónimos) lhe haviam garantido o oposto.

Os senhores jornalistas estão cansados? Imaginem quem realmente lá anda, no meio daquele inferno.

Estamos todos doridos e cansados (o pôr do sol na Estrela é a minha principal fonte de informação — estarei 80/100 kms de em linha recta), imaginem quem lá ande a pisar o terreno, sem dar as costas a um lençol branco, sob o qual “uma senhora” espera que o cadáver de “uma senhora” seja recolhido. Os cadáveres, senhora, não se carregam às costas para a vala comum mais próxima.

Os eucaliptos não são os culpados de tudo, é certo. Melhor, são culpados de nada. São árvores.

E, a chamada lei do eucalipto mantém-se em vigor. Este Governo prometeu revogá-la. Não o fez. E foi exclusivamente por isso que esta tragédia aconteceu. Obviamente! Em dois anos, assistimos à desordenação florestal. À eucaliptação da floresta. Em dois anos a Protecção Civil fritou que nem pipoca. Os Bombeiros VOLUNTÁRIOS não salvam (a cada meio minuto vão ao quiosque mais próximo e raspam raspadinhas). Se não sair nada, voltam. Bebem um leitinho e apagam um fogacho ao pontapé.

A Ministra esteve mal na questão dos bombeiros galegos cuja entrada em Portugal foi negada? Não faço ideia. Não me passa pela cabeça que a decisão haja sido dela, só porque lhe apeteceu. Sei apenas da força do fogo, que aprendi cedo ao ver a Gardunha a arder. Ao ver a Estrela a arder. Se a tomou sozinha, esteve mal. Mas não creio, mesmo porque outros tantos bombeiros espanhóis entraram em Portugal. Mas como disto nada percebo, ouso dizer que a minha decisão seria diferente. Não teriam de ir directo para local, e imagino que em pouco tempo seriam colocados a par da estratégia de combate. Mas, lembram-se de aqui há uns anos, uns bombeiros chilenos terem sido comidos pelas chamas, numa luta semelhante, em terreno que não conheciam? Foi em Portugal. Não me lembro quando e onde. Na minha supina ignorância, imagino que o combate a um incêndio exija estratégia. Concertação. Mas não tenho a certeza, que não sou repórter de lençóis brancos, sob os quais jazem “senhoras”.

Um fogo (assim se diz, por este interior negro) arde um pouco mais, venta um pouco mais do que as fogueiras de Santo António ou João. Também não é um madeiro fronteiro a uma igreja, em véspera de Natal.

Todos os jornalistas e cronistas e especialistas estavam preparados para algo assim. As redes sociais estavam. Eu não estava. E sim, aqui reside um problema. No que me mandam dizer de seguida.

O Governo também não estava. Com dois anos talvez já devesse estar, digo eu. Mas tive o cuidado de antes de dizer isto ir ver dessa coisa das trovoadas secas (coisa não rara mas também assim não muito inabitual aqui nas berças). Ver onde era previsto caírem. Cansado de nada perceber, fui perguntar. Questionei duas fontes (não as identifico, aprendi com a senhora do Expresso) e ambas foram solenes e assertivas.  É difícil prever se uma trovoada é seca ou molhada.

Um exemplo: no Sábado choveu na Covilhã (penso que não trovejou) e trovejou no Fundão. E não choveu. Em linha recta distam uns dez quilómetros ou menos.  Sei que tinha o meu filho numa festa de anos, numa piscina num parque campismo, e assim que ouvi o trovão fui buscá-lo. Eu e todos os pais e mães. Deve ser tara aqui do pessoal do interior. Ventava em rodopio, já não trovejava. As folhas dançavam zumba. Os miúdos estavam a modos que com medo. Para os acalmar, acendi um cigarro e aventei-o para a árvore mais próxima.  Em menos de um fósforo, a árvore transformou-se num cinzeiro sem continente. Depois todos bateram palmas, arrotámos em sincronia, e dirigimo-nos às mulas e machos que nos conduziram às palhotas que nos albergam.

Não se via o sol. As nuvens lá estavam, já com ar de quem não ia chover.

Antes de continuar, é ÓBVIO que a floresta tem de ser repensada. Mas isso também depende de nós. E adoro o cheiro do livro em papel, mas estou preparado para que a parafernália do papel deixe de governar governos.

Asinha termino.

Triste, baixo e desprezível não é a fome de sangue e arrogância dos media (raios partam no avião que não caiu e nas fontes que falharam).

Triste, baixo e desprezível não é a instrumentalização politico-poucochinha que aí vem desta tragédia.

Triste, baixo e desprezível é o facto de este post me ter sido encomendado por vários partidos de esquerda e de eu, que milito em todos, e cumprindo ordens (coisa que faz o meu estilo), o replicar. Perdi completamente a noção; de tanto me vender, em tachos e esquemas. A minha conta bancária foi expulsa do banco, por falta de espaço para tanto verde.

Triste, baixo e desprezível sou eu, sim, por acreditar que a nossa floresta está votada ao abandono. E ousar acreditar que a culpa não é só deste Governo. Nem é só do Governo que o antecedeu.

Triste, baixo e desprezível, EU, sim, por acreditar que há aqui uma culpa colectiva. Não é dos submarinos (que tanto jeito nos fazem). Não é de quem come sopa de eucalipto. Não é de quem não limpa as matas. Não é de quem nunca sentiu uma trovoada seca. E seguramente não é da esquerda e direita caviar que encharca as páginas dos jornais portugueses.

Vamos aguardar que o fogo se extinga, colocar fotografias de bombeiros exaustos; depois vamos criar 64 comissões parlamentares de inquérito. Uma por cada vida que se perdeu.

Triste, baixo e desprezível é dizer que tenho quarenta e cinco anos e que desde que tenho memória isto se repete.

Os media e as politiquinhas que cavalgam a brasa não são tristes, baixos e desprezíveis.

Triste, baixo e desprezível sou eu, a voz do dono.

Aguardarei instruções para o próximo post. Não há palavra que escreva que não me seja encomendada. Quem me conhece sabe isso. Jamais me pronuncio sem que me digam o que dizer. Sou o antónimo dos media – tenho dono –, sou pago a peso de ouro para dizer o que digo. Todos os meus dinheiros ardem juros num offshore, of course & off course.

Miguel, uma flor lembrada

Miguel Portas 2

Miguel,

Chegou o dia 24, mais uma vez. O tal que precede os cravos do calendário; e mais uma vez lá estarei, na arruada pela Liberdade, misturado com alguns que lá vão, apenas, porque o calendário assim o dita – é-me tão difícil, sabes?; porque bem ou mal, faço por um Abril diário. Atenta-me o Abril calendário.

Sem nunca ter falado contigo, foi também contigo que aprendi a não ter medo. O resto, a forma como o faço, é da minha exclusiva responsabilidade. Não tenho a tua paz, não tenho o teu sorriso, não tenho aquela “magia” simples que só tu tinhas.

É-me sempre difícil (cada vez mais difícil) suportar este solitário 24/4. Solitário porque morreste, embora sempre presente. Mas é cada vez mais complicado fazer aquelas contas de te ler sem se te ler. Lembro-me de ir ver de ti, sobre cada assunto do dia. De como às vezes (poucas) discordava. De como quase sempre pensava essa coisa do “ele” (tu) também pensa assim. E seguia adiante, fazendo o que acreditava ser justo, independentemente do que pensasses sobre o tema em causa. Da forma como lidavas com ele.

Contigo, caro Miguel, aprendi algo de muito importante (mas não te uso como desculpa).

Que se lixe o medo. Quem somos nós para nos dar ao luxo de não dizer, de não agir por medo? O mundo não se resume aos cinco segundos de vida que temos. E os farsolas continuam a ir ao pote (palavras tuas, a propósito de um avençado que acabou mesmo por ser o que acreditavas que nunca seria). E ai de quem os aponte a dedo. No que me toca, seria absurdo não o fazer. Depois há a cena da forma, que também interessa. Nessa parte tenho jeito nenhum.

O mundo está cada vez pior.

E tu alertaste. Estiveste em cada sítio onde este mundo, cada vez mais insano, ergue agora muros. Como hoje relembra o teu amigo Pureza, tu e o teu mediterrâneo. Esse mediterrâneo-porta agora transformado em cemitério-muro.

Quando morreste, depois do choque e da dor do momento (falo da dor do momento; que passaram cinco anos e ela continua), pensei “a porra é que morreu”. E repara, Miguel, morreste na parte racional daquela cena de estar vivo. No mais (esse enorme “tudo”) estás cada vez mais vivo.

Há uns meses, em conversa sã com alguém que crê em Deus, mandaram-me com essa. “Quem és tu para te dizer increu, se ergues o Miguel a uma condição de quase deus?” E pensei, olha que porra de cena. Não olho para o Miguel como um deus. Apenas falo de um Homem. E depois pensei, mas que porra de contradição. Aquilo do “Apenas”. A forma como o olho é precisamente por Ser Humano. Ser Ser Humano. Se te olhasse como deus faria questão de não acreditar em ti. Olho-te como um Homem que faz falta. Muita falta.

E nunca troquei palavra contigo. Ficava sempre para o dia seguinte. Há muito tempo. Havia sempre muito tempo. A verdade é que por natureza não temos muito tempo, podemos levar com essa maleita cobarde que te levou. Ou com um camião. Sei lá se acabo este texto. Sei lá se o publico. Quem sou eu para falar de tempos. Errei nisso.

Hoje, não dou o amanhã por adquirido. Tenho de viver este hoje. Sem raiva, sem ódio. Com dúvidas. E também sem pressas, apesar de hoje, este segundo, poder ser o último. Ou precisamente por isso. Mas não deixando nunca de dizer o que penso. Porque amanhã pode não ser tempo.

Agora mesmo chegou o Francisco (meu filho), expliquei-lhe o que estava a fazer. Depois pediu-me ajuda nos tpc, uma interpretação de umas palavras de Ondjaki (verdade, já temos Ondjaki na “quarta classe”; nem tudo vai mal).  Chama-se “A flor esquecida”.

“Certo dia, ao andar pela rua / Uma menina reparou / Numa flor muito bonita / Vendo-a tão paradinha / Também a menina parou./ A flor espalmada no chão / ao ser assim olhada /mais engraçada ficou. (…)”

A pergunta era algo como: “o que sentiu a flor?”. Falei-lhe mais um pouco do que estava a escrever. O resto foi com ele.

E é isto Miguel. Obrigado.

Até amanhã.

O expresso da manha

copos e gajas
Eis o Expresso em manifesto e decidido processo de estupidificação das gentes. Não interessa nada que seja só bola, interessa ainda menos o facto de nem a Hungria nem a Holanda terem nada a ver com a frase do inefável presidente do Eurogrupo. Se queriam dar um toque político à cena, podiam ter pegado num dos muitos muros do estuporado orbán. Claro que não faria sentido, assim como o título não faz sentido. Mas que se lixe, interessa é misturar tudo. Dar a entender ao Zé Povinho que hoje nos vingámos de quem reduziu Portugal a “copos e gajas”.
“Se quiserem podemos ajudar-vos na bola”, diz a “jornalista” mariana cabral, que desceu ao ponto de finalizar o artigo anunciando que a Holanda perdeu e que Cruyff só houve um.
Bem-hajas, Expresso. És um mesmo jornal de referência. Taco a taco com o correio da manha. Já pensaram em coligar-se? O expresso da manha, ou assim. 
É só bola, bem sei. E podia pegar em alguns dos artigos de opinião que li esta semana no referencial e reverenciado jornal. Peguei neste, porque vai directo ao assunto. É só bola, bem sei. E por isso me aborrece ainda mais, porque é só bola. E porque são milhões a ler; já não peço que ajudem, não ouso pedir que sejam sérios e que façam jornalismo. Mas não desçam tão baixo.

Carta à Prima da Vera

Ex.ma Sr.a Vera

Na impossibilidade de contactar a Prima de V.Ex.a, serve o presente para lhe solicitar o obséquio de avisar a Sr.a sua Prima de que já tem quatro dias de faltas injustificadas consecutivas.

Não querendo de forma alguma atentar contra os direitos laborais da Sr.a sua Prima, é nosso dever, como sócios e gerentes deste país de “gajas e copos”, alertar para o incómodo que as ausências acima referidas nos estão a causar.

A título meramente ilustrativo, mas pelo défice acima dos 3% que tal representa no cabal desenvolvimento do nosso objecto social, sublinhamos o facto de os nossos melhores clientes, os presidentes de eurogrupos, terem todos cancelado as respectivas visitas de… trabalho a esta República (vide infra print de um email ora recebido)

dji

Apesar do manifesto desagrado, e mais uma vez agradecendo antecipadamente os esforços que por certo V.Exa envidará para repor a normalidade, e também pela consideração que temos pelo trabalho sazonal desenvolvido, em anos anteriores, pela Sr.a sua Prima, consideraremos justificar as faltas, caso ela dê sinal de vida nos próximos dois dias.

Caso tal não suceda, diga-lhe da nossa parte que a consideramos uma amostra de apeadeiro, e que seremos obrigados a prescindir dos seus serviços, antecipando o regresso do irmão mais velho de V.Ex.a, o Sr. Verão, estação que sempre cumpre a função.

Acaso sejamos obrigados a tal, quem se lixa é o vinho.

Cumprimentos e isso,

Portugal, serviços de gajas e copos, Ilimitada

Carta Aberta ao Dijóôkaralhodjinome

dij e o vinho

Tive de interromper uma orgia (e logo a das terças, porra) para te dirigir estas palavras, pá. Mas trouxe o garrafão de carrascão para me ajudar durantes estes minutos de semi-abstinência. A coisa tem, portanto, de ser rápida.

Vamos lá conversar sobre esta cena que disseste: «europeus do Sul gastaram dinheiro em “copos e mulheres”»

Agora a sério, Adolf (trato-te assim por preguiça, e tu bem sabes como a malta do sul é preguiçosa – mas o nome até é o teu focinho). Noto que a tua frase assenta num saber de experiências feito. E toda a Europa passou a saber o que cá fazes cada vez que cá vens. Ao “sul”.

Na impossibilidade de o teres doutra forma, pagas por ele. E não há nada de errado nisso, homenzinho. A Holanda está, aliás, muito à frente nesse ponto (tu não és a Holanda, Adolf). Espero é que seja sexo consentido, pese embora esse teu ar de orgasmo em forma de soluço. Mas não nos meças pela tua pilinha, rapazote.

Ia dizer “pensa bem”, mas depois percebi que isso é conselho inútil. Transformar as tuas experiências por aqui (vulgo: turismo sexual – só pode, pá!) no que NÓS SOMOS é extremamente hilariante. Melhor, seria. Porque a frase diz tudo de ti. E nada de nós. A merda é que resulta ofensivo. Daí o “seria”. E aí toda a piada se vai. Manifesta a teu bel-prazer a tua forma de estar no mundo. Mas não entres por aí.

Passaste demasiado tempo com o anterior primeiro ministro, aquele, o das vénias. E com o gaspar, aquele, o das vénias. E a maria luis, aquela, a das vénias. Estás a ressacar, só pode. Portugal deixou de ser a tua puta; os teus donos pedem-te contas; o teu “pfffésdê trabalhista” (psd com coelho nos anos áureos da troika) perdeu 29 dos 38 deputados que tinha. Com jeitinho cabem todos num táxi.

Estás ressabiado, homem. E, mais uma vez, tal como faz o teu guru xóible, vai de marrar com o sol do sul. Ele nisso, justiça seja feita, dedica-nos mais tempo; é mais preciso. Não há cá desse conceito vago e indeterminado – povos do sul. O deutsche bank está com problemas? Portugal! Hoje torceu-se-me uma rodinha? Foi o Costa. Com o coelho nada disto acontecia (sempre de almotolia no bolso). Um nórdico torcia o pé e, lá vinha asinha: “Portugal?! Vai já para o quarto”.

Quanto à coisificação da mulher? Epá, acho francamente que deves passar a andar de coquilha (também deve haver para o teu tamanho), mas não pode ser um resguardo qualquer. Aconselho uma espécie de ferragem, que as mulheres do teu país saberão responder-te al dente, morenaço. Ao teu esparguete, pá! Acaso cá voltes, aqui aos países do sul, aconselho-te vivamente uma armadura. Imagina-nos todos bêbados e encharcados de mulheres – cena marada esse teu sonho húmido (sério que estou em pulgas para saber como as tuas palavras serão recebidas na Holanda).

Agora, deixando de lado os teus complexos, tu és a antinomia do ideal europeu. E dizes-te progressista? E holandês? És um farrapo de homem, cabrão. Bem sei que o anterior governo tuga fez de todos nós umas putas, soldados dos mercados. Estás a estranhar. Entranha, pá.

Aqui há mulheres e homens, espécie de holandês. Digo espécie porque não posso (seria falso) definir o teu país em função da tua triste existência.

Chega cá mais perto, Adolf. Não tanto, pá, mais para trás. Mais um pouco, agora encosta-te à direita. Mais, mais. Mesmo na extrema. Aí. Lado a lado com o geert wilders. Aí é que estás bem. Avante! (ups)

Olha, não somos a tua puta. Tu és a puta e o teu chulo é quem te paga luvas ao fim de cada mês. Vamos chamar-lhe “mercados”. A quem te ordena o discurso. Mas hoje tenho a indelével sensação que marraste de frente contra a parede. Foste tu, sem máscara. E o teu patrão é gajo para não ter gostado. Porque foste demasiado tu, sem peias. Foste aquele teu apelido. djisselcoiso. Os teus patrões terão torcido o nariz, sim, mas descansa; eles não prescindem de trastes.

Pá, andámos quatro anos a marchar a tua marcha e a dos teus donos. Portugal deve fazer-te imensa comichão, agora que não o comandas tanto (o governo tuga acabou de pedir a tua demissão). Liga ao coelho. Ambos padecem de 2,1% de défice.

Espanha será Espanha (verás), Itália (mais sul-sul não há), Grécia (tu e os teus patrões destruíram a Grécia; e haverá consequências, cá estaremos, putanheiro, para as ver – tu no goldman sachs, vai uma apostinha?)

E termino isto que tenho de retomar o bacanal.

Só mais uma coisa, não penses que nos tomas por parvos. Disseste o que disseste para obter este tipo de reacção. Estás a prazo no Eurogrupo e sabes isso (já só és ministro das finanças a prazo). Eu sei isso. A Europa sabe isso. Aposto no goldman sachs, que tanto conhece deste sul, ou não tivesse martelado as contas gregas. Sobram lá lugares para trastes como tu. Nós também lá temos um; fico curioso para saber das hierarquias. Mas, temo que, por mais traste que sejas, nunca serás tão reles quanto ele. Prezamos muito a qualidade, Adolf, e esse nosso traste é artigo trabalhado e sabido. Uma puta como tu, sim. Mas pior/melhor do que tu. E termino com este elogio ao teu trabalho. Ao pé do durão és um menino.

Quando voltares a Portugal apita. Vou-te esperar ao aeroporto e a seguir vamos juntos passear. Há imensa gente com ganas de te conhecer (estou a gozar, pá, achas mesmo que largava estes meus afazeres báquicos para te servir de guia?).

“Acusem-me, porra”

João Nabais, Advogado, a dar pérolas a porcos. Este processo já devia, tal como o meu Colega refere, ter sido dividido em dois, três, quatro, cinco… Os que fossem necessários. A pergunta “mas tu achas mesmo que ele é inocente?”. Francamente? Não me cabe a mim achar, cabe à Justiça julgar. A minha opinião sobre a culpa “dele” é irrelevante, absolutamente irrelevante. Tenho é a decência de assim a considerar, publicamente. Não acho nada, não nos movemos por “achismos”; vivemos num Estado de Direito Democrático com regras processuais que devem ser cumpridas.

Não se encerara um homem por dez meses com base em nada; e a prova de que era mesmo nada foi todo o tempo que decorreu desde então. Três ou quatro anos (ele saberá os dias e as horas). Com base em nada. Nada de suficiente que sustentasse uma acusação, pelo menos.

“Acusem-me, porra” é o mínimo que o Estado Direito deve cumprir com um Cidadão.

Sócrates esteve dez meses detido preventivamente; para que tal acontecesse havia (teria de haver) fundamentos sólidos (os tais indícios sérios de que fala João Nabais) para uma acusação. Assim não foi. Havia zero. Ou muito pouco, nada que sustentasse uma acusação que devia ter saído nos meses seguintes. Há mais factos? Venha outra acusação. Mais ainda? Outra acusação.

Se hoje há muito? Continuo sem saber. O que sei é que os prazos foram adiados sine die. Por causa de dois magistrados ineptos que mais não fizeram durante quatro anos do que alimentar a comunicação social, que diz saber de factos que a defesa ignora. E que aventa “verdades” que dificilmente passarão a mentiras. Responsabilidade zero.

Ter o correio da manha como interlocutor privilegiado do que se passa no processo é a prova de que batemos no fundo do fundo e, não contentes com isso, encontrámos uma porta e entrámos e continuámos a escavar. Tudo isto mete nojo e tudo isto é motivo de repulsa. O plural é meramente narrativo, não me incluo nele. Insisto que nada sei de Sócrates e de sua culpa ou inocência. Não posso concluir nada que não parta de decisões transitadas em julgado. Posso depois concordar ou não, mas isso é outra loiça. E certamente não opino assente em artigos de cornetas do diabo. Que vomitam o que a acusação lhes dá a mamar. Esse contrato entre o magistrado do mp e o correio da manha é a prova de que há muito para rever.

O “jornalismo” e as fontes. O “mp” e o “jornalismo”. E não rasguem as vestes, ó virgens. Censura é o que se passou até agora. Censura é este processo sem contraditório. Não falo de censura, falo de responsabilidade e de responsabilização. Não chega afastar o rosário teixeira do processo, há que investigar e responsabilizar os responsáveis por todas estas fugas diárias para os media.

Nada disto é novo, podemos recuar a Leonor Beleza, que soube pela comunicação social os termos da acusação. Proença de Carvalho, seu Advogado, teve de escrever um livro para poder defender a sua constituinte das atoardas de então. Sei que há cerca de vinte e um anos assentei o meu trabalho de agregação à Ordem do Advogados nesse assunto. Mantenho-me irredutível porque, porra, é-me tão óbvio. Não é pelos jornais. Melhor, a investigação jornalística pode espoletar processos; não pode é ser a voz do dono, que por sua vez também fica a parecer igual. E entre tantas vozes e tantos donos perde-se a Justiça.

Nunca ninguém saberá se Sócrates é culpado ou inocente. Agradeçam a quem diariamente vomitou manchetes para o correio da manha e para quem, “de referência”, lhes segue as patadas.

Lembram-se do caso Maddie? De como todos os dias havia uma conferência de imprensa onde “o tribunal” dava nota das evoluções? “Para inglês ver”, e nunca a expressão calhou tão bem. Mas por aí é o caminho. Já o era há vinte e um anos. O que vocês, jornalistas, podem dizer e saber é “isto”. Apenas isto. Se pisarem o risco estão a assaltar um tribunal; ainda que não partam vidros, ainda que não forcem portas. Se souberem mais do que isto, disserem mais do que isto estão a vilipendiar a Democracia.

Mas voltemos ao caso Sócrates. O tavares do Público já se dá ao luxo de pedir responsabilidades ao PS; já se dá ao luxo de explicar aos “pró-socráticos” o despacho da Procuradora Geral da República. Gostaria de pensar que são reminiscências do tempo em que foi recruta do correio da manha; ou de quando – antes disso – passou do zero ao cem por causa de um processo que Sócrates lhe moveu – e o tavares ganhou, e terá gostado de ver justiça feita (coisa que agora ousa fazer… à pata). Na verdade, tendo em conta os diários despautérios, resta-me achar que é a forma que o Público tem de ser… “plural” e de descer ao nível do microfone caído no fundo do lago (a mais bela jogada do Ronaldo).

Agora direi aquela coisa óbvia do “ponham-se no lugar dele”. É impossível. Este processo só ganhou os contornos que ganhou porque se trata dum ex-Primeiro Ministro. Naquele exacto lugar não é possível. Mas podemos adaptar as circunstâncias às realidades de cada um.

A instrumentalização da justiça pela comunicação social, com o poder político metido no meio a distribuir cartas é a negação da Democracia. Tudo serve para vilipendiar. Porque o sangue vende. E ganha-se dinheiro e ganha-se tempo e ganham-se razões. E quem duvida da culpa do homem, sujeito a tal ataque, em tantas frentes?

Mas ouve cá! Quando chegar o teu dia, quem duvida da tua culpa? Nasce connosco pararmos quando alguém tropeça numa pedra e se espatifa no passeio. Entre o riso e o acudir. Até aí percebo. Mas ouve cá! Quando chegar o teu dia, quem duvida da tua culpa? A galinha da vizinha que é mais gorda do que a minha e como raio ousou a minha vizinha? É isso? Tão só? Tão-só!

E concluo:

– Sócrates não me é indiferente. Já o achei solução (votei nele) e ao fim de seis meses arrependi-me. Mas não renego a minha responsabilidade que adveio de algo simples. Simples e grandioso. Simples levantar o cu do sofá; grandioso poder escolher, enorme poder errar. Este “poder dizer de nós” custou décadas de silêncio, de tortura e de morrer e de ir matar no ultramar. Não fiz o 25 de Abril, mas ninguém me impede de o continuar. O filho do Francisco Sousa Tavares, em crónica no Expresso, asseverou três vezes que não era por Sócrates. Ao contrário do pequeno miguel, não tenho de me justificar vez nenhuma. Ou talvez só uma. Não quero de volta os tribunais plenários, onde já ias de sentença lida.

– Fui votar, dizia (quem crê que “a abstenção é a solução” que funde uma igreja ou então olhe as recentes eleições na Holanda; 80% de “aqui estou eu” impediram a eleição de um fascista). Mas não é só essa a causa de não me ser indiferente. Dê por onde der, olhe-se por onde olhar, seja o resultado o que for, valerão sempre mais aquelas centenas de manchetes a dar o homem como culpado. Quais os crimes? Epá, isso não interessa. Inocente ou culpado, o grande rosário já disse e distribuiu a sua justiça. E, temam, é essa que vai valer. Sentenciados todos nós pelo correio da manha.

– A PGR deu uma no cravo e outra na ferradura. Tomem lá mais mês e meio e depois quero datas. Daquelas que marcam o fim. Uma acusação. Metem-se as férias de verão e lá para Outubro ou Novembro teremos a revelação-acusação. Acaso, entretanto, não surja mais uma ligação perigosa – vejam lá bem se o homem não andou a escutar o trump, o Obama e o putin ao mesmo tempo, qual agente triplo. Nessa altura teremos oportunidade de ver exactamente quais os indícios seriíssimos e gravíssimos que, naquela altura, levaram à prisão preventiva. Aposto singelo contra dobrado que o que consta do despacho que decidiu pela prisão preventiva será inócuo. Em face da acusação, entenda-se. Que será grandiosa, terá de o ser. E este ter de ser é tramado.

– Para terminar deixo uma certeza. Num processo destes, envolto em sigilo, é simples saber que soltou informação para os media. Basta olhar quem esteve presente e investigar. Tão simples assim? Como é que se sabe tanto (nada) cá fora do que foi dito lá dentro? Com o número limitado de pessoas que esteve presente em cada uma das diligências judiciais seria tão simples assim. Não perdendo de vista que apenas uma esteve presente em todas, a coisa resultaria ainda mais simples. Mas vade retro, que quem for por aí acaba detido preventivamente, não porque haja provas. Mas porque urge recolhê-las. Eu tenho de ter especial cuidado porque em 1984 olhei as torres gémeas. E, notem, dezassete anos depois aconteceu o que aconteceu. Não há coincidências, rosário. E, confesso, também já pisei a relva. Várias vezes. Várias relvas, de todas as cores, de várias formas. O que te facilita o estar é esta minha confissão.

– Sabem o que acho mesmo? Metade das pessoas que chegaram ao fim deste meu texto insistirão na pergunta: “Então achas mesmo que o gajo é inocente”? E isso é o que eu acho. Nada mais. Metade das pessoas que chegaram ao fim deste meu texto insistirão na pergunta: “Então achas mesmo que o gajo é inocente”? Não era esse o ponto. A questão é que a Justiça não é aquela menina ao lado do João Nabais.

Continuo a acreditar na Justiça, mas Justiça-mesmo. E a Justiça não é aquela coisa lá longe. Somos nós. Erra, pois erra. Erramos, claro que sim. Estas palavras acima representam o que penso da Justiça. Para que não haja MESMO confusões. Creio na Justiça. E todos podemos e devemos contribuir para ela. Uma coisa vos assevero, quando a entregarmos a máquinas, vamos todos dentro. No entretanto, há é que extirpar da Justiça o que não lhe pertence.

Este texto é a minha singela contribuição. Tenho andado engasgado, outras palavras se seguirão. Oxigénio.

novas da trika-troika e do diabo

Última hora: no próximo Domingo marques mendes vai abordar o tema “Centeno enviou a domingues um whatsapp-vídeo onde se pode ver o Ministro a fazer um pirete à frente de uma declaração de rendimentos”.
Que idade é que esta malta tem, mesmo? Diz-me que política praticas dir-te-ei que tipo de gente és. Qual a relevância política (objectiva!) que esta estorieta tem? Melhor, em face dos resultados apresentados por Centeno no que respeita à gestão da coisa pública, que interesse tem esta treta? E claro que errou, ao ter pensado que não era assim tão importante para um tipo que vem do privado exigir não ter a declaração de rendimentos “publicitada” (confiou que quem não deve não teme).
Mas não, não é suficiente para demitir um Ministro como Centeno (ai é só por isso?; não, não é, mas também não ignoro a mais-valia que este Ministro representa). Diria “temos pena” se vivesse o país como quem vive a bola. Partidarismo e clubismo são sinónimos na essência. E o problema começa aí.
O que realmente mói a trika-troika marques mendes, coelho e cristas são os resultados de Centeno. 
Em suma, a culpa é claramente do défice ter atingidos mínimos históricos e de a ausência de “oposição” ter atingido máximos históricos. E do diabo, também; que não há maneira de chegar. Não deve haver rede no inferno, ou já lhe teriam enviado um sms.